Wednesday, September 23, 2015

gente bora ajudar o daniel!

o sonho de daniel é ir pra sua formatura com a mastectomia masculinizadora feita.
eu fiquei tão emocionada com a sinceridade e a simplicidade do pedido dele que tive que compartilhar aqui.


clica aqui pra ajudar o rapaz e aproveita e compartilha o link nas ruas redes!





Tuesday, September 22, 2015

a profeta lendo meu livro


érica zíngano fez uma leitura fundamental do meu livro (reclamando da quantidade de pontos finais e da minha incapacidade de pontuar os verbos no passado - entre outras coisas, mais importantes que gramática), em VINTE páginas de um pdf com comentários. mas o que eu queria compartilhar mesmo é o afeto, no final:



"eu tô agarrada com você desde ontem"







ps: o livro sai pela douda correria em 2016.

Sunday, September 20, 2015

look do século

sinceridades feat. obsessão






Friday, September 18, 2015

groupie das amiga

recomendo recomendo recomendo com muito amor.

Sunday, September 13, 2015

schengen goddam




pudessem os homens brancos em bruxelas
e thomas de maizière
ouvir este meu poema estaria resolvida
a questão das fronteiras e seus
problemas veja bem senhor ministro
em minha cama não se pede visto
já troquei lençóis e fronhas
sujos de sêmem made in espanha
hungria áustria zimbábue iraque
alemanha
fazemos a alegria uns dos outros
e diga-me senhor ministro
se não fôssemos nós
quem mais a faria?
e quem faria seu demográfico
crescimento? dele somos
responsáveis - diz fatou diome -
em 40% e sem nós
expatriados diga mesmo
senhor ministro
de onde viriam tantas delícias
as teses os ensaios a vida as baladas
os bares os quadros com quais
lucram vossos museus os livros
premiados com os quais
lucram (ou lucravam) suas poeirentas
livrarias?
haveria para pasolini este
homem europeu
um futuro mais duradouro
tivesse pasolini se refugiado?
talvez fosse morto na síria na líbia
ou na casa de caralho mas menos
por ser refugee e mais por ser viado
(sim um grande problema mas esse
não é hoje o tema do poema)
já deitei em futons tapetes colchões
e carpetes de toda sorte de gente
inclusive os de budapeste que se
mostram agora os mais cabrões
(os jogadores de golf de melilla
não são menos sinistros) o segredo
senhor ministro deixa eu explicar
é abrir não somente as fronteiras
mas o coração sermos bons como lou
salomé que fez a caridade de comer
nietzsche e para o próprio deleite ainda deu
pra rée e (dizem) rilke sermos bons com
quem vier não importando a cor do
passaporte nem do sujeito apenas dando
muito seja lá do quê - um visto um teto
um trabalho um hallo um meio
de transporte mais seguro e
ventilado que um caminhão
e um destino mais humano
que o injusto e raso para onde
eu você e petra laszlo mandamos
o pai anônimo e seu filho (o chão).





apenas aprendam
(rée, salomé e nietzsche)

Friday, September 11, 2015

o beijo, de anne sexton



O BEIJO

Minha boca lateja como uma úlcera.
Fui o ano inteiro ignorada, noites
chatíssimas, nada além de cotovelos ásperos
e caixinhas de Kleenex gritando crybaby
crybaby, sua abestalhada!

Até ontem meu corpo era inútil.
Agora se rasga nas partes ossudas.
Faz do manto de Maria pó, de nó em nó
e olhe – Agora atingida por um certo raio:
Bum! Ressuscitou!

Antigamente havia um barco, de madeira
e sem utilidade, sem mar embaixo
e precisando de uma demão de tinta. Não era muito
além de um bocado de tábua. Mas ela você alçou e laçou.
Ela foi escolhida.

Meus nervos à beira de um ataque. Posso ouvi-los como
instrumentos musicais. Onde antes havia silêncio:
bateria, irremediavelmente as cordas tocam. Você é o responsável.
Trabalho de gênio. Querido, o compositor se mete
fogo adentro.






THE KISS

My mouth blooms like a cut.
I've been wronged all year, tedious
nights, nothing but rough elbows in them
and delicate boxes of Kleenex calling crybaby
crybaby, you fool! 


Before today my body was useless.
Now it's tearing at its square corners.
It's tearing old Mary's garments off, knot by knot
and see — Now it's shot full of these electric bolts.
Zing! A resurrection!

Once it was a boat, quite wooden
and with no business, no salt water under it
and in need of some paint. It was no more
than a group of boards. But you hoisted her, rigged her.
She's been elected.

My nerves are turned on. I hear them like
musical instruments. Where there was silence
the drums, the strings are incurably playing. You did this.
Pure genius at work. Darling, the composer has stepped
into fire.





"o beijo" é o segundo poema do livro love poems. tanto poema quanto livro não são os melhores de anne, mas o que faz de love poems especialmente atraente para mim é o livro de poesia como projeto. é a análise laboratorial que ela desenvolve em torno de um único tema e, ainda que ela aqui e ali fale de outras coisas, o tema ou mote é o adultério e seus protagonistas, com o corpo como arma do crime, por assim dizer.

nos pontos altos, anne transfere a obsessão que antes tinha com a morte e historização da própria biografia, prum homem (o marido e o amante). poemas como for my lover returning to his wife, pelo qual sou especificamente obcecada e cuja tradução pretendo postar aqui um dia antes de 2019, têm uma força mãe-natureza e um nível de empatia que ainda me deixam besta.

os love poems foram escritos durante o romance que anne sexton teve com seu segundo analista. sem saber dessa informação, é mais difícil entender por quê da linguagem às vezes encriptada que anne - uma senhora casada e mãe de filhos, dos subúrbios de boston - utiliza no livro, publicado em 1969. essa linguagem encriptada resulta eventualmente num tom solene que às vezes cai na cafonice, com metáforas fábio júnior distantes da força crua que aparece no livro anterior, all my pretty ones. essa "solenidade" tem sido minha maior dificuldade traduzindo outros dos love poems. nem por isso o livro é menos sexy. se não me engano, foi o que mais vendeu (até a publicação de transformations, em 1971).

nesse livro, anne também relaxa com métrica-e-musicalidade que lhe consagraram em to bedlam and part way back, seu livro de estreia. o cuidado com a versificação que ela mostrou nos seus primeiros dois livros têm, na minha opinião, muito a ver com a doença mental de que ela sofria. em love poems, no entanto, ela transfere a obsessão pela estética em uma obsessão pelo sujeito. uma troca tão ou mais arriscada.

esse poema eu gosto pela imagem da mulher febril que, depois dum período de seca, volta a ser beijada (e comida, né, assim esperamos); eu gosto da descrição da explosão interna que anne faz, de como ela lida com o tesão e a adoração que ela dedica ao boy que a tirou do limbo sexual, chamando-o de gênio.


essa foi então a minha tradução-traição pro português nordestino (tentando diminuir as "solenices" do poema original; tentando me afastar da semântica e me aproximar do que o poema quer dizer, mas mantendo algumas rimas/ecos internos).

Friday, August 28, 2015

having a coke with you, de frank o'hara





tomar uma coca contigo

é ainda mais legal do que ir pra praia
ou passar mal na festinha da praça da prefeitura
em parte por causa da tua camisa de flanela tu parece um kurt cobain                              mais animado
em parte por causa do meu amor por você em parte por causa do seu                          amor por iogurte
em parte por causa dos alecrins ressequidos ao redor da montanha
em parte por causa da ilegalidade da nossa troca de sorrisos quando                       estamos em público
é difícil acreditar quando estou contigo que bem diante das minhas                                     fuças existe
algo tão calmo tão solene tão fuderosamente definitivo quanto essas                                     fotografias
na luz encandeante das 4 da tarde de barcelona a gente perambula
como perambulariam as árvores se pudessem
e naquela exposição os retratos não pareciam ter cara
e tu se pergunta por que caralho alguém nesse mundo faria algo assim


eu olho
pra tu e prefiro mil vezes te olhar do que olhar qualquer outra foto
quer dizer, talvez prefira olhar uma foto tua em alguma exposição
à qual você ainda não teria ido e à qual iríamos juntos
o fato de que tu és tão lindo mais ou menos resolve o futuro da                                               fotografia
até porque quando tô sem fazer nada eu nunca penso em Gursky ou                                               Soth
e quando tô ocupada é uma foto de Diane Arbus que me tira o sossego
que importa tantas fotos tantos fotógrafos se eles
nunca encontraram a pessoa perfeita para comer pão com queijo na                                       montanha
tipo Richard Prince que escolheu o cavalo certo e o cowboy errado


na minha opinião eles foram todos privados de uma vivência                                              maravilhosa
que não passou despercebida por mim e é por isso que te digo tudo                                                 isso.











nota:

#1
essa é a primeira tradução minha que arrisco publicar. existem umas escolhas de contextualização que ainda me sinto meio insegura - o poema original se refere a uma exposição de esculturas e fala de outros artistas, em outra cidade etc. além disso, porque o poema original tem um ritmo de fala, misturei os pronomes ou fiz uso 'errado' deles ("tu se pergunta (...)") e das conjugações, porque é assim que se fala (bom, ao menos em recife a gente fala assim haha). o original tem poucas vírgulas (de novo, a coisa da fala) em elas estão em outros lugares; eu tentei usar vírgulas o menos possível.
#2
para ler o original em inglês
#3
perdi horas lutando com metrificação original e as configurações do blogger, essa foi a solução que encontrei,
forgive me a ignorância de html.

Monday, August 24, 2015

introducing

com alguns dos coautores do projeto que estamos desenvolvendo durante a residência artística em el bruc, sábado passado. aff é muita fofura.


os mano pow, as mina pá

Sunday, August 16, 2015

de "manhã"



adília maravilha
no dia do meu
e do aniversário
de mainha

Saturday, August 15, 2015

"nem pense em jogar essa camiseta fora"

minha mãe fazendo limpeza das coisas que deixei na casa dela e me consultando via skype:



mas minha filha esse trapo já tem 17 anos...



Friday, August 14, 2015

poema inédito na modo de usar & co.

em breve saindo meu segundo livro, até agora chamado de "o martelo", pela douda correria.



um dos poemas foi publicado hoje na modo de usar & co., em postagem do meu amigo e companheiro no vale do rímel borrado, ricardo domeneck.





beijos e boa sexta!

Wednesday, August 12, 2015

Tuesday, August 11, 2015

dr. cornel west

é um vídeo longo, mas vale a pena cada segundo. é tão difícil alguém que tem aceso aos holofotes usar essa chance para aliar num discurso ao mesmo tempo denúncia e enaltecimento da empatia. geralmente só se faz um ou outro.

eu posto esse vídeo hoje desejando que inspire quem o assistir a pensar não somente na sua situação de oprimido - se oprimido for - mas pensar também no outro, pensando de uma outra perscpectiva, daquele "lugar" em que você não sofre.





isso serve para pensar também o que está acontecendo no brasil. como estamos sendo todos manipulados, tentando nos fazer desacreditar no processo democrático, processo esse abalado apenas por um filhinho-de-papai (ou podia apenas dizer "homem cis branco e rico" ou seja, alguém nascido e criado com todos os provilégios - ou seja, alguém que não representa você) que não sabe perder. como podemos nos deixar levar por isso, sem pensar uns nos outros? eu não sei.

esse vídeo foi postado por ricardo domeneck no facebook da modo de usar & co. obrigada, amiga.

Monday, August 10, 2015

Sunday, August 09, 2015

Saturday, August 08, 2015

Friday, August 07, 2015

ricardo domeneck,

meu amigo e bruxo, em trecho de leitura/performance que fez dia desses no berlimbo:


Let me use language to feel feverish. Give me your fever too. Give me your Language, teach me your language again.






como não sei se estou autorizada a postar toda a performance aqui, vou me limitar a postar esse trecho e a repassar os links de onde ele escreve - graças a deus - regularmente:
blog pessoal
coluna na deutsche welle
modo de usar & co. (junto com angélica freitas e marília garcia)

e, sem querer ser groupie mas já sendo, o próximo livro desse tabacudo parece que sai em setembro.

graças a deus.


Wednesday, August 05, 2015

minha vida explicando pro povo

que eu não tenho smart stupid phone:

se quiser miliga



Tuesday, August 04, 2015