16 de agosto de 2019
Sunday, June 28, 2020
Wednesday, June 24, 2020
Saturday, April 11, 2020
mais nordeste, por favor! (e uma lista de movimentos e iniciativas que você pode ajudar em tempos de corona)
MAIS NORDESTE, POR FAVOR! #3 especial covidseusamigosprumalive é um zine que reúne textos lidos por 15 poetas nordestinxs, em leituras transmitidas ao vivo no meu instagram em março de 2020. de uma dessas leituras participou ainda a maravilhosa tassyla queiroga (sousa, paraíba, 1987), lendo um poema da também maravilhosa adrienne rich, que não publicamos aqui porque a adrienne não nasceu e nunca morou no nordeste (infelizmente!). o desejo da nossa live foi chamar a atenção pra campanha de arrecadação do MTST (movimento do trabalhadores sem-teto): vaka.me/947032 e o desejo da zine é, além de espalhar a palavra do nordeste antifa, chamar a atenção pra outras iniciativas solidárias, rolando em pernambuco e no brasil (links no fim desse post).
ELENCO MARAVILHOSO (por ordem escalafobética):
antônio lacarne (fortaleza, ceará, 1983)bell puã (recife, pernambuco, 1983)
cândido rolim (várzea alegre, ceará, 1967)
érica zíngano (fortaleza, ceará, 1980)
kátia borges (salvador, bahia, 1968)
lucy rivka (vive em fortaleza, ceará, nasceu em curitiba em 1986)
mailson furtado (cariré, ceará, 1991)
mika andrade (quixeramobim, ceará, 1990)
nina rizzi (vive em fortaleza, ceará, nasceu em campinas em 1983)
pedro bomba (aracaju, sergipe, 1989)
priscilla campos (recife, pernambuco, 1990)
raísa christina (quixadá, ceará, 1987)
selecionou poema de leandro durazzo (que mora no rio grande do norte)
regina azevedo (natal, rio grande do norte, 2000)
sara síntique (iguatu, ceará, anos 90)
selecionou poema de bárbara costa ribeiro (nascida em macapá, em 1994, vive em fortaleza)
vitória régia (fortaleza, ceará, 1991)
e uma participação especial do grupo de hip-hop maranhense clã nordestino!
UMAS INICIATIVA MASSA QUE VOCÊ PODE AJUDAR
Mãos solidárias é a ação do MST-PE, em parceria com a Frente Brasil Popular de Pernambuco. A acao vem distribuindo refeições, kits de higiene e oferecendo banhos a grupos em situação de vulnerabilidade no Recife. Bora ajudar?
Associação da Juventude Camponesa Nordestina - Terra Livre
Banco do Brasil
AG: 0697-1 (Recife)
CC: 58892-X
CNPJ: 09.423.270/0001-80
o MTST vem distribuindo cestas básicas e material de desinfecção em várias cidades do país. Até o começo de abril, o movimento já tinha fornecido 19 toneladas de alimentos e mais de 200 litros de álquingel, totalizando mais de seis mil pessoas beneficiadas! Pia: vaka.me/947032
Banco do Brasil
AG: 0697-1 (Recife)
CC: 58892-X
CNPJ: 09.423.270/0001-80
o MTST vem distribuindo cestas básicas e material de desinfecção em várias cidades do país. Até o começo de abril, o movimento já tinha fornecido 19 toneladas de alimentos e mais de 200 litros de álquingel, totalizando mais de seis mil pessoas beneficiadas! Pia: vaka.me/947032
a Articulação Recife de Luta ajudou, até agora, mais de 400 famílias, em oito comunidades de Recife. Se liga: vaka.me/956633
o Hospital Oswaldo Cruz, referência em Covid-19 em Pernambuco, também está precisando de seu apoio, com doações em dinheiro ou mantimentos! Saiba mais em @comvidahuoc
a campanha #cadaimpressaoconta, da Comunidade Maker de Pernambuco, vem arrecadando doações pra produção e distribuição de EPIs por todo o estado. Saiba mais: apoia.se/cadaimpressaoconta
o Mutirão do Bem Viver é a campanha da Sociedade do Bem Viver, em resposta à pandemia, para a criação de hortas e cozinhas comunitárias em todo país, além de fazer doações de cestas de alimentos agroecológicos. Cola lá: vaka.me/962531
a campanha #cadaimpressaoconta, da Comunidade Maker de Pernambuco, vem arrecadando doações pra produção e distribuição de EPIs por todo o estado. Saiba mais: apoia.se/cadaimpressaoconta
o Mutirão do Bem Viver é a campanha da Sociedade do Bem Viver, em resposta à pandemia, para a criação de hortas e cozinhas comunitárias em todo país, além de fazer doações de cestas de alimentos agroecológicos. Cola lá: vaka.me/962531
a Livroteca Brincante do Pina, em Recife, abriu campanha de arrecadação de distribuição de alimentos, água e sabão na comunidade do Bode. Se liga: livrotecabrincantedopina.siteo.one
#bolsonaroarrombado
#nembolsonaronemmilitares
#vivamadonna (sempre)
Thursday, March 12, 2020
a única corona que interessa
uma tradução esbaforida que fiz em 2016 de corona, poema-tão-lindo que celan escreveu para ingeborg bachmann, publicado em seu primeiro livro, "mohn und gedächtnis", de 1952.
Corona
O outono devora suas folhas em minhas mãos: somos namorados.
Descascamos o tempo de dentro das nozes e o ensinamos a partir:
O tempo volta pra casca.
No espelho é domingo,
no sonho se dorme,
a boca diz a verdade.
Meu olhar desce pro sexo da amante:
Nos olhamos,
dizemos coisas sombrias,
nos amamos como papoula e memória,
dormimos como vinho nas conchas,
como o brilho sanguíneo da lua no mar.
De pé abraçados à janela, o povo na rua nos vê:
é tempo que saibam!
É tempo da pedra se preparar para florescer,
que a inquietação faça bater um coração.
É tempo de ser tempo.
É tempo.
Corona
Aus der Hand frißt der Herbst mir sein Blatt: wir sind Freunde.
Wir schälen die Zeit aus den Nüssen und lehren sie gehn:
die Zeit kehrt zurück in die Schale.
Im Spiegel ist Sonntag,
im Traum wird geschlafen,
der Mund redet wahr.
Mein Aug steigt hinab zum Geschlecht der Geliebten:
wir sehen uns an,
wir sagen uns Dunkles,
wir lieben einander wie Mohn und Gedächtnis,
wir schlafen wie Wein in den Muscheln,
wie das Meer im Blutstrahl des Mondes.
Wir stehen umschlungen im Fenster, sie sehen uns zu von der
Straße:
es ist Zeit, daß man weiß!
Es ist Zeit, daß der Stein sich zu blühen bequemt,
daß der Unrast ein Herz schlägt.
Es ist Zeit, daß es Zeit wird.
Es ist Zeit.
Wednesday, October 23, 2019
mnpf! #2 especial siará
mais nordeste, por favor! #2 especial SIARÁ foi editado por adelaide ivánova e antônio lacarne, entre agosto e outubro de 2019, durante as queimadas na floresta amazônica e o vazamento de óleo nas praias do nordeste – que já se tornou o maior desastre ambiental da costa brasileira. ambos são culpa do governo criminoso de jair bolsonaro, e do capitalismo global extrativista, do qual bolsonaro é
a arte da página 11 é uma releitura carinhosa da ilustração
“o grande rio”, do artista leonilson (ceará, fortaleza, 1957-1993).
o rio jaguaribe é bem grande, corta o ceará todinho,
o rio jaguaribe é bem grande, corta o ceará todinho,
mas dá uma passadinha em exu,
a cidade onde luiz gonzaga, o maior poeta de todos,
nasceu.
para essa edição, prescindimos, no último minuto, de editorial, que substituímos pela fala de vandécio, trabalhador pernambucano, publicada no dia 20 de outubro pela plataforma SALVE MARACAÍPE. acreditamos que a fala de vandécio resume todo o absurdo da situação, e expoe a necessidade do acirramento da luta de classes e do nosso engajamento na construção do ecossocialismo.
quando se fala em genocídio da juventude negra, é importante apontar que a maioria percentual dos jovens negros vítima da necropolítica brasileiras está no nordeste ("os cinco estados com maiores taxas de homicídios de negros estao localizados no nordeste"). isso, somado aos vazamentos e à negligência do poder público e da opinião pública em relação ao óleo, são um caso escancarado de racismo ambiental ("o que é racismo ambiental?").
enquanto isso, os partidos de esquerda (inclusive o psol, ao qual sou filiada) têm feito muito pouco para além de bradar nas redes sociais que bolsonaro é criminoso e que o ministro é incompetente (e protocolar uma e outra coisa, aqui e ali, a portas fechadas, sem ou com pouca participação dos REAIS atores sociais dessa tragédia: os/as profissionais da pesca).
mas é preciso MUITO mais do que isso. os partidos, que têm recursos materiais para mobilizar e organizar, precisam estar na linha de frente, organizando a militância para ir aos locais e ajudar os afetados na limpeza das praias, coletar e entregar doacoes, convocar um protesto interestadual. pressionar o ministro e solicitar ajuda da marinha é importante. mas o mais importante é incomodar e sacudir os centros do capitalismo - isso só se faz com maioria organizada e mobilização.
quando começamos, em 2018, a organizar a primeira greve feminista alemã desde 1994, para o ano de 2019, os partidos alemães bradavam que a gente não podia fazer isso, porque uma greve política é ilegal na alemanha. e daí? se as mulheres nos hospitais públicos já estavam se auto-organizando e convocando a greve? o resultado é que, mesmo com o apoio malamanhado dos partidos, milhares de mulheres aderiram à greve como podiam, e foram aos protestos.
relatamos esse exemplo porque alguns representantes dos partidos têm tomado posição semelhante, no que diz respeito aos vazamentos. não é aceitável que eles digam "aim mas é o governo federal quem tem recursos para parar os vazamentos". baby, as pessoas já estão nas praias se queimando de óleo. a diferença é se os partidos se juntam, ou se ausentam. e a segunda opção não deve ser aceitável.
diante disso, estamos cientes de que não devemos romantizar a mobilização dos civis que estão limpando óleo com as próprias mãos - até porque, passada a comoção inicial, os estudantes universitários, ativistas e ambientalistas de ocasião voltarão pras suas casas na capital e quem vai ficar por conta própria são os/as trabalhadores da orla e os/as profissionais da pesca - pescadores e coletadores - com seu modo de sustento ameaçado e talvez até totalmente destruído.
PORÉM.
a narrativa hegemônica da história do "brasil" (o pós-invasão portuguesa), dominada pelo sudestinismo esbranquiçado, baba-ovo de europeu, tende a apagar completamente nordestinas e nordestinos enquanto sujeitos revolucionários. o homem coletivo sente a necessidade de lutar, lembram? esse zine é um pouco sobre isso. para ler o editorial da primeira edição, na qual essa questão é mais aprofundada, clique aqui.
o mais nordeste, por favor! #2 especial siará é gratuito, mas incentivamos os leitores e as leitoras (que tenham um $inho sobrando) a fazerem doacoes para a campanha de financiamento coletivo de limpeza das praias no nordeste.
quando se fala em genocídio da juventude negra, é importante apontar que a maioria percentual dos jovens negros vítima da necropolítica brasileiras está no nordeste ("os cinco estados com maiores taxas de homicídios de negros estao localizados no nordeste"). isso, somado aos vazamentos e à negligência do poder público e da opinião pública em relação ao óleo, são um caso escancarado de racismo ambiental ("o que é racismo ambiental?").
enquanto isso, os partidos de esquerda (inclusive o psol, ao qual sou filiada) têm feito muito pouco para além de bradar nas redes sociais que bolsonaro é criminoso e que o ministro é incompetente (e protocolar uma e outra coisa, aqui e ali, a portas fechadas, sem ou com pouca participação dos REAIS atores sociais dessa tragédia: os/as profissionais da pesca).
mas é preciso MUITO mais do que isso. os partidos, que têm recursos materiais para mobilizar e organizar, precisam estar na linha de frente, organizando a militância para ir aos locais e ajudar os afetados na limpeza das praias, coletar e entregar doacoes, convocar um protesto interestadual. pressionar o ministro e solicitar ajuda da marinha é importante. mas o mais importante é incomodar e sacudir os centros do capitalismo - isso só se faz com maioria organizada e mobilização.
quando começamos, em 2018, a organizar a primeira greve feminista alemã desde 1994, para o ano de 2019, os partidos alemães bradavam que a gente não podia fazer isso, porque uma greve política é ilegal na alemanha. e daí? se as mulheres nos hospitais públicos já estavam se auto-organizando e convocando a greve? o resultado é que, mesmo com o apoio malamanhado dos partidos, milhares de mulheres aderiram à greve como podiam, e foram aos protestos.
relatamos esse exemplo porque alguns representantes dos partidos têm tomado posição semelhante, no que diz respeito aos vazamentos. não é aceitável que eles digam "aim mas é o governo federal quem tem recursos para parar os vazamentos". baby, as pessoas já estão nas praias se queimando de óleo. a diferença é se os partidos se juntam, ou se ausentam. e a segunda opção não deve ser aceitável.
diante disso, estamos cientes de que não devemos romantizar a mobilização dos civis que estão limpando óleo com as próprias mãos - até porque, passada a comoção inicial, os estudantes universitários, ativistas e ambientalistas de ocasião voltarão pras suas casas na capital e quem vai ficar por conta própria são os/as trabalhadores da orla e os/as profissionais da pesca - pescadores e coletadores - com seu modo de sustento ameaçado e talvez até totalmente destruído.
PORÉM.
a narrativa hegemônica da história do "brasil" (o pós-invasão portuguesa), dominada pelo sudestinismo esbranquiçado, baba-ovo de europeu, tende a apagar completamente nordestinas e nordestinos enquanto sujeitos revolucionários. o homem coletivo sente a necessidade de lutar, lembram? esse zine é um pouco sobre isso. para ler o editorial da primeira edição, na qual essa questão é mais aprofundada, clique aqui.
o mais nordeste, por favor! #2 especial siará é gratuito, mas incentivamos os leitores e as leitoras (que tenham um $inho sobrando) a fazerem doacoes para a campanha de financiamento coletivo de limpeza das praias no nordeste.
a capa consiste de uma lista com algumas das mais de 200 praias nordestinas afetadas.
você pode baixar seu exemplar em dois formatos:
para imprimir em casa
ATENÇÃO na hora de imprimir:
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biografias (por ordem de aparição)
VANDÉCIO SEBASTIÃO DE SANTANA - pernambuco, cabo de santo agostinho, 1983
É um trabalhador. Vive de bicos ligados ao mar e ao turismo ecológico há seis anos, quando ficou desempregado após trabalhar como operador de emergência de vazamento de óleo em uma empresa de análise de qualidade de água. Leia mais sobre Vandécio aqui.
JULIANA FARIAS DE SOUZA – ceará, sobral, 1998.
É poeta, estudante de Letras e publica seus poemas no facebook.
FELIPE ANDRÉ SILVA – pernambuco, recife, 1991
É poeta e cineasta. Lançou as plaquetes 'o escritor antônio xerxenesky' e 'o aniversário de billie eilish'. Quer ser editado.
FELIPE SARAIVA – ceará, fortaleza, 1993
É escorpiano e tutor de três gatos. Também graduado em Comunicação Social, dispõe as brechas de seu tempo entre a literatura e a fotografia. Atualmente, publica – ou tenta publicar – crônicas semanais na plataforma Medium e vem planejando um livro de poesia.
PATATIVA DO ASSARÉ – ceará, assaré, 1909–2002
Poeta popular, compositor, cantor e improvisador. Ingressou na escola aos 12 anos, quando começou a escrever poesia. Aos 16, ganhou uma viola da mãe e deu início à criação de repentes. Um de seus poemas mais conhecidos, “A triste partida”, foi cantado por Luiz Gonzaga.
MIKA ANDRADE – ceará, quixeramobim, 1990
É poeta e contista. publicou: 'alguns versos pervertidos e outros indecorosos', 'descompasso' e 'poemas obsessivos'. participou da 'antologia de contos – literatura br', da 'coletânea de contos do sesc vol. iv e em 2019 organizou a antologia erótica de poetas cearenses, O olho de Lilith.
TASSYLA QUEIROGA – paraíba, sousa, 1987
Poeta nascida no sertão. Viajante inquieta. Dividida entre Literatura e Direito, com poemas publicados nas Revistas Garupa, Gueto, Diversos Afins e Ruído Manifesto. O primeiro livro de poemas será lançado em outubro pela Edições Macondo.
ANA MONTENEGRO – ceará, quixeramobim, 1915–2006
Jornalista, poeta, feminista, militante comunista pelo PCB. Foi a primeira mulher exilada da ditadura, passando pelo México, Cuba e Berlim. Publicou livros como: “Mulheres – participação nas lutas populares”, “Uma história de lutas”, “Ser ou não ser feminista”, “Tempos de exílio”.
RAISA CHRISTINA – ceará, quixadá, 1987
É artista visual, escritora e educadora, mestra em Artes pelo ICA-UFC, com pesquisa "Olhares suspensos: Desenho partilhado com jovens skatistas e seus percursos errantes em Fortaleza". Em 2019, é a autora convidada do projeto Arte da Palavra - Rede SESC de Leituras. Esse é seu site.
ISABEL BARROS – ceará, quixeramobim, 1954
É poeta e artesã. Ainda criança, foi levada da sua casa para trabalhar como empregada doméstica numa casa de família, situação análoga à escravidão, pois nunca recebeu salário. Aos 50 anos, passou a frequentar a escola mais próxima, onde se alfabetizou e começou a escrever poemas.
obs: dona Isabel nos mandou seus poemas por áudios de whatsapp (clique aqui para ouvi-los). Agradecemos a Ivna Girão e ao Coletivo Nigéria, por nos ajudar a achar e entrar em contato com a poeta.
ÉRICA ZÍNGANO – ceará, fortaleza, 1980
É poeta. Seu último livro é o livro coletivo eine Sache für eine andere, com participacao de diversos autores. Em 2018, ganhou o prêmio/bolsa de trabalho “literatura de língua não-alemã” do Estado de Berlim. Depois de quase oito anos morando fora do Brasil, em 2019 decidiu voltar.
DEAN OLIVER – ceará, maracanaú, 1994
Formado em Filosofia (UFC) e escreve poemas. Já foi professor e agora trabalha como barista. Louco por arte nas suas mais variadas formas e eternamente acompanhado de um auto sabotador imbatível.
KARINE ALEXANDRINO – ceará, fortaleza, 1974
É cantora, compositora, performer e poeta. Lançou os álbuns “Solteira Producta” (2002), “Querem acabar comigo Roberto” (2004) e “Mulher Tombada” (2015). Em 2019 completa 25 anos de carreira na música.
VITÓRIA RÉGIA – ceará, fortaleza, 1991
É professora de língua portuguesa, tradutora e escritora. Publicou os livros de poemas Partida de não dizeres (Editora Substânsia, 2015) e Náutico (Editora Patuá, 2018). O poema que usamos no zine apareceu antes na revista Literatura.br.
LEVI MOTA MUNIZ/DEBBIE BANIDA DEBANDADA – ceará, fortaleza, 1996
É artista não-binário/travesti. Realiza investigações artísticas em diversas áreas e é mestrando em Arte da UFC, onde se graduou em Teatro-Licenciatura. Na escrita, estuda as relações entre auto-ficção e escrita performativa, se debruçando, sobretudo, nos temas de gênero, violência e ecologia.
CANDIDO ROLIM – ceará, várzea alegre, 1965
É poeta, crítico, fotógrafo e músico amador. Alguns livros publicados: Arauto, Exemplos alados, Pedra habitada, Fragma, Camisa qual, Orumuro & Remerzbau (em parceria com Ronald Augusto e Ricardo Pedrosa Alves) e o mais recente, Sutur, saiu em 2018, pela editora Território.
NARA SOUSA – ceará, caucaia, 1994
É poeta.
MAILSON FURTADO – ceará, cariré, 1991
É escritor, ator, diretor, dramaturgo, produtor cultural e cirurgião-dentista. Seu livro “À cidade” foi vencedor nas categorias de livro do ano e poesia no Prêmio Jabuti 2018. Em Varjota, lidera a companhia teatral Criando Arte.
PAULO AUGUSTO – rio grande do norte, pau dos ferros, 1950
É poeta, estudante de Letras e publica seus poemas no facebook.
FELIPE ANDRÉ SILVA – pernambuco, recife, 1991
É poeta e cineasta. Lançou as plaquetes 'o escritor antônio xerxenesky' e 'o aniversário de billie eilish'. Quer ser editado.
FELIPE SARAIVA – ceará, fortaleza, 1993
É escorpiano e tutor de três gatos. Também graduado em Comunicação Social, dispõe as brechas de seu tempo entre a literatura e a fotografia. Atualmente, publica – ou tenta publicar – crônicas semanais na plataforma Medium e vem planejando um livro de poesia.
PATATIVA DO ASSARÉ – ceará, assaré, 1909–2002
Poeta popular, compositor, cantor e improvisador. Ingressou na escola aos 12 anos, quando começou a escrever poesia. Aos 16, ganhou uma viola da mãe e deu início à criação de repentes. Um de seus poemas mais conhecidos, “A triste partida”, foi cantado por Luiz Gonzaga.
MIKA ANDRADE – ceará, quixeramobim, 1990
É poeta e contista. publicou: 'alguns versos pervertidos e outros indecorosos', 'descompasso' e 'poemas obsessivos'. participou da 'antologia de contos – literatura br', da 'coletânea de contos do sesc vol. iv e em 2019 organizou a antologia erótica de poetas cearenses, O olho de Lilith.
TASSYLA QUEIROGA – paraíba, sousa, 1987
Poeta nascida no sertão. Viajante inquieta. Dividida entre Literatura e Direito, com poemas publicados nas Revistas Garupa, Gueto, Diversos Afins e Ruído Manifesto. O primeiro livro de poemas será lançado em outubro pela Edições Macondo.
ANA MONTENEGRO – ceará, quixeramobim, 1915–2006
Jornalista, poeta, feminista, militante comunista pelo PCB. Foi a primeira mulher exilada da ditadura, passando pelo México, Cuba e Berlim. Publicou livros como: “Mulheres – participação nas lutas populares”, “Uma história de lutas”, “Ser ou não ser feminista”, “Tempos de exílio”.
RAISA CHRISTINA – ceará, quixadá, 1987
É artista visual, escritora e educadora, mestra em Artes pelo ICA-UFC, com pesquisa "Olhares suspensos: Desenho partilhado com jovens skatistas e seus percursos errantes em Fortaleza". Em 2019, é a autora convidada do projeto Arte da Palavra - Rede SESC de Leituras. Esse é seu site.
ISABEL BARROS – ceará, quixeramobim, 1954
É poeta e artesã. Ainda criança, foi levada da sua casa para trabalhar como empregada doméstica numa casa de família, situação análoga à escravidão, pois nunca recebeu salário. Aos 50 anos, passou a frequentar a escola mais próxima, onde se alfabetizou e começou a escrever poemas.
obs: dona Isabel nos mandou seus poemas por áudios de whatsapp (clique aqui para ouvi-los). Agradecemos a Ivna Girão e ao Coletivo Nigéria, por nos ajudar a achar e entrar em contato com a poeta.
ÉRICA ZÍNGANO – ceará, fortaleza, 1980
É poeta. Seu último livro é o livro coletivo eine Sache für eine andere, com participacao de diversos autores. Em 2018, ganhou o prêmio/bolsa de trabalho “literatura de língua não-alemã” do Estado de Berlim. Depois de quase oito anos morando fora do Brasil, em 2019 decidiu voltar.
DEAN OLIVER – ceará, maracanaú, 1994
Formado em Filosofia (UFC) e escreve poemas. Já foi professor e agora trabalha como barista. Louco por arte nas suas mais variadas formas e eternamente acompanhado de um auto sabotador imbatível.
KARINE ALEXANDRINO – ceará, fortaleza, 1974
É cantora, compositora, performer e poeta. Lançou os álbuns “Solteira Producta” (2002), “Querem acabar comigo Roberto” (2004) e “Mulher Tombada” (2015). Em 2019 completa 25 anos de carreira na música.
VITÓRIA RÉGIA – ceará, fortaleza, 1991
É professora de língua portuguesa, tradutora e escritora. Publicou os livros de poemas Partida de não dizeres (Editora Substânsia, 2015) e Náutico (Editora Patuá, 2018). O poema que usamos no zine apareceu antes na revista Literatura.br.
LEVI MOTA MUNIZ/DEBBIE BANIDA DEBANDADA – ceará, fortaleza, 1996
É artista não-binário/travesti. Realiza investigações artísticas em diversas áreas e é mestrando em Arte da UFC, onde se graduou em Teatro-Licenciatura. Na escrita, estuda as relações entre auto-ficção e escrita performativa, se debruçando, sobretudo, nos temas de gênero, violência e ecologia.
CANDIDO ROLIM – ceará, várzea alegre, 1965
É poeta, crítico, fotógrafo e músico amador. Alguns livros publicados: Arauto, Exemplos alados, Pedra habitada, Fragma, Camisa qual, Orumuro & Remerzbau (em parceria com Ronald Augusto e Ricardo Pedrosa Alves) e o mais recente, Sutur, saiu em 2018, pela editora Território.
NARA SOUSA – ceará, caucaia, 1994
É poeta.
MAILSON FURTADO – ceará, cariré, 1991
É escritor, ator, diretor, dramaturgo, produtor cultural e cirurgião-dentista. Seu livro “À cidade” foi vencedor nas categorias de livro do ano e poesia no Prêmio Jabuti 2018. Em Varjota, lidera a companhia teatral Criando Arte.
PAULO AUGUSTO – rio grande do norte, pau dos ferros, 1950
É poeta e jornalista, autor de apenas um livro de poemas, Falo (1976) e Estilhaços de Um País-Geni (1995), crônicas e ensaios. O poema que utilizamos na zine apareceu antes na revista Modo de Usar & Co.
dos editores:
antônio lacarne é professor da rede pública cearense e escritor. publicou “Salão Chinês” (2014), “Todos os poemas são loucos” (2017) e “Exercícios de fixação” (2018).
adelaide ivánova é jornalista e ativista política. filiada e militante do psol e do die linke. ganha a vida como baby-sitter, garçonete, vendedora, seguranca de teatro, modelo-vivo e outros trabalhos precarizados. em 2018, seu livro "o martelo" ganhou o prêmio rio de literatura.
dos editores:
antônio lacarne é professor da rede pública cearense e escritor. publicou “Salão Chinês” (2014), “Todos os poemas são loucos” (2017) e “Exercícios de fixação” (2018).
adelaide ivánova é jornalista e ativista política. filiada e militante do psol e do die linke. ganha a vida como baby-sitter, garçonete, vendedora, seguranca de teatro, modelo-vivo e outros trabalhos precarizados. em 2018, seu livro "o martelo" ganhou o prêmio rio de literatura.
Tuesday, October 22, 2019
EU TAMBÉM QUERO FAZER OCEANOGRAFIA (e aí?)
fala de Vandécio Sebastião de Santana
publicada no instagram da plataforma salve maracaipe
O óleo estava ali.
Estava entrando no mar
E daqui a três meses?
E daqui a seis dias?
O marisco vai estar poluído, é?
A gente vai morrer por causa do marisco, é?
A gente vai morrer por causa do peixe é? Que está poluído?
A gente podendo conter o óleo agora ali.
Qual foi a de vocês?
Qual foi a de vocês?
Qual é?
Eu também quero fazer oceanografia, pô.
Tenho uma dificuldade do caralho.
Já morei em Recife.
Pra estudar.
E não consegui terminar.
E aí?
Sou nascido e criado aqui, na praia.
Qual foi a de vocês?
O que é que vocês querem?
Quer comer peixe poluído, é?
Quer comer marisco poluído, é?
Quer comer ostra poluída, é?
Eu já tirei quase duas toneladas dum cacho de ostra, do manguezal.
E aí?
Vai ficar assim, olhando, é?
A gente treinou isso lá em Abrolhos, em 2012.
Com helicóptero.
Com navio-prancha.
Com navio de contenção.
Com barreira de contenção de mais de dois metros.
As barreiras têm que ser off-shore.
Porque esse óleo está vindo off-shore.
Esse óleo não está vindo de Porto, não.
Tem que fazer essa contenção lá no off-shore.
Tem que fazer essa contenção lá no off-shore.
Lá em Muro Alto.
Lá em Maracaípe, tem que fazer essa contenção.
E vocês aí.
Achando que esse trabalho de areia está sendo suficiente.
Não está, não, minha gente.
Esse trabalho é o último.
Desde cedo que eu continuo a dizer.
Esse trabalho de areia é o último.
O último trabalho.
O trabalho primeiro é lá, no off-shore.
É lá, off-shore.
Meu nome é Del, Vandécio Sebastião de Santana.
Sou nascido e criado aqui.
Já trabalhei em hotel, nem hotel tem mais.
As quadras de tênis estão ali, abandonadas.
Na praia de Suape.
Entendeu?
Vocês têm que agir agora.
Quem é do órgão ambiental,
Quem é da prefeitura:
Tem que agir agora.
A gente tem várias empresas, pô.
Lá em Abrolhos a gente contratou as marisqueiras, contratou os barcos,
os pescadores:
Todo mundo recebeu.
Todo mundo trabalhou bonito, no simulado.
E agora está acontecendo na hora real.
Está acontecendo real.
Agora.
Eu não estou falando palavrão.
Eu não estou falando esculhambado.
Eu não estou xingando ninguém, não.
Eu estou querendo que todo mundo ajude a natureza, minha gente.
Ajuda a natureza.
Daqui a um ano vocês estão lá em Miami comendo peixe do Brasil.
E o peixe vai estar poluído.
Sunday, July 21, 2019
mais nordeste, por favor! (edição #1 e chamada pra edição #2)
em maio de 2019, dei um workshop sobre poesia, movimentos sociais e revolução no nordeste brasilayro, no congresso de estudos latinoamericanos na universidade de colônia. como material didático usei, entre outras coisas, o grande zine MAIS NORDESTE, POR FAVOR!, nova publicação da bola.gato edições. em julho de 2019, esse zine fica um pouco mais relevante, considerando que o "presidente" da república não sabe que paraíba é um (grande) estado, e que o nordeste é uma região do brasil, com 9 estados e 56 milhões de habitantes. somos a segunda maior população do brasil, com o menos IDH do país. mas isso vai mudar.
mnpf! #1 tem poemas de
Bell Puã – Pernambuco, 1993
Carlos Marighella – Bahia, 1911-1969
Chico Science – Pernambuco, 1966-1997
Cícero de Souza – Pernambuco (?)
Etelvina Amália de Siqueira – Sergipe, 1872-1935
Luis Gomes – Alagoas, 2000
Luiza Amélia de Queiroz – Piauí, 1838-1898
Luiza Cantanhede – Maranhão (?)
Nazaré Flor – Ceará, 1952-2007
Mestre Galdino – Pernambuco, 1929-1996
Regina Azevedo – Rio Grande Do Norte, 2000
Vitória Lima – Paraíba, 1946
mais dois poemas de autoria coletiva, que fazem parte dos repertórios dos encontros do MIQCB (Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu), criado em 1995, e do MMTR-Ne (Movimento Da Mulher Trabalhadora Rural Do Nordeste), criado em 1984.
trecho do editorial:
"o Nordeste brasileiro sempre produziu uma análise de mundo própria para sua realidade, que é até hoje relegada às margens da academia, como se fosse subalterna. além disso, o posicionamento político do sujeito Nordestino, historicamente ligado a auto-organização e a levantes populares, é insistentemente ligado, hoje em dia, a um mito de antirracionalidade. no seu texto 'razão não depende da geografia', a jornalista e socióloga pernambucana fabiana morais vai dizer que 'no imaginário nacional, o Nordeste segue como a terra que vota com o estômago'".
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(para imprimir certinho, na ordem bonitinha:
selecionar opção para imprimir em frente verso,
e para girar no canto mais curto da página)
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ATENÇÃO PARA A CHAMADA PARA EDIÇÃO #2
linha editorial: poemas de pessoas nascidas no país nordeste. tema livre.
deadline: 16 de agosto (dia do aniversário de madonna)
email pra envio: bolagato.edicoes@gmail.com
especificações: mandar todo o material num único doc., nomeado com seu nome artístico. textos enviados no corpo do email não serão considerados.
material: até cinco poemas (A4 em times new roman 12, espaçamento simples) mais uma biografia curta (de até 5 linhas).
Monday, May 06, 2019
arte pros 99 por cento
. essa é uma tradução de adelaide ivánova pro artigo "art for the 99 percent", de luke savage, publicado em maio de 2019 na revista jacobin. link pro texto original: https://jacobinmag.com/2019/05/wealth-art-creativity-resources-redistribution
ARTE PROS 99 POR CENTO
Jovens ricos têm muito mais propensão a virarem artistas. E esse é o motivo pelo qual o capitalismo não dá a todos nós a liberdade de atingir nosso potencial criativo
Se sua família tem dinheiro, você tem mais chances de virar artista. Uau que surpresa.
Isso é o que mostra um estudo publicado em fevereiro de 2019 pelo professor Karol Jan Borowiecki, da Univesidade do Sul da Dinamarca. Ao examinar os dados dos sensos dos EUA, desde 1850, a pesquisa de Borowiecki identifica e documenta várias tendências -- demográficas, geográficas e sócio-econômicas -- no desenvolvimento das profissões criativas.
As conclusões do estudo não são particularmente impressionantes, mas ainda assim são dados interessantes, dada a meticulosidade dos detalhes envolvidos em qualificá-las. Nas palavras de Borowiecki:
A proporção de criadores mulheres é relativamente alta, falta de tempo pode ser um obstáculo para realização de uma ocupação criativa, desigualdade racial é real e muda muito lentamente, e educação tem um papel significativo para se assumir uma ocupação criativa.
Talvez a coisa mais importante do estudo é descobrir que, juntamente com [acesso à] educação, a riqueza da família de uma pessoa tem um grande papel na hora de determinar a possibilidade de alguém se tornar artista ou criador profissional. A quantificação desse pensamento expoe a extensão alarmante com a qual riqueza determina a profissão de uma pessoa.
De fato, as descobertas de Borowiecki sugerem que ter US$ 10 mil de renda familiar total torna uma pessoa cerca de 2% mais propensa a buscar uma ocupação criativa -- o que significa dizer que uma pessoa que vem de uma família que vale US$ 1 milhao tem vinte vezes mais chances de se tornar um artista do que aquele cuja família vale US$ 100 mil. (Isso não significa, óbvio, que a maioria dos artistas sejam pessoas ricas -- o estudo também mostra que as rendas dos trabalhadores de arte tendem a ser mais baixos que a média).
A pesquisa de Borowiecki pode ser usada pra simplesmente confirmar uma já existente e entediante caricatura do artista como um ser privilegiado, educado e vindo de antecedentes abastados, que curte uma vida mansa. Lida dessa forma, a pesquisa pode reforçar um antiquado ressentimento de classe. Afinal de contas, faz tempo que membros da burguesia adotaram as artes -- tanto como distração divertida pras suas vidas aconchegantes, quanto como um jeito de consumir amostradamente.
Mas há ainda, para nós, uma forma menos invejosa e potencialmente mais construtiva de interpretar [os dados]. Se a atividade criativa está relacionada à educação, segurança econômica e direito a ter tempo livre; e se essas coisas tendem a se corresponder com riqueza, então o problema não é nada dessas coisas em si, mas sim sua má-distribuição. Vista dessa forma, a descoberta de Borowiecki pode simplesmente complementar o argumento pró-socialismo democrático -- que, acima de tudo, quer oferecer tempo livre, educação, bem-estar material para todos, não somente para uns poucos privilegiados, como é nos tempos atuais.
Se ter tempo, boa educação e segurança econômica aumentam a chance de as pessoas seguirem seus impulsos criativos, essa é mais uma razão pelos quais estes devam ser tratados como direitos aos quais todos devem ter acesso. Liberdade real, afinal de contas, significa a habilidade de usar seu tempo como lhe der na telha -- pra escrever, pra pensar, pra pintar, pra fazer uma escultura ou pra não fazer nada em particular -- e, no capitalismo, os ricos parece term muito mais liberdade que o resto de nós. Mas não tem que ser assim.
cartaz de "on the road" filme de walter moreira salles, "o cineasta mais rico do mundo" e que, junto com seu irmãos, possui um patrimônio estimado em 62 bilhões de reais, vindo de investimentos em bancos e monopólio no setor de metalurgia e mineração. walter salles também é um dos donos do instituto moreira salles (RISOS).
ARTE PROS 99 POR CENTO
Jovens ricos têm muito mais propensão a virarem artistas. E esse é o motivo pelo qual o capitalismo não dá a todos nós a liberdade de atingir nosso potencial criativo
Se sua família tem dinheiro, você tem mais chances de virar artista. Uau que surpresa.
Isso é o que mostra um estudo publicado em fevereiro de 2019 pelo professor Karol Jan Borowiecki, da Univesidade do Sul da Dinamarca. Ao examinar os dados dos sensos dos EUA, desde 1850, a pesquisa de Borowiecki identifica e documenta várias tendências -- demográficas, geográficas e sócio-econômicas -- no desenvolvimento das profissões criativas.
As conclusões do estudo não são particularmente impressionantes, mas ainda assim são dados interessantes, dada a meticulosidade dos detalhes envolvidos em qualificá-las. Nas palavras de Borowiecki:
A proporção de criadores mulheres é relativamente alta, falta de tempo pode ser um obstáculo para realização de uma ocupação criativa, desigualdade racial é real e muda muito lentamente, e educação tem um papel significativo para se assumir uma ocupação criativa.
Talvez a coisa mais importante do estudo é descobrir que, juntamente com [acesso à] educação, a riqueza da família de uma pessoa tem um grande papel na hora de determinar a possibilidade de alguém se tornar artista ou criador profissional. A quantificação desse pensamento expoe a extensão alarmante com a qual riqueza determina a profissão de uma pessoa.
De fato, as descobertas de Borowiecki sugerem que ter US$ 10 mil de renda familiar total torna uma pessoa cerca de 2% mais propensa a buscar uma ocupação criativa -- o que significa dizer que uma pessoa que vem de uma família que vale US$ 1 milhao tem vinte vezes mais chances de se tornar um artista do que aquele cuja família vale US$ 100 mil. (Isso não significa, óbvio, que a maioria dos artistas sejam pessoas ricas -- o estudo também mostra que as rendas dos trabalhadores de arte tendem a ser mais baixos que a média).
A pesquisa de Borowiecki pode ser usada pra simplesmente confirmar uma já existente e entediante caricatura do artista como um ser privilegiado, educado e vindo de antecedentes abastados, que curte uma vida mansa. Lida dessa forma, a pesquisa pode reforçar um antiquado ressentimento de classe. Afinal de contas, faz tempo que membros da burguesia adotaram as artes -- tanto como distração divertida pras suas vidas aconchegantes, quanto como um jeito de consumir amostradamente.
Mas há ainda, para nós, uma forma menos invejosa e potencialmente mais construtiva de interpretar [os dados]. Se a atividade criativa está relacionada à educação, segurança econômica e direito a ter tempo livre; e se essas coisas tendem a se corresponder com riqueza, então o problema não é nada dessas coisas em si, mas sim sua má-distribuição. Vista dessa forma, a descoberta de Borowiecki pode simplesmente complementar o argumento pró-socialismo democrático -- que, acima de tudo, quer oferecer tempo livre, educação, bem-estar material para todos, não somente para uns poucos privilegiados, como é nos tempos atuais.
Se ter tempo, boa educação e segurança econômica aumentam a chance de as pessoas seguirem seus impulsos criativos, essa é mais uma razão pelos quais estes devam ser tratados como direitos aos quais todos devem ter acesso. Liberdade real, afinal de contas, significa a habilidade de usar seu tempo como lhe der na telha -- pra escrever, pra pensar, pra pintar, pra fazer uma escultura ou pra não fazer nada em particular -- e, no capitalismo, os ricos parece term muito mais liberdade que o resto de nós. Mas não tem que ser assim.
Friday, December 28, 2018
o gosto dos homens por máquinas
agora que o desemprego ao mermo tempo aprisiona
e liberta para ajeitar os livros
por cor por tema por ordem alfabética
sei lá o que nos der na telha
vamos falar do que importa
da vida desperdiçada em presentes equivocados
o gosto dos homens por máquinas
coisas que ninguém precisa
ocupa espaço precisa lavar
a vida desperdiçada de poetas constantes
escrevendo pra ninguém ler
padeiros
entregadores de jornal
motoristas
nosso amor pelos amigos
essa angústia pela fome que não sentimos
o medo da pobreza latinoamericana
sempre nos nossos calcanhares
os anos que passamos com nossos queixos
finalmente sobre a água
agora já não se sabe
aqui estamos
jornalistas
poetas
zeladores
costureiros
condomínio é um dinheiro bonito
se for passado aos funcionários
aos varredores
aos porteiros
mas às vezes os síndicos não pagam
os salários
e queixos de varredores porteiros zeladores
sentem a água bater
se respirar pelo nariz a gente
aguenta até janeiro
aí vem outro mês e só deus sabe
a pobreza latinoamericana
que é de mosca no rosto
e cheiro de terra batida
e cheiro de vaca
e cheiro de mastruz
e tudo isso junto era o cheiro de vovô
de gravatá do jaburu
do agreste
meu pernambuco acabado
jogado às traças
o chão o coração partidos
a gente nada cachorrinho e bóia
engole água se confunde se arrelia mas vai
são paulo e brasília sempre acabam
arrastando cada nordestino pro fundo
mas a gente respira pelo nariz e chega
em fevereiro
faz um frila faz um bico
troca o chuveiro da madame
troca o gás pelo álcool
e se essa porra não pegar fogo
a gente come esse cuscuz com ovo
e até manteiga tem
porque moramos em casa amarela
não estamos tão lascadas assim
só não sabemos até quando
a pobreza nordestina
a concreta e a que assombra
tem vários remetentes
elon musk é o ídolo
fudeu
bella tchau
nossos bolsos cheios de pedra
iguais aos de virginia woolf
quem botou essa merda lá?
cadê o fundo?
cadê a revolta?
Sunday, December 16, 2018
aciclovir
peguei no teu rosto com as duas mãos
em concha
uma em cada bochecha eu disse
se cuida
e tu dissesse
tu também
mas eu pensei como assim eu estou ótima quem precisa se cuidar é você
que conversa
peguei no teu rosto com as duas mãos
que na ausência dele
se chocariam
em prece eu dizendo
boy meu que coloco no céu
santificado seja tu todo
irei sempre pra tua casa
e farei pra sempre tuas vontades
onde quer que tua casa seja
a migalha de cada dia me dê hoje
assim como te dou tudo até o que não tenhas pedido
faça tudo o que quiser
mas me livre desse divórcio
amém
peguei no teu rosto com as duas mãos
dois metros de cara ainda sobrando
que a tua cabeça de viking é grande
e quando tu levanta sem dizer bom dia
e vai embora sem deixar rastro
fica no travesseiro a marca
peguei no teu rosto olhando pra cima
como o de costume
heterossexual
em concha
uma em cada bochecha eu disse
se cuida
e tu dissesse
tu também
mas eu pensei como assim eu estou ótima quem precisa se cuidar é você
que conversa
peguei no teu rosto com as duas mãos
que na ausência dele
se chocariam
em prece eu dizendo
boy meu que coloco no céu
santificado seja tu todo
irei sempre pra tua casa
e farei pra sempre tuas vontades
onde quer que tua casa seja
a migalha de cada dia me dê hoje
assim como te dou tudo até o que não tenhas pedido
faça tudo o que quiser
mas me livre desse divórcio
amém
peguei no teu rosto com as duas mãos
dois metros de cara ainda sobrando
que a tua cabeça de viking é grande
e quando tu levanta sem dizer bom dia
e vai embora sem deixar rastro
fica no travesseiro a marca
peguei no teu rosto olhando pra cima
como o de costume
heterossexual
enchi com tua barba minhas mãos
tentando matar uma saudade
que na verdade
já passou faz tempo
mas agora tu volta limpo e de pupilas
dilatadas
dos remédios que substituem
um vício por outro
a medicina fez muitos avanços mas
não há pastilha suficiente pros vírus
que eu carrego
herpes e você
minha nossa que verso adelaide que clichê
se bem que ninguém escreve sobre herpes
então voilà está salvo o verso
mas agora tu volta limpo e de pupilas
dilatadas
dos remédios que substituem
um vício por outro
a medicina fez muitos avanços mas
não há pastilha suficiente pros vírus
que eu carrego
herpes e você
minha nossa que verso adelaide que clichê
se bem que ninguém escreve sobre herpes
então voilà está salvo o verso
peguei no teu rosto com as duas mãos
negociando mais uma vez comigo mesma
se perdia o trem ou se ia
meu deus armin meu deus
nós éramos os maiores
despertamos a ira dos cínicos
dos mendigos dos farmacêuticos
e dos policiais
naquele 2009
forjamos cenas de cinema
teu cabelo voando pra fora do carro
portas batendo tatuagens poemas
até casar casamos
dos mendigos dos farmacêuticos
e dos policiais
naquele 2009
forjamos cenas de cinema
teu cabelo voando pra fora do carro
portas batendo tatuagens poemas
até casar casamos
Monday, October 08, 2018
como conversar com um eleitor do bozo, em cinco passos
GENTE, PRESTA ATENÇÃO NISSO AQUI:
1)
o plano de governo de haddad você acha com uma guglada. LEIA. leia tudo hoje.
o plano de governo do fascista você só acha depois de umas três, e o link não funciona (vide foto). mas dá pra achar (link nos comentários). LEIA O PLANO DO COISO. leia tudo hoje.
2)
o principio de organização de comunidade se baseia em 70% de escuta, 30% de fala. o nível de escuta do seu interlocutor por ser dividido em cinco níveis (sendo 1 a pessoa que pensa e age igual a você; 5, seu completo oposto, a pessoa que não somente pensa diferente de você, mas que age contra o que você acredita). NÃO PERCA TEMPO NEM COM O 1 NEM COM O 5.
foquemos nos tipo 2 a 4, ou seja, pessoas que pensam razoavelmente diferente, mas com quem dá pra conversar - os que votaram nulo, os indecisos, os anarquistas (é preciso convencê-los a ir votar em haddad), os bozominions não-violentos (sim, eles existem).
repetindo: o principio de organização de comunidade se baseia em 70% de escuta, 30% de fala. não é sua vez de falar que bozo é racista. é vez de entender porque as pessoas consideram votar no bozo no segundo turno. o que essas pessoas querem? e a partir daí, dar informações a essa pessoa, que facam com que ela própria chegue à conclusão que O BOZO NÃO PODE DAR A ELA AQUILO QUE ELA QUER.
3)
pergunte ao seu interlocutor porque ele votaria no bozo. seja qual for o motivo, a nossa resposta vai ser: "o bozo não tem proposta pra isso". explique como é difícil achar o programa de governo do bozo. não é por acaso: é porque não existe um programa, basicamente. complemente com o que você sabe sobre o plano do bozo, dentro do tema citado pelo seu interlocutor. sugira o que haddad tem pra oferecer nesse mesmo tópico.
4)
a conversa vai ser finalizada, provavelmente, com um dos dois temas: ou da segurança, ou o da corrupção.
4.1) no tema da segurança, ofereça dados que desconstruam as teorias do bozo: a) estudos mostram que armar o indivíduo não tem relação com aumento da segurança coletiva; b) estudos que mostram que nos EUA, em estados COM controle de armas DIMINUI o número de assassinatos; c) estados SEM controle de arma AUMENTA o número de suicídios; d) estados com pena de morte NÃO diminuiu os homicídios; e) estes estados são os que MAIS têm homicídios; f) castração química como condenação de estupro é uma manobra eleitoreira, já que apenas UM POR CENTO dos acusados de estupro recebem qualquer condenação no brasil; g) que um estudo de 2005 mostra que até 10% dos homens condenados a castração química voltaram a cometer crimes sexuais (nos EUA). ofereça links que comprovem essas infos (se a pessoa quiser). aqui tem um e aqui tem outro.
4.2) no tema corrupção, não fuja do assunto, não despreze as capacidades cognitivas do seu interlocutor. deixe a pessoa falar porque a corrupção tanto a incomoda. lembrando que se a conversa chegar ate aqui, você provavelmente NÃO está falando com uma pessoa violenta, então não desista. há chance.
admita os erros cometidos pelo pt, mas apresente de forma clara os graves dados criminais do bozo.
haddad é réu em 2 processos por corrupção, sem ter sido condenado em nenhum. não responde por nenhum processo criminal.
já bozonaro responde por 2 processos criminais, um deles por apologia ao estupro (#elenao), o que inclusive poderia impedir sua posse, caso fosse eleito (já foi uma aberração o TSE aceitar sua candidatura, mesmo ele sendo réu). o bozo é recordista de denúncias no conselho de ética da câmara.
diga que O BOZO NÃO TER PROCESSO POR CORRUPÇÃO NÃO SIGNIFICA QUE ELE SEJA HONESTO - enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, financiamento obscuro de campanha: bozonaro fez. aqui um link com alguns mitos sobre o mito
5) explique, por fim, que um fascista é alguém que chega ou se mantém no poder pelo uso da força (uma coisa que o bozo vem dando sinais de que fará, caso nao seja eleito democraticamente) e que uma outra coisa que une todos os fascistas é que eles nunca dizem que sao fascistas. quando o bozo fala "bandido bom é bandido morto" ele está se referindo a qualquer um que pense e viva diferente dele. assim sendo, não é somente a gay que corre risco, são também aqueles e aquelas que acham que uma pessoa gay tem direito à vida. não são apenas os nordestinos que correm risco, são aquelas que acham que nordestinos têm direito à vida. a justificativa "vou votar no bozo, APESAR DAS COISAS QUE ELE FALA" coloca o próprio eleitor de bolsonaro em risco. discordar de um fascista é ser inimigo do fascista. e o fascista não debate, ele aniquila.
#elenao
#haddad13
Friday, September 07, 2018
mppf! #8_viva la revolursal!
"(...) Se é em nome da pátria que brasileiros queimam serumanos vivos e mortos (Luzia, presente!), então nós renegamos essa pátria, esse conceito que vem destruindo e estuprando há séculos, e declaramos a URSAL como nossa mãe-tria. Olhando nessa direção, publicamos um zine que, apesar das poucas páginas que dispõe, tem a pretensão de celebrar as anarcobucetalistas ursalinas – poetas que não somente são escritoras fenomenais, mas também ativistas políticas e/ou comprometidas com um projeto progressista, emancipatório e de justiça social, em suas comunidades (...).
Estas poetas provam que a URSAL tem um potencial político e poético muito maior do que esse atual projeto neoliberal e com cada poeta bosta que pelamordedeus (a começar pelo presidente golpista).
Daqui a um mês, em 7 de outubro de 2018, teremos eleições. Votaremos à esquerda! Mas não esqueçamos que nem só de passeata, voto e poema revoltado é feito o processo político. A luta é diária!!
NÃO LAMENTE, ORGANIZE-SE!"
ursal, segundo carla diacov
o mppf! #8 nasce hoje, sete de setembro, e declara a independência do brasil de si próprio. co-editado por mim e carla diacov (que também fez a pintura da capa), com participação especial de bia varanis na curadoria e luma virgínia na tradução, esse mppf! é uma homenagem à URSAL e às poetas ursalinas mais anarcobucetalistas:
poetas:
érica zíngano (ceará, 1980) é poeta, artista visual, performer, tradutora e radialista. vive e trabalha em berlim.
celia alva (argentina, ?) é poeta e fazedora de zines.
eulalia bernard little (costa rica, 1935) é escritora, poeta, diplomata, educadora e ativista feminista. escreve em crioulo de limón, o dialeto costarriquenho. foi a primeira mulher negra a a publicar em seu país.
august/monique morgade (roraima, 1989) é artiste. graduou-se em letras pela UFRR em 2018. é trans não binárie e autiste (TEA). participou como ilustradore e poetise em ANTOLOGIA POÉTICA: I concurso roraimense de poesia universitária. escreve para o blog https://lentesmonofocais.blogspot.com/
maría emilia cornejo (peru, 1949-1972) é a primeira mulher a publicar poesia erótica no peru. seu único livro, "en la mitad del camino", foi lançado 16 anos depois do seu suicídio. hoje, é considerada uma poetas mais importantes da chamada "geração 70" daquele país.
lourdes casal (cuba, 1938-1981) poeta, psicóloga e ativista, foi a primeira cubano-americana a receber o prêmio casa das américas. mediou as negociações com fidel castro, que resultaram na libertacao de milhares de presos políticos.
sherezada "chiqui" vicioso (república dominicana, 1948) é uma escritora e ativista política dominicana. foi candidata a vice-presidente do partido de centro-esquerda dominicano Alianza País, em 2012.
cecilia vicuña (chile, 1948) é poeta, artista, cineasta e eco-feminista. trabalha com os temas de linguagem, memória, decadência e exílio. vive entre santiago e nova iorque.
malena saito (argentina, 1994) é poeta, estudante de letras e trabalha como livreira na livraria secreta Luz Artificial, junto con a poeta micaela szyniack.
julia de burgos (porto rico, 1914-EUA, 1953) foi uma poeta afro-caribenha, ativista feminista e pela independência de porto rico.
mara rita (chile, 1991-2016) foi escritora, professora e ativista dos direitos LGBTQI+.
mariana ruggieri (São Paulo, 1988), também conhecida como mari alter, publicou em 2018 os poemas de sofrência anzol e o zine a bola é que são elas, para a série "quem é a bola?", ambas pela editora treme~terra. pela edições jabuticaba publicou as traduções de duas poetas cubanas para o 6 poetas / cuba / hoje e as helenas de troia, ny, de bernadette mayer.
valentina viettro (uruguai, 1982) é escritora, jornalista e produtora. publicou camino a la mentira, sexualidades monstruas (compilado de contos eróticos ilustrados por fermín hontou) e participou da antologia “balnearios”. atualmente se define nômade, tendo marselha como um de seus portos mais estáveis.
yolanda rivera castillo (porto rico, ?) é poeta e professora.
georgina herrera (cuba, 1936) é poeta, escritora, roteirista e radialista. antes da revolução cubana, trabalhava como empregada doméstica. depois da revolução, começou a trabalhar como escritora. revolução, né mores.
equipe topzêra:
carla diacov (são paulo, 1975) embuceta desenhos com sangue menstrual e escreveu alguns livros como A Menstruação de Valter Hugo Mãe e A Munição Compro Depois. Carla Diacov tem fobias, mas mantém os subacos libres!
bia varanis (campo grande, 1997) é poeta, estudante de história da américa latina e educadora. é fundadora da plataforma online as mina da história.
luma virgínia (rio grande do norte, 1992) é poeta, internacionalista, estudante de letras e moderadora do #leiamulheres parnamirim.
adelaide ivánova (pernambuco, 1982) é filiada do psol e do die linke. acha boulos foda, mas lula mais. vai votar em lula + haddad + manuela.
Sunday, September 02, 2018
greve de mulheres*: bora logo fazer
texto de ALEX WISCHNEWSKI e KERSTIN WOLTER
traduzido do alemôo por adelaide ivánova
Na Espanha, Polônia e Argentina, as feministas já fizeram as suas -- agora uma greve das mulheres também está sendo organizada na Alemanha. Por que este é o próximo passo?
Estamos no ano 2018 dC. No mundo todo, a direita e os neoliberais estão encurralando as forças progressistas... Todas elas? Não! Um grupo cada vez maior de mulheres* inflexíveis não para de resistir. Em muitos países, elas organizaram uma greve feminista, em 8 de março de 2018 -- e não foi pela primeira vez. Somente na Espanha, o apelo foi seguido por mais de cinco milhões de pessoas. Por que será que as mulheres estão organizadas e tomando as ruas em tantos lugares? A nova força do movimento feminista não é fruto de uma poção mágica. É fruto do papel específico que as mulheres desempenham em nossas sociedades.
Para começar, as mulheres estão -- ao contrário da crença popular -- no centro da cadeia produtiva. A maioria das mulheres trabalha no setor de serviços, que responde por 70% do PIB na Alemanha. Mesmo fora do trabalho assalariado, as mulheres ainda fazem a maior parte do trabalho de criação, de cuidado e trabalho doméstico, sem o quais ninguém jamais poderia adentrar o mercado.
É aí que está nosso grande potencial de pressão sobre a política e sobre o capital. O lema da greve na Espanha não foi em vão: "se as mulheres param, para o mundo". Pelo seu trabalho, as mulheres não recebem nenhum salário, ou recebem menos. Isso se dá, no capitalismo, por causa dos interesses dos capitalistas: manter o mais barato possível os custos de "reprodução da força de trabalho", ou seja, o cuidado e a manutenção de nossos corpos, e a produção de novos trabalhadores (nossos filhos). Que tantas mulheres aceitem essa situação é consequência do seu status social. A exploração capitalista não pode ser separada da violência misógina e da discriminação racial. Os novos ataques aos direitos e autonomia das mulheres não aconteceram por acaso, e vêm na sombra da crise econômica que começou em 2008 e que ainda pode, em muitos lugares, ser sentida diariamente. Portanto, as políticas neoliberais e autoritárias afetam mais as mulheres, especialmente as mulheres migrantes.
Em resumo: hoje em dia as mulheres têm muito pouco ou quase nada a perder, em comparação com os homens. Portanto, são elas que podem arriscar um novo rumo. Talvez elas fazem, no presente, aquilo que Marx definiu como "classes com correntes radicais", que são "uma parte da sociedade civil [que] se emancipa e alcança o domínio universal; uma determinada classe [que], a partir da sua situação particular, realiza a emancipação universal da sociedade. Tal classe liberta a sociedade inteira". Um novo proletariado, portanto.
Assim sendo, uma greve de mulheres parece totalmente compreensível e a ideia se espalha por todo lado. Na Alemanha, os preparativos para a greve em 08 março de 2019 já começaram. As ativistas que tiverem interesse podem se juntar ao trabalho de organização, que vem sendo realizado em várias cidades na Alemanha. A greve de 2019 não se destina a substituir as passeatas que, em 2018, tiveram mais 10.000 pessoas participando só em Berlim - a greve vem para complementar e continuar o trabalho até agora feito. As coisas também podem ser vistas desta forma: depois de tanto tempo negociando, estamos prontas para iniciar uma nova etapa da luta.
Assim, uma greve de mulheres é um meio, e não um fim em si mesmo. No fim das contas, estamos preocupadas não somente em dar visibilidade, mas em mudanças fundamentais na sociedade. O formato de greve carrega em si vários valores próprios.
Greve política
A greve das mulheres, por exemplo, desafia a proibição de greves políticas na Alemanha. A validade desta proibição tem sido controversa e repetidamente questionada pelas trabalhadoras. É geralmente aceito que a disputa trabalhista atinge o destinatário errado quando as demandas políticas são dirigidas ao Estado e não ao Patrão. Mas há espaço para interpretação e negociação. Não são só as marxistas que apontam que a política e a economia estão, de várias maneiras, entrelaçadas. No capitalismo, diferentes grupos têm diferentes influências na política - o lobby da indústria automotiva influencia mais as decisões políticas do governo do que uma associação para fortalecer os direitos das trabalhadoras do sexo.
Essas diferentes possibilidades de influência são determinadas economicamente. Outras vozes apontam que a proibição de greves políticas contradiz os acordos internacionais assinados pela Alemanha. Em sindicatos como ver.di, GEW ou IG BAU, a demanda é feita repetidas vezes para incluir o direito a greves políticas na constituição alemã. Esses debates são hesitantes e desapareceram rapidamente. Agora são as mulheres que colocam o tema de volta na agenda. Assim, são elas que agora fazem contribuições ao "proletariado" (sic!) tradicional.
Tarefas domésticas não remuneradas
Outra coisa: faz tempo que as feministas enfatizam que trabalho significa não só o trabalho assalariado, mas também o trabalho doméstico, o de cuidar e o de educar, todos não remunerados; e todos os numerosos serviços de apoio emocional, voluntário e comunitário, que cria redes invisíveis de apoio. Silvia Federici apontou que nunca houve uma greve geral real, já que as mulheres nunca conseguiram parar de executar essas atividades. Portanto, uma greve feminista visa não apenas o trabalho assalariado, mas o não assalariado em todas as áreas. Isso é tão novo que novas formas e expressões da greve precisam ser imaginadas. Ter cuidadores de crianças e de adultos com necessidades especiais, trabalhando voluntária e coletivamente, em locais públicos, são apenas ideias iniciais. As espanholas também fizeram algumas sugestões para as áreas de trabalho assalariado, trabalho doméstico, educação e consumo, que podemos dar continuidade. Aqui, também, a greve serve para dar forma aos argumentos teóricos que debatem a extensão do conceito de trabalho e para melhor compreendê-los.
Além disso, a greve oferece uma nova chance de fazer algo juntas -- independente do histórico que alguém tenha. Geralmente é difícil encontrar uma demanda que una a todas. Isso é compreensível, porque as mulheres têm experiências muito diferentes e, portanto, têm diferentes problemas e preocupações urgentes. Para muitas, a valorização econômica de seus empregos está em primeiro plano; para outras, o direito de permanecer na Alemanha; para outras, a mudança da lei transexual, que é discriminatória; para outras, o direito a aborto seguro.
A greve feminista pode combinar essas lutas, em solidariedade umas com as outras, porque elas têm as mesmas origens. Se argumentarmos como mulheres brancas com um passaporte alemão pela legalização de todas as mulheres em situação ilegal, isso não é uma luta por procuração. É a luta contra um sistema de exploração e competição, exclusão e desvalorização que nos atinge a todas da mesma maneira - mesmo que não com a mesma consistência. Na greve das mulheres, as diferenças devem se tornar uma força comum na luta contra as políticas autoritárias, neoliberais, sexistas e racistas. Algumas pessoas discutem há dois anos sobre uma nova política -- nós, mulheres, já estamos colocando ela em prática.
* Ao usarmos "mulheres*" com asterisco, nos referimos a todas as pessoas que se definem como mulheres ou que são definidas como mulheres pela sociedade, incluindo pessoas trans* e intersexuais. O asterisco, portanto, não é usado para diferenciar, e sim para mostrar que se trata de uma identidades sem limites definidos, que lida com uma realidade social.
Alex Wischnewski trabalha na rede "Care Revolution". Kerstin Wolter foi co-fundadora da aliança "Dia da Luta da Mulher". Ambas são membras do partido DIE LINKE.
Monday, August 13, 2018
Bela URSAL!
Uma manhã, eu acordei
Bela URSAL! Bela URSAL! Bela URSAL URSAL URSAL!
Uma manhã, eu acordei
E encontrei meu salvador
Ó guerrilheiro eu vou contigo
Pela URSAL! Pela URSAL! Pela URSAL URSAL URSAL!
Ó guerrilheiro eu vou contigo
Se eu ficar eu vou morrer
E se eu morrer nesta guerrilha
É pela URSAL! Pela URSAL! Pela URSAL URSAL URSAL!
E se eu morrer nesta guerrilha
Eu te deixo meu fuzil
Faz minha cova lá nas montanhas
Bela URSAL! Bela URSAL! Bela URSAL URSAL URSAL!
Faz minha cova lá nas montanhas
Sob a sombra de uma flor
Pra que o povo que aí passe
Grite URSAL! Grite URSAL! Grite URSAL URSAL URSAL!
Pra que o povo que aí passe
Gritará: Revolucao!
Essa é a história de um guerrilheiro
Bela URSAL! Bela URSAL! Bela URSAL URSAL URSAL!
Essa é a história de um guerrilheiro
Que morreu por liberdade
Essa é a história de um guerrilheiro
Que morreu por liberdade
Thursday, July 12, 2018
um poema de cícero de souza
bolsonarou ofereceu capim
pra os eleitores de luiz inácio
comer
e eu pergunto aos senhores
se ele chegasse a ser presidente
ao invés de dar capim daria
veneno a gente?
não sei como conseguiu ser
deputado federal
discriminando mulher, negro,
homossexual
e agora quer dar capim
pros eleitores de lula
comer
tu ficou doido, bolsonaro?
tu cheirou cola
ou tá querendo aparecer?
dessa vez, bolsonaro,
tu fizeste um desatino
lave a boca quando for falar mal
de nordestino
e sobre o vídeo do capim
que na internet circula:
quem és tu, pra falar mal
dos eleitores de lula?
tu não passas de um golpista!
de um corrupto, oportunista
e só quem é cego não vê.
e digo a última, seu porra:
eu voto numa cachorra
mas eu num voto em você!
Tuesday, July 10, 2018
mppf! + grego = revista teflon!
gracas à minha amiga e cangaceira érica zíngano saiu uma seleção de poemas que foram (ou serão) publicados no mais pornô, por favor!, na revista grega teflon!
a revista é muito foda, já tem acho que uns oito ou nove anos de existência e se tornou não somente uma das revistas literárias (e de poesia) mais lidas da grécia, com mil cópias por edição, mas também uma das forças de resistência política e uma plataforma super importante da esquerda radical em atenas (#amor!). eles publicam poesia e ensaio, em grego e em tradução - e a parte de tradução tem um desejo de não somente trazer poesia do mundo prxs leitorxs gregxs, como também criar uma comunidade internacional de literatura de esquerda (#amor!).
como diz um dos fundadores da revista, jazra khaleed, nessa entrevista: "não temos patrocinador, não temos distribuidor: temos leitores". ISSAÊ!
para a edição #19, a eleni, uma das editoras da teflon, pediu pra eu fazer uma micro-antologia de poesia erótica brasileira contemporânea, viva e transante. minha seleção foi, como sempre, baseada em quesitos representativos (não preciso nem dizer que a "qualidade" dos poemas, seja lá o que isso signifique, não fica nunca, por causa disso, em segundo plano): misturar omi e muié, sapatão e viado e hts, branco e preto, e poetas do nao-sudeste. assim, chegamos à uma seleção de 19 autores, 11 mulheres e 8 homens. desse total, 14 (73%) são viadxs, 7 (36%) são do não-sudeste e 6 (31%) são negrxs.
como diz um dos fundadores da revista, jazra khaleed, nessa entrevista: "não temos patrocinador, não temos distribuidor: temos leitores". ISSAÊ!
para a edição #19, a eleni, uma das editoras da teflon, pediu pra eu fazer uma micro-antologia de poesia erótica brasileira contemporânea, viva e transante. minha seleção foi, como sempre, baseada em quesitos representativos (não preciso nem dizer que a "qualidade" dos poemas, seja lá o que isso signifique, não fica nunca, por causa disso, em segundo plano): misturar omi e muié, sapatão e viado e hts, branco e preto, e poetas do nao-sudeste. assim, chegamos à uma seleção de 19 autores, 11 mulheres e 8 homens. desse total, 14 (73%) são viadxs, 7 (36%) são do não-sudeste e 6 (31%) são negrxs.
tá longe do ideal, é sabido, mas a cada publicação tentamos melhorar no que diz respeito à paridade e representatividade (isso dito: para a edição #8, que sai em setembro e está sendo editada por mim e carla diacov, estamos em busca de poetas molieres e trans e viadas de SERGIPE, TOCANTINS, PIAUÍ, RORAIMA, AMAPÁ, ACRE e RONDÔNIA. emails com 5 poemas e mini-bio NUM .DOC SÓ para bolagato.edicoes@gmail.com. deadline é 31 de julho).
enfim, aqui vai umas foto da rivista e o pequeno texto introdutório que escrevi. os poema e o texto foram carinhosa e guerrilhamente traduzidos pelo spyros.
capa
contra-capa com jarid arraes, katia borges, natalia borges polesso, simone brantes, andré capilé, ricardo domeneck, cecília floresta, ana luiza goncalves, antonio la carne, rafael mantovani, joao meireles, ravena monte, flávio morgado, rita isadora pessoa, gabriela pozzoli, raphíssima, nina rizzi, lilian sais, ismar tirelli neto e william zeytounlian
que leendo
que leendo
A seleção
destes poemas para a revista Teflon vem dos textos publicados no zine
brasileiro MAIS PORNÔ, POR FAVOR!. Criado em Recife, cidade do nordeste
brasileiro, em dezembro de 2016, o objetivo do zine é olhar para o tesão como
potência revolucionária, principalmente no contexto do Brasil pós-Golpe. No #2
do zine, a pesquisadora Lori Regatieri escreveu:
“(...)
por que nos tornamos tão insuportáveis para o Estado, os patrões e a polícia?
Não foi à toa, tiveram que atuar juntos para impedir nossa algazarra festiva e
transante. (…) O caos atmosférico dos atrasos dos salários, do aumento
tarifário, das medidas proto-fascistas, dos militares nas ruas estão nos
atravessando como uma faca de ponta aguda. Exultar o tesão nesse contexto é
combater as forças do débito, estancar a sangria e nutrir a resistência
micropolítica”.
E por que
usar o termo “pornô”, no título de uma publicação que se pretende feminista,
sendo que este é um nicho tão misógino? Anna Kristin Koch, em texto publicado
na revista alemã Zeit Online, diz: “a indústria pornô não só fere os
sentimentos de muitas pessoas, como também reproduz uma imagem de sexo,
sexualidade e gênero que não cabem numa sociedade plural”. A autora sugere a
aplicação de uma “pornografia ética”, na qual não só diversidade e sexo
responsável são mostrados: estereótipos são quebrados e, independentemente do
gênero, pessoas são parceiros sexuais iguais.
Essa
problemática – to porn or not to porn – foi abordada no editorial da
edição #3 (abril de 2017), escrito pela jornalista Carol Almeida:
“(...)
se a palavra pornô vem carregada com um sentido tão próximo da ideia de
exploração sexual do corpo da mulher, que possamos repetir aqui o que a
comunidade LGTBQI fez com a palavra ‘queer’ nos anos 1980. Ou seja, vamos nos reapropriar
do termo, vamos confundir e desorientar o inimigo. Com nossas línguas, coxas,
pelos e algum sabonete líquido”.
Editado com as organizadoras do #leiamulheres de Recife – Maria Carolina Morais, Priscilla Campos e Carol Almeida – o #3, especial poesia lésbica, foi um divisor de águas na produção do zine (pelo seu conteúdo, mas principalmente pelo teor de mobilização coletiva). A seleção dos poemas funcionou em parte por meio de chamada pública e, com ela, passamos a conhecer o trabalho de jovens poetas lésbicas de todas as regiões do Brasil, ampliando não somente nosso conhecimento da poesia contemporânea de fora das grandes cidades, como também ajudando a criar mais uma rede de conexão entre as poetas fanchas.
Editado com as organizadoras do #leiamulheres de Recife – Maria Carolina Morais, Priscilla Campos e Carol Almeida – o #3, especial poesia lésbica, foi um divisor de águas na produção do zine (pelo seu conteúdo, mas principalmente pelo teor de mobilização coletiva). A seleção dos poemas funcionou em parte por meio de chamada pública e, com ela, passamos a conhecer o trabalho de jovens poetas lésbicas de todas as regiões do Brasil, ampliando não somente nosso conhecimento da poesia contemporânea de fora das grandes cidades, como também ajudando a criar mais uma rede de conexão entre as poetas fanchas.
Em outubro de 2017, em resposta ao fechamento da exposição “queermuseum” e a retaliação violenta de grupos de extrema direita contra Judith Butler (que estava no Brasil para uma série de palestras sobre democracia), disponibilizamos o #3 gratuitamente na internet, como uma tentativa de ajudar a emudecer os latidos recalcados dos fascistas.
A edição mais recente, a #6, é um especial de poesia caribenha. A motivação do zine é nos aproximar um pouco da poesia feita no Caribe e da situação de pessoas em refúgio vivendo no Brasil. Segundo o CONARE (Comitê Nacional para os Refugiados), os países com maior número de solicitantes de refúgio no Brasil em 2016 foram Venezuela, Cuba e Haiti (646), todos países caribenhos. Do total de cerca de 10 mil refugiados no brasil, 32% são mulheres.
Sunday, May 27, 2018
falar aqui rapidaum sobre os caminhonêro
esse textao não tem pretensões de onisciência. ele é um resumo de conversas fundamentais que tenho tido com minhas migas e migos, ativistas ou não, de esquerda ou centro, é fruto da minha vivência em diversos movimentos de organização de base em duas das três cidades que morei, fruto da leitura dos jornais brasileiros na última semana, e da observação do uso das redes sociais, na última semana. a autora (eu) não tem, no entanto, intenção de onisciência no que diz respeito à complexidade do tema e espera animadamente que esse texto, se lido, inspire à mobilização na vida real ou gere debates solidários.
1. sobre o papel das esquerdas em relação à uma greve "controversa"
em 2013, pela pressa em achar "esses daí são de direita mermo", a esquerda, por arrogância ou falta de visão, não ocupou ou fez melhor apropriação das jornadas de junho, que acaboram sendo cooptadas pela direita, e se tornaram, a longo prazo, um dos componentes que possibilitaram o golpe.
agora, comentário geral, seja ele nas internet ou na vida de carne e osso, é que os caminhoneiro apoiaram o golpe, e querem intervensaum militar, ou fazem da greve uma plataforma pró-bolsonaro. outra crítica que fazem à greve: que ela não é legítima porque tem apoio dos patrão.
uai, não é uma questão de legitimidade - quem melhor do que o trabalhador pra fazer suas próprias reivindicações? e é isso que os caminhoneiro tao fazendo.
agora, se uma greve (qualquer uma) é apoiada pelos patrão, a questão deixa de ser legitimidade. a questão passa a ser que ela não vai ser bem-sucedida para os trabalhadores. devia ser óbvio. os interesse de exploradores e explorados dificilmente serão iguais.
aí é que entra a esquerda, os sindicatos (que já não são mais de esquerda, na maioria, e isso não somente no brasil, mas no mundo), as organizacoes comunitárias de base, os movimentos sociais: para promover educação política. para fazer os trabalhadoras e trabalhadoros enxergarem sua opressão e se organizarem.
assim, com essa ausência da esquerda (POR QUEEE?), o trabalhador apoiar a direita no brasil não é de se espantar, nem é novidade ou exclusividade dos caminhoneiro. é assim: sem educação política de esquerda, e com o capitalismo neoliberal internalizado, o trabalhador acha que a única forma de se emancipar é virando patrão. o que o caminhoneiro quer é ele mesmo ser capaz de comprar seu próprio caminhão, fazer lucro e depois comprar outro e depois outro, para que um dia ele mesmo tenha sua frota (e explore outros caminhoneiros, como ele próprio, atualmente). ele tá errado de querer uma vida melhor? não né!
deve ser por isso que tanta gente de esquerda (principalmente a facebookiana que, no fim das contas, é a que mais tem opinião mas a que mais tá afastada das ruas), cagou pra questão ("eles apoiaram o golpe então fodase").
era pra estratégia da esquerda ser outra. aliás: era pra esquerda ter uma estratégia.
é fundamental apontar isso. mas o que vamos fazer?
a situação é bem diferente de 2013, mas o plot é parecido: um acontecimento político acontece fora do âmbito organizacional das esquerdas e ninguém sabe muito bem o que fazer.
eu já podia começar perguntando: que caralho estamos fazendo de errado, para que uma greve não tenha sido organizada por nós? e mais: que caralhos estamos fazendo de errado que "Nos grupos de WhatsApp, os manifestantes também se gabam que o apoio ao movimento está ganhando força entre a população por não haver bandeiras da CUT, camisas do PT, gritos de Lula Livre, MST, apoio de artistas"????
a pergunta que importa não é "ai meo deus o que deveríamos ter feito há 20 anos que evitasse estarmos como estamos hoje?" (resposta: organizar, mores), e sim o que temos que fazer agora. o que vamos pensar de nós mesmos, ativistas de esquerda, daqui a 20 anos, quando analisarmos a greve dos caminhoneiros?
a reação dos petroleiros, e escrevo isso sem ter tido tempo de me informar sobre os bastidores da greve, e sem conhecer a fundo (mas simpatizar bastante com) o funcionamento do sindicato dos petroleiros, é, para mim, uma das melhores notícias.
para além disso, precisamos, todos e todas, aderir e nos engajar em movimentos de organização social de base. se filiar a um partido de esquerda também não é má ideia. procure no seu bairro, na sua universidade, entre os amigos. pergunte pra mim!
a resposta é bem padrão e eu já tô me sentindo repetitiva: organizassaum.
resumo: é pra gente sair do FB e se juntar a um grupo de organização de base na vida real. invistir o mermo tempo que se gasta fazendo textao, numa nova rotina coletiva, no qual se tenha contato com uma perspectiva e de educação de esquerda, para que mais pra frente sejamos um vetor para organizar e mobilizar e emancipar mais pessoas.
(eu só posso falar da minha experiência: é extremamente cansativo inserir, num dia-a-dia já cheio de afazeres, uma prática ativista. mas não somente é importante moralmente, como, num sentido bem egoísta, fazer ativismo acabou com metade das mimimi-nhas crises existenciais e acabou com meu desânimo político. me cansa, mas nunca me desanima).
tentei fazer uma colagem véa
da cabeça de marx
em cima da de sula miranda
da cabeça de marx
em cima da de sula miranda
mas não tenho photoshop
e não consegui fazer no paint
e não consegui fazer no paint
então vão as duas foto assim
separdjinhas
igual o capitalismo quer a gente
(separados)
(separados)
2. sobre o povo ir pra rua
eu não sou daquelas que acha que ir pra rua é a estratégia que serve pra tudo, nem aquelas que acha que "ir pra rua" é o que constitui a militância (não é, craro).
mas também acho que fazer nada ajuda menos ainda. a sociedade civil no fim das contas foi a mais afetada por essa greve, mas é a que, por omissão, ignorância, ódio, cansaço etc., tem sido a menos participativa, a que tem feito menos intervencoes no andar da carruagem.
qual a primeira preocupação das pessoas? tem gasolina pro MEU carro? tem comida no supermercado da MINHA rua?
essa indeferenca é somada a um ingrediente fundamental pra solar esse bolo, que tinha tudo para ter uma pauta radical, mas mais parece uma novela da globo: alguns caminhoneiros têm pauta uma política conservadora e de direita, e estão usando a greve como plataforma para essas pautas (e porque não deveriam? eles estão na rua, uai): fora temer, e pró-intervenção militar, e pró-bolsonaro.
a greve vai ser apenas um bode-expiatório pra qualquer uma das instância de poder que conseguir ganhar a corrida ideológica, com o projeto que essas instâncias já tinham antes da greve: temer e suas miga, os milicos, bolsonaro, os eua, a bancada evangélica, luciano huck, enfim OS CAPITALISTA. quem ganhar, vai usar a greve de uma maneira oportunista, para justificar o que eles na real já queria fazer.
onde entra nóis, as pessoas?
eu tô convencida de que as pessoa devia era ir pras ruas em manifestacoes, vigílias, passeatas, ocupações. com a legitimidade de ter sido a sociedade civil a que foi a real afetada por essa greve, sendo que as negociações estão sendo feitas ao largo dos seus interesses.
outra questão importante que temos que reivindicar e nos apropriar é a questão ideológica: as ocupações de rodovias estão sendo feitas (não somente, mas também) com faixas de foratemer, pró-milico, pró-bolsonaro, sem representar pelo menos 32% da população que por exemplo votaria em lula.
a pauta, a motivação, caso a gente fosse se meter nesse auê (devia), não pode ser essa escrotidão que a gente tem visto nas redes sociais, tipo "cadê a gasolina pro meu uber?" e sim:
a) fazer um statement de solidariedade: aos caminhoneiros e suas pautas de redução de preços, às lutas pelos direitos de todxs xs trabalhadores (inclusive os de direita);
b) fazer o statement politico: a sociedade civil apoia a greve mas é pro-democracia (ou seja, pró-eleições, anti-intervenção militar);
c) fazer o statement econômico: anti-interesse de patrão (que na real tao cagando pros caminhoneiros e qualquer outra classe trabalhadora) e anti-sucateamento da petrobras (que é, no caso especifico dessa greve, o que aumenta o preço do combustível. por isso, aliás, que a adesão dos petroleiros é uma das coisas mais importantes que aconteceu nesses 7 dias. viva).
3. sobre o discurso míope de que precisamos andar mais de bicicleta e comer menos carne e consumir produtos locais.
eu vou começar citando a grande anarcobucetalista Tithi Bhattacharya, quando ela diz: EU QUERO QUE OS TRABALHADORES QUEIRAM TUDO.
o que ela quer dizer com isso, é: porque é que toda vez que entramos num momento de crise, corta-se do prato e da vida dos trabalhadores? não são mudanças no âmbito pessoal que vão mudar a estrutura, ainda que ajustes no nosso estilo de vida sejam necessárias.
a venda de 4 refinarias da petrobras (sendo que elas geram empregos) e o aumento de preços (sendo que os custos internos não aumentaram), feito para responder a uma demanda econômica internacional, deixam escancarados o projeto golpista de sucatear a petrobras, para depois poder convencer a opinião público de que ela é um problema para depois vendê-la, a preco de banana, para multinacionais.
por que, diante de um cenário desse, é o trabalhador de guaianazes quem deve ir pro trabalho de bike até o anhangabaú? FALA PA MIAM.
é muito fácil para bonitona do leblon dizer que precisamos andar de bike, mas quero ver ela subir o morro, de bike, de noite, depois de um dia inteiro limpando banheiro da globo. NÃO VAI. vai andar de bike em recife na conde da boa vista pra tu ver o que é bom.
e porque é o trabalhador que tem que comer menos carne?
esse modelo de sustentabilidade made in vila madalena ignora que a realidade brasileira é a seguinte: as pessoas têm na carne e na coca-cola do domingo (se é que podem comer carne e coca uma vez por semana! vai lá em gravatá do jaburu ver como é a vida das pessoas!) seu momento de glória. um pedreiro de toritama não quer comer porra de carne de jaca no finde. quer dizer, talvez até queira, mas não é arrogância política. ele tá errado? ele quer é beber seu dolly guaraná e encher a cara com seu litrao (e eu tb). e sim esses produtos precisam de liiiitros de diesel pra chegar no interior de pernambuco sim. so what? a culpa é dele que o capitalismo nos fudeu a todos? me poupe.
mudança individual sem engajamento pela emancipação de todos e todas é bonitinho e tal mas é inútil. a blogueira que ensina a produzir menos lixo, é massa e tal aprender dicas de como reutilizar as coisas, mas daí a elas dizerem que a resolução do problema está no veganismo... eu me pergunto o que essas pessoas anti-lixo têm feito para emancipar as pessoas que dependem do lixo pra viver - catadores de papel, de alumínio, pessoas que vivem nos lixões? o que essa gente tem feito pelo fato de que há estados no brasil (e nao tô falando do nordeste nao, cofcof) apenas 16% das casas têm acesso à rede de esgoto?
PELOAMORDEDEUS.
eu estou ciente de que o brasil tem um potencial de transporte fluvial que é um dos maiores do mundo e que devíamos usar menos combustíveis fosseis e menos rodovias e ser mais fodástico com o meio-ambiente. concordo plenamente que uma das pautas da esquerda deve ser justamente uma abordagem revolucionária em relação ao uso (ou não-uso) de recursos naturais . mas daí a responsabilizar o trabalhador pelo estado atual e/ou esperar dele atitudes isoladas que promovam redução de danos é como achar que a culpa pela poluição do do mundo e pelas foca morrer afogada no pacífico é dos canudinho de plástico e das buceta das mulher que precisam de modess - E NÃO DO CAPITALISMO.
vlw flw.
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