Tuesday, December 31, 2013

assombrações do recife velho, parte 10

essa bolsa seria cômica se não fosse trágica.
representa perfeitamente
a decadência idelógica
de uma cidade
que já não existe mais.
feliz 2014.


assombrações do recife velho, parte 9

__ (...) então esses brancos, dessa classe média antiga de donos de usina, ainda vêem as ruas como suas, um complexo de sinházinha do caralho.
__ (perguntando muito ingenuamente) eu entendo o que você quer me explicar, mas continua sem fazer sentido. minha pergunta apenas foi: por que ela não é capaz de rodar com um carro até achar uma vaga na rua, como todo mundo?
__ como todo mundo na terra em que tu vive. ela estacionou na calçada porque não queria estacionar longe de onde ela ia.
__ porque não?
__ ela vai dizer que andar aqui é perigoso, que tem risco de assalto.
__ ah, tá. então para manter a segurança dela, ela coloca a nossa em risco, porque é a gente que tem que andar pelo meio da rua, porque ela ocupa a calçada com o carro.
__ isso. isso era meu ponto: eles ainda se acham os donos das ruas.
__ não entendi. a rua é de todo mundo.
__ é um estado de espírito.
__ a gente tem que andar no meio da rua porque ela tá com um estado de espírito do brasil imperial?
__ tipo isso.
__ que horror.


pois é.







Monday, December 30, 2013

assombrações do recife velho, parte 8

diálogo de causar infarto na rua do futuro (e isso não é ironia):

__ ô minha senhora, estacionar em cima da calçada é foda.
__ e eu vou estacionar onde? não tem vaga na rua!


eu vou responder o quê pra uma féladaputa dessa?

Sunday, December 29, 2013

assombrações do recife velho, parte 7

pessoas que pedem licença no mesmo tom estúpido de quem diz "sai da frente, porra" (acontece geralmente em grandes conglomerados comerciais frequentados pelos brancos da classe média decadente, nos bairros de classe média decadente).

Thursday, December 26, 2013

assombrações do recife velho, parte 5

policial militar derruba menino de rua no chão, agarrando-o pela gola da camiseta. o menino responde "fui eu não uhm, foi ele ali ó". "ele ali" já está longe, correndo descalço no asfalto quente do recife velho.

o policial militar responde: "problema seu, quem mandou num correr ligeiro?".

Tuesday, December 24, 2013

assombrações do recife velho, parte 3

vovó pergunta se meu marido não me proibiu de cortar os cabelos.


assombrações do recife velho, parte 2

diante do meu vestido de franjas, o transeunte grita:

"ei essa menina, tá vestida de cortina é?".


Monday, December 23, 2013

assombrações do recife velho, parte 1

encontrar a irmã caçula da melhor amiga de infância
e perceber que ela é um ano mais velha que meu namorado
e maior que eu mais ou menos um palmo.




dizeres de domingo

(...)
eu queria podê escrevê

um poema procê

mas não na língua de Camões
e sim no meu idioleto de infância

(...)


trecho de poema novo e lindo do meu amigo querido ricardo domeneck, que no momento faz residência artística em bebedouro, são paulo.


clica aqui pra ler o texto na íntegra.

Saturday, December 21, 2013

desde quando ciganos sentem saudade?

texto novo, sobre nico, sobre exílio, sobre não ter pra onde ir.

publicado na edição de dezembro do suplemento pe.

conclusões à mesa de madeira

se camões tivesse dito
que viver é impreciso
eu teria entendido.

camões seu filho
da puta foi dizer
que viver não
é preciso

entendi errado
virei niilista
perdi três namorados.

Saturday, December 14, 2013

the adelaide is present (hahaha)

leitorinhas e inhos, amanhã eu e meu boy vamos vender nossas fotos no bazar limonada! a gente trouxe uns prints em papel fine art que e c-prints (impressão analógica!) que a gente mesmo produziu, bem lindas, em tamnhos que variam de 10x10 (aquelas fotos quadradinhas que amamos) a 50x60. tudo assinado em tiragem especial pro bazar. só queria dizer que não tem presente de natal melhó.

o bazar limonada é amanhã, domingo, a partir das 13h, na galeria metrópole, em são paulo. a galeria fica na praça dom josé gaspar, 106, no metrõ república.






Tuesday, December 10, 2013

são paulo partiu meu coração em mil pedaços.
e isso não é poesiazinha.