eu moro no térreo. hoje o sol saiu, eu abri as janelas (que dão pra rua), sentei no meu sofá e fiquei trabalhando.
um cara muito estranho, que sempre olha dentro da minha janela, parou e soltou uma piadinha que eu não entendi e no fim fez "tsc, tsc".
por todas vezes que ele olhou dentro da minha janela e por mais esta, que foi extremamente invasiva; por ele ter parado pra me importunar, eu pulei enfurecida da janela e perguntei que diabos ele queria de mim. ele se virou e fazendo biquinho, perguntou se eu tinha ficado ofendididinha. aí começou o bate-boca, eu dizendo que ele não tinha o direito de enfiar a cabeça da minha janela pra me ofender, ele dizendo que se eu quisesse ficar sossegada devia fechar minha janela. o tempo todo ele falou comigo em tom de deboche, me diminuindo.
o que ele não sabia é que meu namorado estava no quarto e, quando ele saiu pra mandar o cara vazar, o cara fico puto - comigo. começou a chamar de puta e estudantezinha de merda e saiu andando e me xingando.
quer dizer, o cara pensa que me pode me tratar como quer, porque vê uma menina sozinha e acha que pode fazer o que bem entende. ao ver que ela não está sozinha, ele fica com raiva que estragou-se a brincadeirinha perversa dele.
o cara saiu me chamando de puta, as pessoas sairam na rua pra olhar, mas ninguém fez nada. ele era negro e se eu tivesse chamado ele de preto, de qualquer coisa relacionada ao tom da sua pele ou aparência, ele ou meus vizinhos iam chamar a polícia por racismo, ou interceder defendendo-o, e eu ia sair de vilã.
mas chamar uma mulher de puta pode. chamar uma mulher de puta não choca ninguém.
não importa o quão errado ele estivesse, a sociedade dá a ele o direito de me xingar por ser mulher e sair ileso. já eu, eu não posso chamá-lo de nada, pra não perder a razão.
pra que caralho eu quero razão? eu quero é respeito.
até quando, meu deus, até quando?
Tuesday, May 21, 2013
Friday, May 17, 2013
al-fêmea news: act up!
1. todas comemorando no facebook a decisão do CNJ (eu incrusive) mas vamos lá: o supremo tribunal pode ainda jogar água fria na história. em brasília, só jean willys salva.
Decisão do CNJ obriga cartórios a fazer casamento homossexual - Conselho também determinou conversão de união estável em casamento.
2. act up, fight back, beat aids at any age!
encontro em ny com meus novos musos na luta contra o hiv, peter staley e jim eigo, falando sobre "hiv e envelhecer". todo mundo esqueceu de falar sobre aids, enquanto gente ainda morre disso. pra mim é um mistério.
3. the invisible war é um documentário sobre violência sexual nas forças armadas americanas. minha única pergunta é: se soldados do exército americano são capazes de estuprar as próprias colegas, imagina o que eles não são capazes de fazer com mulheres e meninas nos países que eles invadem, países que, todos sabemos, os americanos odeiam.
é uma tragédia diária nascer menina.
4. a king kholid foundation, na arábia saudita, lançou a campanha "no more abuse" pra mulheres vítimas de violência doméstica. o intuito é encorajar denúncias que, ao menos em teoria, poderiam a partir de agora ser feitas de forma discreta. é melhor do que nada, mas eu acho tudo ainda muito questionável pois, num estado não-laico, onde as mulheres têm que usaressa merda burca (não me encham o saco falando sobre cultura, burca é tão violento quanto circuncisão forçada) nem podem nem sair na rua sozinha, duvido que uma campanha dessa funcione. mas né, a esperança é a única última que morre.
Decisão do CNJ obriga cartórios a fazer casamento homossexual - Conselho também determinou conversão de união estável em casamento.
2. act up, fight back, beat aids at any age!
encontro em ny com meus novos musos na luta contra o hiv, peter staley e jim eigo, falando sobre "hiv e envelhecer". todo mundo esqueceu de falar sobre aids, enquanto gente ainda morre disso. pra mim é um mistério.
3. the invisible war é um documentário sobre violência sexual nas forças armadas americanas. minha única pergunta é: se soldados do exército americano são capazes de estuprar as próprias colegas, imagina o que eles não são capazes de fazer com mulheres e meninas nos países que eles invadem, países que, todos sabemos, os americanos odeiam.
é uma tragédia diária nascer menina.
4. a king kholid foundation, na arábia saudita, lançou a campanha "no more abuse" pra mulheres vítimas de violência doméstica. o intuito é encorajar denúncias que, ao menos em teoria, poderiam a partir de agora ser feitas de forma discreta. é melhor do que nada, mas eu acho tudo ainda muito questionável pois, num estado não-laico, onde as mulheres têm que usar
5. ainda é difícil pra mim opinar sobre a decisão de angelina jolie por uma dupla mastectomia preventiva. é duro por pensar que ela é uma milionária e que sua escolha só foi possível muito por ela ter grana pra bancar tudo isso. milhares de mulheres morrem por não poderem fazer o mesmo. e muitas lutas pela vida, sem nunca ter podido contar com essa chance. enfim...
por outro lado, acho altamente louvável que uma atriz de hollywood venha a público dizer que retirou as duas mamas, numa cultura que supervaloriza a beleza física e, mais que isso, sua perfeição. numa cultura que trata o câncer como um fantasma, onde as pessoas escondem que estão com câncer. espero que o ato dela encoraje a ver a mastectomia como um tratamento como todos os outros tratamentos médicos altamente invasivos, e nada mais e nada menos. o problema da mastectomia é o estigma, não apenas o procedimento em si, o estigma de "deixar de ser mulher", ou ser menos mulher.
nesse ponto, ao assumir que fez sim e daí, angelina arrasou.
6. nova campanha da onu contra homofobia é bem americanizadazinha, com o slogan "you are not alone", o que é questionável. mas o que importa mesmo é a mensagem e a vontade política, quando se diz que direitos lgbt são direitos humanos. ó:
7. este ano faz 30 anos que dr. joe sonnabend (sonnabend é sábado em alemôo haha!) e seus pacientes richard berkowitz e michael callen publicaram uma brochura chamada "como fazer sexo durante uma epidemia". na época, sequer se tinha conhecimento sobre o que estava causando aids mas, whatever the hell it was, eles estavam seguros que era sexualmente transmissível e começaram uma campanha de prevenção. foram eles que criaram o nome "sexo seguro". graças a esses caras, sabe-se lá quantas pessoas deixaram de cotnrair o hiv. uma salva dji palmash pra eles!
e um ps importante sobre o unbreakable project: gente, tem um mói de leitora mandando link pro unbreakable project e me perguntando depois porque não ponho no vodca! é porque já falei desse projeto em janeiro de 2012. e em setembro de 2012 pedi pra pararem de mandar essa sugestão porque continuavam me mandando horrores. e hoje peço de novo: agradeço o carinho de mandar email indicando coisas, mas pelamordedeus parem de me mandar email indicando ele, não aguento mais!! :) hahaha
Thursday, May 16, 2013
gente, isso é sério
estamos vendo (ou não-vendo) o avanço da bancada evangélica em brasília, não de braços cruzados, pois há muita militância linda, mas meio de camarote. é uma onda sutil e extremamente perigosa, na qual feliciano está à frente como um poodle idiota que serve muito bem pra desviar nossa atenção pro que tá realmente acontecendo: um movimento retrógrado e danoso, onde a religião é usada como régua e termômetro no fazer político.
a gente sabe que na rússia a igreja ortodoxa anda de mãos dadas com putin e seus camaradinhas e por isso mesmo a liberdade de expressão, de imprensa, individual, sexual, política etc está abaladíssima. as pussy riot são o feliciano ao contrário de moscou: todo mundo prestou atenção nelas, e esqueceu de todas as outras barbaridades que o governo russo comete contra seus opositores, pois pra eles não se pode haver oposição.
num país machista e misógino como o brasil, o crescimento das neopentecostais dentro dos setores políticos é perigosíssimo. diversidade religiosa no espaço público deve ser considerada e respeitada, mas no parlamento, considerando que estamos num estado laico e democrático, não. não. e não.
devagarzinho, esses evangélicos das neopentecostais vão fazendo suas campanhas difamatórias não somente contra seus opositores no parlamento - como jean willys - mas também contra cidadãos como eu e você, o que é amendrontante. de uma hora pra outra, uma militante feminista vira pedófila, em vídeos que ofendem a pessoa e seus familiares, mas ferem principalmente a liberdade de expressão e de oposição que o brasil tem que ter.
marina silva é um exemplo do sutil e perigoso avanço religioso na nossa política, pois ela não é histérica como os seus coleguinhas de bancada, é discreta e nada burra. mas, como seus colegas, marina não sabe separar religião dos seus deveres de parlamentar, sinto dizer, e toda vez que mete os pés pelas mãos com comentários duvidosos, culpa a imprensa, dizendo que foi mal-interpretada. não basta marina ser anti-aborto e anti-casamento igualitário, marina chega a dizer que feliciano vem sofrendo preconceito por ser evangélico. marina silva, com sua bandeirinha humanista que não acena pra todos (uma humanista seletiva, que aberração), desconsidera a militância misógina, homofóbica, difamatória e racista de feliciânus, que graças a nosso sistema político vergonhoso, pode fazer isso dentro do âmbito legal.
eu só queria dizer antes da sexta-feira chegar que é pra gente estar atento e forte.
a gente sabe que na rússia a igreja ortodoxa anda de mãos dadas com putin e seus camaradinhas e por isso mesmo a liberdade de expressão, de imprensa, individual, sexual, política etc está abaladíssima. as pussy riot são o feliciano ao contrário de moscou: todo mundo prestou atenção nelas, e esqueceu de todas as outras barbaridades que o governo russo comete contra seus opositores, pois pra eles não se pode haver oposição.
num país machista e misógino como o brasil, o crescimento das neopentecostais dentro dos setores políticos é perigosíssimo. diversidade religiosa no espaço público deve ser considerada e respeitada, mas no parlamento, considerando que estamos num estado laico e democrático, não. não. e não.
devagarzinho, esses evangélicos das neopentecostais vão fazendo suas campanhas difamatórias não somente contra seus opositores no parlamento - como jean willys - mas também contra cidadãos como eu e você, o que é amendrontante. de uma hora pra outra, uma militante feminista vira pedófila, em vídeos que ofendem a pessoa e seus familiares, mas ferem principalmente a liberdade de expressão e de oposição que o brasil tem que ter.
marina silva é um exemplo do sutil e perigoso avanço religioso na nossa política, pois ela não é histérica como os seus coleguinhas de bancada, é discreta e nada burra. mas, como seus colegas, marina não sabe separar religião dos seus deveres de parlamentar, sinto dizer, e toda vez que mete os pés pelas mãos com comentários duvidosos, culpa a imprensa, dizendo que foi mal-interpretada. não basta marina ser anti-aborto e anti-casamento igualitário, marina chega a dizer que feliciano vem sofrendo preconceito por ser evangélico. marina silva, com sua bandeirinha humanista que não acena pra todos (uma humanista seletiva, que aberração), desconsidera a militância misógina, homofóbica, difamatória e racista de feliciânus, que graças a nosso sistema político vergonhoso, pode fazer isso dentro do âmbito legal.
eu só queria dizer antes da sexta-feira chegar que é pra gente estar atento e forte.
Wednesday, May 15, 2013
seria obama o primeiro presidente feminista da história?
eu não sei vocês, mas quando o presidente dos estados unidos vem a público dizer que "estupro é estupro", eu realmente começo a acreditar num mundo mais justo.
"rape is rape"
OBRIGADA, SENHOR!
finalmente, alguém são no mundo!
Tuesday, May 14, 2013
morte e vida do meu projeto de conclusão de curso, parte 2
... eu então dividi o uso do corpo em duas categorias: "trabalhos que elevam" e "o corpo a serviço".
no primeiro, está o corpo como ferramenta de conexão com o divino e é apresentado ou utilizado de forma metafórica: são os artistas.
na segunda categoria, estão todos os outros. mas todos os outros também têm subcategorias, já que existem conexões mais complexas. por exemplo: uma estátua-viva não é artista, já que trabalha com associações e não com criação (coisa da arte), mas é entretenimento, como é às vezes o artista. o mesmo vale para um cover de elvis presley. já um pedreiro, por exemplo, entra em outra subcategoria de "o corpo a serviço", pois é o ápice do trabalho corporal, mas em nada associativo nem entretenimento, apesar de "criar" algo.
significa dizer que, na minha categorização, elvis presley cover, o engolidor de facas, a barriga-de-aluguel e o operário da construção civil desempenham o mesmo papel.
uma coisa muito importante na categoria do corpo a serviço é o exibicionismo. quase todo trabalho que tem o corpo como capital tende a ser exibicionista, mas o trabalho do artista se aproveita do paradoxo entre superfície e interior, em vez de sucumbir a ele. enquanto no outro grupo, o corpo é meio e fim. e é aí que estava meu buraco-negro: falar do corpo dos outros sem ter que "descrevê-los", abstraindo sua superfície, mostrando mais do que sua materialidade.
(quero dizer que pra falar de um engolidor de faca, não tenho que necessariamente mostrá-lo em ação. mas, se não assim, como?).
lutei semanas com essa pergunta.
(e antes que vocês me perguntem o que o vendedor que vende
sobre os artistas falo outro dia.
pra ler a parte um da série.
no primeiro, está o corpo como ferramenta de conexão com o divino e é apresentado ou utilizado de forma metafórica: são os artistas.
na segunda categoria, estão todos os outros. mas todos os outros também têm subcategorias, já que existem conexões mais complexas. por exemplo: uma estátua-viva não é artista, já que trabalha com associações e não com criação (coisa da arte), mas é entretenimento, como é às vezes o artista. o mesmo vale para um cover de elvis presley. já um pedreiro, por exemplo, entra em outra subcategoria de "o corpo a serviço", pois é o ápice do trabalho corporal, mas em nada associativo nem entretenimento, apesar de "criar" algo.
significa dizer que, na minha categorização, elvis presley cover, o engolidor de facas, a barriga-de-aluguel e o operário da construção civil desempenham o mesmo papel.
uma coisa muito importante na categoria do corpo a serviço é o exibicionismo. quase todo trabalho que tem o corpo como capital tende a ser exibicionista, mas o trabalho do artista se aproveita do paradoxo entre superfície e interior, em vez de sucumbir a ele. enquanto no outro grupo, o corpo é meio e fim. e é aí que estava meu buraco-negro: falar do corpo dos outros sem ter que "descrevê-los", abstraindo sua superfície, mostrando mais do que sua materialidade.
(quero dizer que pra falar de um engolidor de faca, não tenho que necessariamente mostrá-lo em ação. mas, se não assim, como?).
lutei semanas com essa pergunta.
august sander e roger ballen
(e antes que vocês me perguntem o que o vendedor que vende
bugingangas de porta em porta tem de performer, eu devolvo a pergunta)
fui ao circo aliás atrás de ver essa gente, e a aplicação do corpo no desempenho de funções que não são mais "contemporâneas". foi chocante, pois meus olhos "contemporaneizados" viram tudo com uma surpresa que a "era da internet" tirou há muito, e parecia que na minha frente todos os personagens de diane arbus tinham saido da jaula. mas não eram eles os culpados, somos nós em nossas jaulinhas limpinhas burguesas que não vemos mais as coisas e nos impressionamos com toda a sorte de merda, e ficamos indiferentes com aquelas que realmente importam.
circo aron, em berlim mitte.
(miscelânea)
pra ler a parte um da série.
laysa, te amamos
laysa machado, professora do colégio estadual chico mendes, em curitiba, é a musa al-fêmea da semana. laysa nasceu num corpo de menino e há alguns anos fez a cirurgia de readequação genital, ganhou na justiça o direito de readequar também os documentos e é direitora da escola onde ensia.
uma mulher dessa muda o mundo, minha gente.
(brigada, ricardo).
uma mulher dessa muda o mundo, minha gente.
(brigada, ricardo).
mundo livre!
Monday, May 13, 2013
Friday, May 10, 2013
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