introdução
eu sou ansiosa. eu costumo resolver tudo sozinha, cuidar da minha vida, não espero nada de ninguém nem de nada.
as contas chegam e eu pago 20 dias antes do vencimento.
e quando eu tenho que esperar? e quando não depende de mim?
eu fico arquitetando meu futuro e fico fazendo de mim mesma um mamulengo.
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um trailer
ontem eu fiquei muito triste quando vi o trailer de comer, rezar, amar. quando julia fala: "eu costumava ter paixão", ou qualquer coisa do tipo...
hoje eu acordo e só peço pra jah forças pra chegar até o fim do dia. e entregar os trabalhos dentro do prazo. e não sentar no meio fio no meio do dia com a cabeça entre os joelhos e desistir.
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um filme
depois de ver o trailer fui pro banheiro chorar com uma peninha de mim de dar raiva.
eu quero me tornar exatamente aquilo que nunca admirei? não é possível que todas as véia que eu conheço sejam iguais e eu seja uma delas.
onde foi parar minha insolência?
chorei sentada na privada por alguns minutos, fiz xixi a pulso e fui pra sala. liguei a tv. estava passando de repente é amor.
amanda peet: "se você não está disposto a parecer ridículo, não merece se apaixonar".
quando o filme terminou eu estava naquele estado ridículo, de falso êxtase, aquele em que você tem certeza que a partir daquele minuto tudo vai ser diferente porque você vai mudar.
comecei fumando um cigarro sentada em cima do móvel da sala, só porque nunca tinha sentado nele e achei que era uma boa hora de mudar um paradigma. qualquer um.
chorei mais uns minutos e fui dormir.
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foto 1
no facebook de um amigo, vi a foto de uma mulher que conheci uns anos atrás quando ela era estava around 30 anos. na foto que vi ontem, ela estava com os dentes amarelos, cara de neurótica e acompanhada dos dois cachorros.
wake up call, i can hear you.
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foto 2
não sei nem o que dizer.
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a decisão
eu estou disposta a parecer ridícula.
estou disposta a voltar a ter paixão.
estou disposta a fazer uma dívida.
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um email
escrevi para minhas amigas adriana, de louisiana, e nina, de amsterdam.
e disse minha própria frase do milênio:
"percebi que não há hora certa pra começar a ser feliz".
ninguém vai me avisar que já posso começar, vai? então decido eu.
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conclusão parcial
a pergunta que fica é: quantos amigos de verdade você tem? e os que ficaram, quanto foi porque você os amou e quanto foi porque eles não desistiram de você? os meus, com certeza, foi pela segunda opção.
e eu quero consertar isso, ou quero pegar o próximo trem para todo lugar?
eu amo meus amigos, mas a perspectiva de um trilho que some no horizonte sempre me é mais confortante.
um lugar que não tenha ninguém que, ao cuidar de mim, me lembre a falta de sorte que eu tive.
um lugar em que nada do hoje lembre como foi ontem.