Sunday, January 24, 2016

Friday, January 22, 2016

hotel bogota





expo de fred huening
no legendário hotel bogota
em west berlin
onde yva morou
onde nan goldin morou
 até 28 de fevereiro
aqui




Thursday, January 21, 2016

fala, elis.


Elis Regina sendo Elis
"Quando os hómi percebê..."Elis Regina contra a ultracaretização da sociedade brasileira.
Posted by Um Milhão on Saturday, 24 October 2015

Tuesday, January 19, 2016

pensando sobre "minha luta"

diogo guedes, do jornal do commercio de recife, conversou com sidney rocha, wellington de melo, anco márcio e comigo, sobre a reedição do livro de hitler no brasil.

é um texto simples e direto. acho que vocês vão gostar.

aqui para ler "autores, editores e críticos falam sobre a publicação de 'mein kampf', livro de hitler".

Friday, January 15, 2016

Thursday, January 14, 2016

apagamento


"Though I'm past one hundred thousand miles
I'm feeling very still"
David Bowie

"Ver uma paisagem, tal como ela é quando não estou ali..."
Simone Weil






eu tenho falado 
de você há alguns anos
espalho lendas a seu
respeito com o intuito inadequado
de embelezar a minha própria
biografia hoje
quando falei de você
no bar não aconteceu
nada demais seu nome
foi mencionado por mim
como tem sido há sete
anos você que representa
ao mesmo tempo
útero e exílio que
me fez ao mesmo
tempo fugir de casa
e voltar pra casa 
seu nome foi mencionado
nesse dia como foi
em quase todos os outros
a diferença foi que hoje
só havia a linguagem e 
eu já não tinha mais
para onde ir 
enquanto eu dizia
seu nome.

Wednesday, January 13, 2016

Tuesday, January 12, 2016

uma coisa que podemos estar certos é que nunca mais morreremos do mesmo jeito. david bowie reinventou até mesmo o conceito de morrer.


meu deus, tentando há horas entender o que ele fez - inventar uma metodologia para morte que pertence ao morto, e não aos vivos - mas nenhuma tentativa chega perto da genialidade que ele alcançou.

eu era uma ouvinte respeitosa, mas só fui virar grande fã de david bowie hoje de manhã.

parece que só com "a morte do autor" é que foi possível entender a solidão de major tom to its fullest. aquela solidão causada pela ausência de linguagem diante do absoluto, diante da terra - a vida, a morte - irremediavelmente azul.


Monday, January 11, 2016

100 omi

presente pra amiga priscilla, filho único, portfolio feito à mão em 2010 de 100 men.






e o que ela fez com o presente


Saturday, January 09, 2016

sufragistas em documentário da BBC

acho que por causa do lançamento do filme as sufragistas,  o facebook da modo de usar & co. linkou a série de documentários da BBC com o mesmo nome.

o docu é muito bom e eu fiquei muito emocionada várias vezes. mas eu queria sugerir, para quem for mesmo assisti-lo, de fazer o exercício de se lembrar que toda vez que a apresentadora falar "mulher", adicione um "branca" depois. tenho feito esse trabalhinho de auto-crítica para lembrar que o "nosso" feminismo escanteou, por anos demais, as lutas e demandas de mulheres que não se encaixassem no perfil mesmo das suas representantes (ou seja, ignoram a mulher negra, homossexual, pobre etc).

por isso, ainda que o programa seja ótimo e ainda que o trabalho e sacrifícios das feministas inglesas tenham sido de uma importância enorme (para mulheres brancas hetero de classe média do ocidente), é exatamente por isso que ele não é tão universal quanto o documentário tenta dar a entender. atenção nisso! :)

além disso, tomei a liberdade de juntar essas "notas de rodapé", para aprofundar/contextualizar algumas passagens do programa. exatamente pelo docu ser focado no movimento das sufragistas inglesas e discutir costumes ingleses, alguns tópicos no wiki só têm em inglês (ou são tão superficiais em português que decidi linkar direto para esses). tentem usar o tradutor do google - porque mesmo que a tradução seja bem lôca, pelo menos há mais infos do que na página em português.

aqui o documentário:




e essas são as notas da parte um (são três episódios no total):


















scold's bridle





 que era uma das penalizações por common scold








blue stocking society (é muito interessante a parte em que citam esse grupo, para lembrar que toda vez que a luta política de uma mulher tenta ser diminuída, é pelo viés da sua vida privada, da sua sexualidade. já era assim então e é assim até hoje - sabe disso nos dá melhores argumentações contra os macho quando eles vêm chamar a gente das coisas que chamam, especialmente numa discussão sobre feminismo, mas não somente)








The Female Society for the Relief of British Negro Slaves 










té o próximo!



Monday, December 28, 2015

Friday, December 25, 2015

Thursday, December 24, 2015

Wednesday, December 23, 2015

Tuesday, December 22, 2015

canção para uma moça, de anne sexton


pedi pro poeta, capricorniano e querido amigo rafael mantovani para traduzir alguns dos seus poemas preferidos dos love poems, da nossa querida escorpiana anne sexton.

esse é o terceiro e último poema, espero que tenha gostado (muito) haha.



CANÇÃO PARA UMA MOÇA


No dia dos peitos e dos quadris pequenos
a janela salpicada de chuva podre,
chuva insistente feito um padre,
copulamos, com mais juízo e com menos.
Deitamos que nem colheres enquanto a chuva
sinistra caía feito moscas nos nossos lábios febris
e nossos olhos contentes e nossos pequenos quadris.

“O quarto está tão frio com essa chuva”, você disse
e você, você fêmea, com sua flor
rezou novenas para os meus tornozelos, cotovelos.
Você é um produto e uma potência nacional.
Ó meu cisne, rosa querida felpuda, minha serviçal,
até um tabelião autenticaria nosso colchão
enquanto você me amassa e eu cresço que nem pão.




SONG FOR A LADY

On the day of breasts and small hips
the window pocked with bad rain,
rain coming on like a minister,
we coupled, so sane and insane.
We lay like spoons while the sinister
rain dropped like flies on our lips
and our glad eyes and our small hips.
     
"The room is so cold with rain", you said
and you, feminine you, with your fiower
said novenas to my ankles and elbows.
You are a national product and power.
Oh my swan, my drudge, my dear wooly rose,
even a notary would notarize our bed
as you knead me and I rise like bread.

Monday, December 21, 2015

fotos das fotos #2







para o capitão do porto, de frank o'hara




Para o capitão do porto

Eu queria ter certeza que ia chegar até você;
mas apesar de meu barco estar a caminho, ele se enroscou
em alguns nós. Eu estou sempre atando nós
e depois decido ir embora. Em tempestades e
no pôr-do-sol, com as cordas metálicas das marés
cercando meus braços infinitos1, sou incapaz
de entender as feições da minha vaidade
ou sou o vento contrário com meu leme2 polonês
nas mãos, o sol se pondo. Para
você eu ofereço meu casco e o cordame esfarrapado
do meu desejo. Os estreitos terríveis pra onde
o vento me empurra contra os lábios marrons
dos juncos3 não estão todos no passado. Ainda assim
confio na sanidade mental do meu navio; e
se ele afundar, pode ser uma resposta
para a sensatez dessas vozes eternas,
as ondas que me impediram de te alcançar.




To the Harbormaster

I wanted to be sure to reach you;
though my ship was on the way it got caught
in some moorings. I am always tying up
and then deciding to depart. In storms and
at sunset, with the metallic coils of the tide
around my fathomless arms, I am unable
to understand the forms of my vanity
or I am hard alee with my Polish rudder
in my hand and the sun sinking. To
you I offer my hull and the tattered cordage
of my will. The terrible channels where
the wind drives me against the brown lips
of the reeds are not all behind me. Yet
I trust the sanity of my vessel; and
if it sinks, it may well be in answer
to the reasoning of the eternal voices,
the waves which have kept me from reaching you.



1. fathomless pode ser traduzido como impossível, insondável. eu acho que chamar braços de fathomless é um dos jeitos mais lindos de pensar o corpo, e apenas mostra o encantamento eterno de o'hara com esse tema. usei infinito, não é a tradução literal, mas achei bonito, aplicável.

2. li recentemente pequeno artigo sobre esse poema, no qual se diz que o'hara seria o mestre de ver o lado copo-cheio da vida. esse poema é sobre vontades, inspirado num romance impossível - um barco furado, como diríamos em hellcife. assim, acho muito lindo o uso da palavra rudder - que tanto é leme na terminologia náutica, como uma metáfora pra princípios, código de conduta.

3. fiquei noiando com isso: "the brown lips/of the reeds". reeds é junco, aquele mato que dá em rio. e os juncos têm aquela "flor" marrom fálica, que em nada se parecem com lábios. fiquei pensando em o'hara pensando na forma fálica do junco, e ele pensando em como montar a metáfora. é bem provável que eu esteja apenas viajando, e ele estava simplesmente chamando as coisas pelos nomes que elas têm pra ele. mas fico aqui inventando a cena em que ele diz "vou chamar essa parte marrom do junco de lábios". eu teria chamado de "aquela parte do junco que parece um pau".

outra coisa lindíssima é que algumas espécies de junco eram usadas na fabricação de papiro. aí você pensa no poeta pensando nessas coisas todas e não consegue mais dormir, achando que ele é um fado madrinho.


Saturday, December 19, 2015

texto lindo de pio

no icônica, sobre o TCC. ele publicou ontem e ainda vou precisar de uns três dias pra superá-lo. porra, pio.





sr. meu, de anne sexton

pedi pro poeta, capricorniano e querido amigo rafael mantovani para traduzir alguns dos seus poemas preferidos dos love poems, da nossa querida escorpiana anne sexton.

esse é o segundo dos três poemas que rafael traduziu pra gentch.



SR. MEU

Note como ele numerou as veias azuis
no meu peito. Tem dez sardas além disso.
Agora ele vira à esquerda. Agora à direita.
Está construindo uma cidade, uma cidade de carne.
Ele é um industrial. Passou fome em porões
e, senhoras e senhores, foi surrado por ferro,
pelo sangue, o metal, pelo triunfante
ferro da morte da mãe dele. Mas ele recomeça.
Agora me constrói. A cidade o consome.
Da glória das tábuas ele me ergueu.
Do milagre do concreto ele me moldou.
Me deu seiscentas placas de rua.
Da vez em que eu estava dançando ele construiu um museu.
Construiu dez quarteirões quando me virei na cama.
Construiu um viaduto quando eu fui embora.
Dei flores e ele construiu um aeroporto.
Distribuiu como semáforos pirulitos vermelhos e
verdes. Mas no coração sou cuidado crianças brincando.



MR. MINE

Notice how he has numbered the blue veins
in my breast. Moreover there are ten freckles.
Now he goes left. Now he goes right.
He is building a city, a city of flesh.
He's an industrialist. He has starved in cellars
and, ladies and gentlemen, he's been broken by iron,
by the blood, by the metal, by the triumphant
iron of his mother's death. But he begins again.
Now he constructs me. He is consumed by the city.
From the glory of words he has built me up.
From the wonder of concrete he has molded me.
He has given me six hundred street signs.
The time I was dancing he built a museum.
He built ten blocks when I moved on the bed.
He constructed an overpass when I left.
I gave him flowers and he built an airport.
For traffic lights he handed at red and green
lollipops. Yet in my heart I am go children slow.

Friday, December 18, 2015

Thursday, December 17, 2015

os cadernos de adelaide


esse é meu post ana maria braga, apenas queria mostrar minhas habilidades encadernativas. óbrégada pela oportunidade





essa foto foi clarissa que tirou quando
o caderninho chegou na casa dela em
amsterdão (e a foto do casal atrás eu que
fiz no berlimbo)

Wednesday, December 16, 2015

nós, de anne sexton, por rafael mantovani

pedi pro poeta, capricorniano e querido amigo rafael mantovani para traduzir alguns dos seus poemas preferidos dos love poems, da nossa querida escorpiana anne sexton.

a gente começa com "nós", essa coisa lindíssima. um presente de rafael pro nosso deleite, uma tradução calvin klein, simples e certeira. agradeçam!




NÓS

Eu estava embrulhada em peles
pretas e peles brancas e
você desembrulhou e então
me colocou na luz dourada
e então me pôs a coroa,
enquanto nevava lá fora
em dardos diagonais.
Enquanto uma neve de vinte
e cinco centímetros descia como estrelas
em pequenos fragmentos de cálcio,
estávamos nos nossos próprios corpos
(esse quarto que vai nos enterrar)
e você estava no meu corpo
(esse quarto que vai existir depois de nós)
e primeiro sequei os seus
pés com uma toalha
porque eu era sua escrava
e então você me chamou de princesa.
Princesa!

Ah então
me levantei na minha pele dourada
e derrubei os salmos
e derrubei as roupas
e você desatou a brida
e desatou as rédeas
e eu desatei os botões,
os ossos, as confusões,
os cartões-postais de New England,
a noite de janeiro às dez da noite,
e nos erguemos feito trigo,
acres e mais acres de ouro,
e nós colhemos,
colhemos.





US

I was wrapped in black
fur and white fur and
you undid me and then
you placed me in gold light
and then you crowned me,
while snow fell outside
the door in diagonal darts.
While a ten-inch snow
came down like stars
in small calcium fragments,
we were in our own bodies
(that room that will bury us)
and you were in my body
(that room that will outlive us)
and at first I rubbed your
feet dry with a towel
because I was your slave
and then you called me princess.
Princess!

Oh then
I stood up in my gold skin
and I beat down the psalms
and I beat down the clothes
and you undid the bridle
and you undid the reins
and I undid the buttons,
the bones, the confusions,
the New England postcards,
the January ten o'clock night,
and we rose up like wheat,
acre after acre of gold,
and we harvested,
we harvested.

Tuesday, December 15, 2015

sete fotos

dani arrais me pediu para mostrar minhas fotos preferidas pra #galeriadonttouch do blog dela. como já escrevi lá, a lista não é a pequena lista dos melhores trabalhos do mundo, é apenas um lembrete dos trabalhos mais importantes na minha formação. para ver todas, vai lá no don't touch my moleskine.



alessandra sanguinetti



Monday, December 14, 2015

selfie no hospital





será que é alergia ao golpe?
a temer?
a eduardo cunhão?
alckmin?
samarco?
ao vinho desperdiçado na cara de serra?



Sunday, December 13, 2015

peidos volant, bosta manent

já que temer não sabe nem escrever carta nem poesia, vamos dar voz a quem realmente tem algo a dizer hoje, 13 de dezembro. hoje, aniversário do ato institucional número 5. hoje, justamente hoje, acontecem novas passeatas pró-impeachment. não me venham falar de coincidência. mas seja lá o que eles tenham, a gente tem a vida.