Monday, June 11, 2018

um jogo oleoso de verbos



para paula ludwig
e christiane quandt, que me apresentou a ela


saí da terra que te acolheu a contragosto
já que getúlio era tipo jararaca cujo veneno
é o que cura e o que mata
queria embranquecer o brasil
mas sem perder o leite dos aliados
proibiu língua alemã e vistos
entregou olga pra gestapo
homem é uma merda independente do partido
político
tu mais do que ninguém sabe do que falo

saí da terra que te acolheu, porque queria
afinal estava tudo de boas tinha lula e democracia
nunca peguei disenteira então não sei
como tu e o filho de lênin sabiam
o que a palavra merda significa
o objeto e o adjetivo
mas sei que homem é uma merda
independente do partido político
eu mais do que ninguém sei do que te falo

saí da terra que te acolheu a contragosto
que te deixou ficar à revelia
te fazendo beber mais do que devia
vendo metáfora entre tua depressão
a sífilis a lepra o refúgio a língua
aleijadinho
à merda os homens e a vida

saí da terra que te acolheu, porque queria
e depois de oito anos emigrante
posso confirmar a teoria
que machismo não tem pátria
que homem é uma merda
e que brodagem é um projeto transatlântico
e suprapartidário
une poetas paulistas a doutores bávaros
une pedreiros marceneiros e mercenários
une golpistas enrustidos
a marinistas ambientalistas e outros fidalgos
a comunistas alemães inveterados
a neo-nazis e eleitores de bolsonaro
misoginia é enfim projeto político
é o heimat de todo macho


Sunday, May 27, 2018

falar aqui rapidaum sobre os caminhonêro


esse textao não tem pretensões de onisciência. ele é um resumo de conversas fundamentais que tenho tido com minhas migas e migos, ativistas ou não, de esquerda ou centro, é fruto da minha vivência em diversos movimentos de organização de base em duas das três cidades que morei, fruto da leitura dos jornais brasileiros na última semana, e da observação do uso das redes sociais, na última semana. a autora (eu) não tem, no entanto, intenção de onisciência no que diz respeito à complexidade do tema e espera animadamente que esse texto, se lido, inspire à mobilização na vida real ou gere debates solidários. 


1. sobre o papel das esquerdas em relação à uma greve "controversa"

em 2013, pela pressa em achar "esses daí são de direita mermo", a esquerda, por arrogância ou falta de visão, não ocupou ou fez melhor apropriação das jornadas de junho, que acaboram sendo cooptadas pela direita, e se tornaram, a longo prazo, um dos componentes que possibilitaram o golpe.

agora, comentário geral, seja ele nas internet ou na vida de carne e osso, é que os caminhoneiro apoiaram o golpe, e querem intervensaum militar, ou fazem da greve uma plataforma pró-bolsonaro. outra crítica que fazem à greve: que ela não é legítima porque tem apoio dos patrão.

uai, não é uma questão de legitimidade - quem melhor do que o trabalhador pra fazer suas próprias reivindicações? e é isso que os caminhoneiro tao fazendo.

agora, se uma greve (qualquer uma) é apoiada pelos patrão, a questão deixa de ser legitimidade. a questão passa a ser que ela não vai ser bem-sucedida para os trabalhadores. devia ser óbvio. os interesse de exploradores e explorados dificilmente serão iguais.

aí é que entra a esquerda, os sindicatos (que já não são mais de esquerda, na maioria, e isso não somente no brasil, mas no mundo), as organizacoes comunitárias de base, os movimentos sociais: para promover educação política. para fazer os trabalhadoras e trabalhadoros enxergarem sua opressão e se organizarem.

assim, com essa ausência da esquerda (POR QUEEE?), o trabalhador apoiar a direita no brasil não é de se espantar, nem é novidade ou exclusividade dos caminhoneiro. é assim: sem educação política de esquerda, e com o capitalismo neoliberal internalizado, o trabalhador acha que a única forma de se emancipar é virando patrão. o que o caminhoneiro quer é ele mesmo ser capaz de comprar seu próprio caminhão, fazer lucro e depois comprar outro e depois outro, para que um dia ele mesmo tenha sua frota (e explore outros caminhoneiros, como ele próprio, atualmente). ele tá errado de querer uma vida melhor? não né!

deve ser por isso que tanta gente de esquerda (principalmente a facebookiana que, no fim das contas, é a que mais tem opinião mas a que mais tá afastada das ruas), cagou pra questão ("eles apoiaram o golpe então fodase").

era pra estratégia da esquerda ser outra. aliás: era pra esquerda ter uma estratégia.

é fundamental apontar isso. mas o que vamos fazer?

a situação é bem diferente de 2013, mas o plot é parecido: um acontecimento político acontece fora do âmbito organizacional das esquerdas e ninguém sabe muito bem o que fazer.

eu já podia começar perguntando: que caralho estamos fazendo de errado, para que uma greve não tenha sido organizada por nós? e mais: que caralhos estamos fazendo de errado que "Nos grupos de WhatsApp, os manifestantes também se gabam que o apoio ao movimento está ganhando força entre a população por não haver bandeiras da CUT, camisas do PT, gritos de Lula Livre, MST, apoio de artistas"????

a pergunta que importa não é "ai meo deus o que deveríamos ter feito há 20 anos que evitasse estarmos como estamos hoje?" (resposta: organizar, mores), e sim o que temos que fazer agora. o que vamos pensar de nós mesmos, ativistas de esquerda, daqui a 20 anos, quando analisarmos a greve dos caminhoneiros?

a reação dos petroleiros, e escrevo isso sem ter tido tempo de me informar sobre os bastidores da greve, e sem conhecer a fundo (mas simpatizar bastante com) o funcionamento do sindicato dos petroleiros, é, para mim, uma das melhores notícias.

para além disso, precisamos, todos e todas, aderir e nos engajar em movimentos de organização social de base. se filiar a um partido de esquerda também não é má ideia. procure no seu bairro, na sua universidade, entre os amigos. pergunte pra mim!

a resposta é bem padrão e eu já tô me sentindo repetitiva: organizassaum.

resumo: é pra gente sair do FB e se juntar a um grupo de organização de base na vida real. invistir o mermo tempo que se gasta fazendo textao, numa nova rotina coletiva, no qual se tenha contato com uma perspectiva e de educação de esquerda, para que mais pra frente sejamos um vetor para organizar e mobilizar e emancipar mais pessoas.

(eu só posso falar da minha experiência: é extremamente cansativo inserir, num dia-a-dia já cheio de afazeres, uma prática ativista. mas não somente é importante moralmente, como, num sentido bem egoísta, fazer ativismo acabou com metade das mimimi-nhas crises existenciais e acabou com meu desânimo político. me cansa, mas nunca me desanima).



tentei fazer uma colagem véa
da cabeça de marx
em cima da de sula miranda
mas não tenho photoshop
e não consegui fazer no paint
então vão as duas foto assim
separdjinhas
igual o capitalismo quer a gente
(separados)


2. sobre o povo ir pra rua

eu não sou daquelas que acha que ir pra rua é a estratégia que serve pra tudo, nem aquelas que acha que "ir pra rua" é o que constitui a militância (não é, craro).

mas também acho que fazer nada ajuda menos ainda. a sociedade civil no fim das contas foi a mais afetada por essa greve, mas é a que, por omissão, ignorância, ódio, cansaço etc., tem sido a menos participativa, a que tem feito menos intervencoes no andar da carruagem.

qual a primeira preocupação das pessoas? tem gasolina pro MEU carro? tem comida no supermercado da MINHA rua?

essa indeferenca é somada a um ingrediente fundamental pra solar esse bolo, que tinha tudo para ter uma pauta radical, mas mais parece uma novela da globo: alguns caminhoneiros têm pauta uma política conservadora e de direita, e estão usando a greve como plataforma para essas pautas (e porque não deveriam? eles estão na rua, uai): fora temer, e pró-intervenção militar, e pró-bolsonaro.

a greve vai ser apenas um bode-expiatório pra qualquer uma das instância de poder que conseguir ganhar a corrida ideológica, com o projeto que essas instâncias já tinham antes da greve: temer e suas miga, os milicos, bolsonaro, os eua, a bancada evangélica, luciano huck, enfim OS CAPITALISTA. quem ganhar, vai usar a greve de uma maneira oportunista, para justificar o que eles na real já queria fazer.

onde entra nóis, as pessoas?

eu tô convencida de que as pessoa devia era ir pras ruas em manifestacoes, vigílias, passeatas, ocupações. com a legitimidade de ter sido a sociedade civil a que foi a real afetada por essa greve, sendo que as negociações estão sendo feitas ao largo dos seus interesses.

outra questão importante que temos que reivindicar e nos apropriar é a questão ideológica: as ocupações de rodovias estão sendo feitas (não somente, mas também) com faixas de foratemer, pró-milico, pró-bolsonaro, sem representar pelo menos 32% da população que por exemplo votaria em lula.

a pauta, a motivação, caso a gente fosse se meter nesse auê (devia), não pode ser essa escrotidão que a gente tem visto nas redes sociais, tipo "cadê a gasolina pro meu uber?" e sim:

a) fazer um statement de solidariedade: aos caminhoneiros e suas pautas de redução de preços, às lutas pelos direitos de todxs xs trabalhadores (inclusive os de direita);
b) fazer o statement politico: a sociedade civil apoia a greve mas é pro-democracia (ou seja, pró-eleições, anti-intervenção militar);
c) fazer o statement econômico: anti-interesse de patrão (que na real tao cagando pros caminhoneiros e qualquer outra classe trabalhadora) e anti-sucateamento da petrobras (que é, no caso especifico dessa greve, o que aumenta o preço do combustível. por isso, aliás, que a adesão dos petroleiros é uma das coisas mais importantes que aconteceu nesses 7 dias. viva).


3. sobre o discurso míope de que precisamos andar mais de bicicleta e comer menos carne e consumir produtos locais.

eu vou começar citando a grande anarcobucetalista Tithi Bhattacharya, quando ela diz: EU QUERO QUE OS TRABALHADORES QUEIRAM TUDO.

o que ela quer dizer com isso, é: porque é que toda vez que entramos num momento de crise, corta-se do prato e da vida dos trabalhadores? não são mudanças no âmbito pessoal que vão mudar a estrutura, ainda que ajustes no nosso estilo de vida sejam necessárias.

a venda de 4 refinarias da petrobras (sendo que elas geram empregos) e o aumento de preços (sendo que os custos internos não aumentaram), feito para responder a uma demanda econômica internacional, deixam escancarados o projeto golpista de sucatear a petrobras, para depois poder convencer a opinião público de que ela é um problema para depois vendê-la, a preco de banana, para multinacionais.

por que, diante de um cenário desse, é o trabalhador de guaianazes quem deve ir pro trabalho de bike até o anhangabaú? FALA PA MIAM.

é muito fácil para bonitona do leblon dizer que precisamos andar de bike, mas quero ver ela subir o morro, de bike, de noite, depois de um dia inteiro limpando banheiro da globo. NÃO VAI. vai andar de bike em recife na conde da boa vista pra tu ver o que é bom.

e porque é o trabalhador que tem que comer menos carne?

esse modelo de sustentabilidade made in vila madalena ignora que a realidade brasileira é a seguinte: as pessoas têm na carne e na coca-cola do domingo (se é que podem comer carne e coca uma vez por semana! vai lá em gravatá do jaburu ver como é a vida das pessoas!) seu momento de glória. um pedreiro de toritama não quer comer porra de carne de jaca no finde. quer dizer, talvez até queira, mas não é arrogância política. ele tá errado? ele quer é beber seu dolly guaraná e encher a cara com seu litrao (e eu tb). e sim esses produtos precisam de liiiitros de diesel pra chegar no interior de pernambuco sim. so what? a culpa é dele que o capitalismo nos fudeu a todos? me poupe.

mudança individual sem engajamento pela emancipação de todos e todas é bonitinho e tal mas é inútil. a blogueira que ensina a produzir menos lixo, é massa e tal aprender dicas de como reutilizar as coisas, mas daí a elas dizerem que a resolução do problema está no veganismo... eu me pergunto o que essas pessoas anti-lixo têm feito para emancipar as pessoas que dependem do lixo pra viver - catadores de papel, de alumínio, pessoas que vivem nos lixões? o que essa gente tem feito pelo fato de que há estados no brasil (e nao tô falando do nordeste nao, cofcof) apenas 16% das casas têm acesso à rede de esgoto?

PELOAMORDEDEUS.

eu estou ciente de que o brasil tem um potencial de transporte fluvial que é um dos maiores do mundo e que devíamos usar menos combustíveis fosseis e menos rodovias e ser mais fodástico com o meio-ambiente. concordo plenamente que uma das pautas da esquerda deve ser justamente uma abordagem revolucionária em relação ao uso (ou não-uso) de recursos naturais . mas daí a responsabilizar o trabalhador pelo estado atual e/ou esperar dele atitudes isoladas que promovam redução de danos é como achar que a culpa pela poluição do do mundo e pelas foca morrer afogada no pacífico é dos canudinho de plástico e das buceta das mulher que precisam de modess - E NÃO DO CAPITALISMO.

vlw flw.



Friday, May 25, 2018

foi uma arma alemã que matou marielle franco



Arma alemã matou vereadora no Rio de Janeiro

Submetralhadora do fabricante Heckler & Koch foi usada no assassinato
Ativistas anti-armas pedem proibição total de exportação de armas para o Brasil

artigo de niklas franzen, publicado no neues deutscland em 12 de maio de 2018 e traduzido pelo coletivo bolagato edições anarcobucetalistas. para ler o original, clique aqui.



 © reuters


Tiros sacudiram profundamente a esquerda do Brasil. Em 14 de março, a proeminente ativista de direitos humanos e vereadora Marielle Franco foi assassinada, no centro do Rio de Janeiro. Franco estava voltando de um evento quando estranhos atiraram em seu carro. Quatro tiros atingiram a vereadora, ela morreu no local. Agora, as investigações policiais revelaram que Franco foi assassinada com uma submetralhadora do fabricante de armas alemão Heckler & Koch.

De acordo com a imprensa, baseada em informações de um policial, deveria ser uma MP5 [nota da Adelaide: uma submetralhadora 9mm do fabricante acima citado]. Esta arma é usada no Brasil principalmente por unidades policiais especiais. A polícia civil investigadora não quis comentar o caso.

Os fabricantes declararam, em 2016, fornecer armas apenas os chamados "países verdes", ou seja, membros da OTAN ou Estados que são equivalentes aos membros da OTAN. Ainda não está claro se a Heckler & Koch continua a fornecer armas para o Brasil. A empresa não respondeu às perguntas enviadas pelo »neues deutschland«. O que está claro: centenas de milhares de armas alemãs continuam circulando no Brasil.

Armas alemãs no Brasil
O fornecimento de armas ao Brasil tem tradição: centenas de milhares foram vendidas ao maior país da América Latina nas últimas décadas. Durante a supressão de uma rebelião na Prisão do Carandiru, em São Paulo, em 1992, 111 prisioneiros foram mortos pela polícia. A maioria dos tiros foram disparados com metralhadoras Heckler & Koch MP5, que foram exportadas da Alemanha para o Brasil. Mesmo antes da Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, muitas armas de guerra para uma suposta "libertação" das favelas foram exportados para o Brasil.

Alemanha pode vender armas para países como o Brasil apenas em casos excepcionais, de interesse da segurança nacional alemã, ou de política externa. De acordo com o relatório de exportação de armas do governo alemão, de 2017, nos primeiros quatros meses de 2017 foram concedidas 37 licenças individuais de exportação, no valor de quase 11 milhões de euros. A pedido do "neues deutschland", o porta-voz do Ministério da Economia alemão comentou: "Temos uma abordagem responsável e restritiva à política de exportação de armas. Nós decidimos caso a caso, com base em princípios políticos. A situação dos direitos humanos também desempenha um papel importante aqui".

Mas isso é catastrófico no Brasil. O país é um dos estados mais perigosos para os defensores dos direitos humanos e ativistas sociais do mundo. A violência aumentou dramaticamente nos últimos anos. Em 2017, quase 60.000 pessoas foram assassinadas - mais do que nunca. Em uma entrevista com o "neues deutschland", o sociólogo e criminologista Sérgio Adorno advertiu recentemente sobre uma "mexicanização da situação de segurança" [nota da Adelaide: mexicanizacao é um termo racista e eu nao gosto dele, mas voilá, tem acadêmico que usa]. As estruturas estatais no Brasil foram cada vez mais infiltradas pelo crime organizado. Como no México, uma "guerra às drogas" está ocorrendo em muitos estados. Embora haja proibições de exportação de armas em estados mexicanos individuais, as armas alemãs ainda são vendidas ao Brasil. Assim, é provável que as empresas alemãs continuem ganhando pesado com o rearmamento e as condições de guerra em muitos lugares pobres.

"As entregas de armas para o Brasil estão erradas em todos os sentidos. Quem aprova fornecimento de armas de guerra para empresas e governo brasileiros, ajuda a violar os direitos humanos e colabora com os assassinatos", afirma Jürgen Grässlin, porta-voz da campanha "Aktion Aufschrei - Stoppt den Waffenhandel! ("Acao Grito - Parem o comércio de armas!"). "O fornecimento de armas é moralmente condenável e legalmente questionável, ou mesmo ilegal."

Fornecimento de armas para o Brasil nunca é "seguro"
O caso da vereadora assassinada Marielle Franco também revela a falha da política de segurança no Brasil. Investigações recentes da polícia brasileira apontam para uma trama de assassinato em que políticos e ex-forças de segurança estão envolvidos. Segundo informações do jornal "O Globo", uma testemunha teria fornecido informações precisas sobre os mandantes do crime e suas motivacoes. Assim, os mandantes seriam Marcello Siciliano, do partido de centro-direta PHS, e um ex-policial militar e líder de milícia. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, também confirmou na quinta-feira que está investigando os dois homens. Segundo pesquisa da Intercept Brasil, um policial do BOPE poderia ser responsável pelo assassinato. A comissão que investiga homicídios pediu ao BOPE para submeter todas as metralhadoras HK MP5 para uma comparação balística.

A vereadora negra de 38 anos foi uma das vozes mais fortes contra a brutalidade policial e o racismo no Rio de Janeiro. A própria Franco vinha de um bairro pobre, a favela da Maré, no norte do Rio de Janeiro. Também no oeste da cidade Franco estava ativa e criticava repetidamente a polícia e a milícia (associações criminosas, paramilitares, coordenadas por policiais reformados ou ainda ativos,  soldados e bombeiros, que controlam deforma violenta os bairros pobres). De acordo com a testemunha, Siciliano, que teria laços estreitos com a milícia, estava irritado com a crescente influência do partido de Franco, o partido de esquerda Socialismo e Liberdade (PSOL).

Não só recentes investigações mostram que as fronteiras entre política, forças de segurança e crime organizado estão fluindo no Brasil. Um ativista de direitos humanos que não quer ser identificado, vem da mesma favela que Franco, e informou ao "neues deutschland" que grande parte dos traficantes comprar suas armas diretamente de policiais corruptos.

A polícia também comete sérios crimes contra os direitos humanos. Ativistas de todo o país relatam intimidação, tortura e assassinatos. Em nenhum lugar do mundo a polícia mata tão freqüentemente quanto no Brasil. As vítimas geralmente são a população negra e pobre dos subúrbios. Os ativistas falam até mesmo de um "genocídio da juventude negra". Os militares também são criticados por crimes sérios contra os direitos humanos.

Jürgen Grässlin exige: "Precisamos de uma proibição total da exportação de armas para acabar com as matancas, cometidas também com armas alemãs. As armas de guerra existentes devem ser recolhidas e destruídas".

Thursday, May 10, 2018

mppf #7 especial cir-cuzão!


o MPPF! #7 tá no ar! essa edição  nasceu do genial texto “on circlusion”, de bini adamczak, em que a pesquisadora propõe uma nova percepção dos conceitos de passivo e ativo no sexo (e na vida). assim, xs autores deste zine foram convidadxs a escrever poemas inéditos, motivadxs pela leitura deste texto e pelas ideias propostas por bini (com exceção de lilian sais, cujo poema foi escrito anteriormente).

agradecemos a fernanda elias, organizadora do cine sapatão, que deixou a gente usar a tradução pro brasileiro que ela fez de "on circlusion" e à amiga xenia dwertmann, do coletivo female trouble, por ter me mostrado o texto.




o MPPF! #7 tem:

bini adamczak (1979, vive em berlim) é teórica social, escritora, performer e artista visual, vinculada à esquerda radical. escreve sobre teoria política e política queer. seu livro maravilhoso (palavras da adelaide) "Kommunismus: Kleine Geschichte, wie es endlich anders wird" foi lançado pela unrast verlag, em 2004. em 2017 a versão em inlgês foi publicada pela MIT press ("communism for kids") e pro espanhol pela editora akal ("Comunismo para todxs Breve historia de cómo, al final, cambiarán las cosas").

regina azevedo (natal, 2000) é autora dos livros "das vezes que morri em você", "por isso eu amo em azul intenso" e "pirueta".

rafael mantovani (são paulo, 1980) é poeta e tradutor. seu primeiro livro "cão" foi lançado em 2011 pela editora hedra.

antônio lacarne (fortaleza, 1983) é poeta e professor. publicou os livros "elefante-rei: poemas b" (2009) e "salão chinês" (2014).

cecília floresta (são paulo, 1988) é poeta e editora. "poemas crus" é seu primeiro livro, publicado pela editora patuá em 2016.

lilian sais (são paulo, 1985) é poeta, pesquisadora e tradutora.


a versão em ingrêis do zine foi lancada dia 5 de maio de 2018 (dia do b'day de karl marx!) tem xs mesmxs autores, traduzidxs pelas adoradas criaturas: sophie lewis, comunista queer, tradutora e "às vezes professora de política"; francisco vilhena, editor-assistente na revista granta e tradutor; chris daniels, tradutor e guerrilheiro em oakland, califórnia.





lançado em março de 2018 durante o festival feminista de lisboa, agora o .pdf do MPPF! #7 em português está à venda em forma de doações, via paypal. com o dinheiro arrecadado cas vendas de uma edição, a gente financia a próxima (que no caso é o mppf! #8: MARX PORNÔ, POR FAVOR!). o valor é sugerido é a partir de R$ 4 (ou seja, 1 euro, que é a moeda na qual compro papel, tinta de impressora etc.), mas se você puder doar mais é claro que nóis aceita HAHAHA

depois que você fizer a doação, eu recebo uma notificação por email e mando o pdf pro seu email. uma vez que você receber seu zine, pode imprimi-lo, xerocá-lo, fazer o que quiser com ele, quantas vezes quiser. ele deve ser impresso em papel A4, frente-e-verso, em formato retrato (vertical).




o zine mais pornô, por favor! nasceu em dezembro de 2016, em recife, nordeste do brasil. é um zine independente, anarcobucetalista, que se apropria do termo "pornografia" para espalhar no mundo poesia erótica queer e feminista (brasileira, portuguesa e em tradução). nosso o objetivo é torcer a lógica capitalista, misógina, sexista, transfóbica e homofóbica do pornô mainstream. 



Thursday, March 15, 2018

albert camus


se alguém tivesse me dito que seria assim
eu não teria acreditado
guerras civis
crise econômica
fim do mundo
eu e você
sobrevivemos a tudo isso
entre as nossas guerras
civis
as nossas crises
econômicas
os fins
dos nossos mundos
as separações
eu
no meu mundo
você
algures
se alguém tivesse me dito que seria assim
eu não teria acreditado
vinte anos
algumas guerras
aquecimento global
um golpe
outro golpe
eu e você no mundo

e ainda assim eu não teria acreditado:
sobrevivemos à adolescência
a maior das guerras
pais mortos mães
e eu não teria acreditado

se alguém tivesse me dito que seria assim
eu teria pensando
essas coisas só acontecem nos filmes
nas novelas
e nas novelas

eu nunca teria acreditado que apesar dos silêncios
desse dedo indicador na boca
sobreviveríamos
aos golpes
um
e outro
e um
ao outro

perdemos os melhores amigos
nossos melhores amantes
e apesar de tudo
ficamos
eu e você
no mundo
inabaláveis
inconcebíveis

sobrevivemos à morte
ao exílio
e nem isso
por abstração
ou vontade
nos termina

eu e você
existimos
um projeto impossível
incompleto e,
ao que parece, eterno

vinte anos é o tempo
de vida dos castores
dos porco-espinho
dos pardais
e de outros projetos que desconheço
e como eles
aqui estamos
na cidade
vinte anos depois
esvaziando copos
sem conseguir pagar a conta
perdendo o último metrô
mas aqui estamos
e não desistimos

apesar de tudo

você vai pro mundo
eu vou pra casa
separados por uma bússola
uma cidadania
um passaporte que não compartilho
mas unidos pelo desejo de não morrer
nem de estar
separados

eu te celebro
tua juventude
a que aparentas e a que trazes
contigo
a doçura da qual nunca fui destinatária
mas na qual confio:

eu sei que ela está aí

te levo comigo
como sempre te trouxe
nunca não estiveste
sempre comigo
numa tatuagem que não era pra você
mas que devia ter sido

te celebro
como nunca te deixei de celebrar
e te agradeço
todos os dias
por tudo
foste o primeiro homem
e ainda és

Wednesday, February 14, 2018

Precisamos de um feminismo para os 99%. É por isso que entraremos em greve neste ano



. tradução do manifesto "We need a feminism for the 99%. That's why women will strike this year", de Linda Alcoff, Cinzia Arruzza, Tithi Bhattacharya, Rosa Clemente, Angela Davis, Zillah Eisenstein, Liza Featherstone, Nancy Fraser, Barbara Smith e Keeanga-Yamahtta Taylor, publicado no The Guardian em 27 de janeiro de 2018
. traduzido por adelaide ivánova na série "é doutrinação esquerdista suficiente ou tá pouco?", inventada e liderada por ela mesma




marcha de 8 de março de 2017 em são paulo
em foto de santarosa barreto


Em 8 de março, entramos em greve contra a violência de gênero, contra os homens que cometem violência e contra o sistema que os protege 


No ano passado, no dia 8 de março, nós, mulheres de todos os tipos, fizemos passeatas, paramos de trabalhar e tomamos as ruas em 50 países em todo o mundo. Nos EUA, nos reunimos, marchamos, deixamos os pratos para os homens lavarem, tanto nas principais cidades do país, como nas menores. Nós fechamos três distritos escolares para provar ao mundo, mais uma vez, que, se somos nós que sustentamos a sociedade, também temos o poder de parar tudo.

8 de março está chegando e as coisas pioraram para nós como mulheres neste país.

Em um ano da administração do Trump, nós não somente sofremos abusos verbais e ameaças misóginas em declarações oficiais, como também o regime Trump implementou políticas que continuarão a nos atacar de maneira profundamente institucional.

A Lei de Cortes Fiscais e Emprego acaba com isenções que beneficiam trabalhadores com baixos salários, dos quais a grande maioria são mulheres. A Lei almeja acabar com o Medicaid e Medicare, os únicos dois programas que sobraram nesta cruel paisagem neoliberal, programas estes que apoiam os idosos e os pobres, os doentes e pessoas com necessidades especiais, o planejamento familiar e as crianças - e, portanto, as mulheres, que sao as que fazem o trabalho de cuidar destas pessoas. E enquanto a Lei retira o direito à saúde para crianças imigrantes, introduz o conceito de poupança para que "crianças não nascidas" possam ir à uma universidade no futuro [nota de Adelaide #1: nos EUA o ensino superior é privado e caríssimo], uma forma sorrateira de estabelecer por lei "direitos" da "criança não nascida", agredindo nosso direito fundamental de tomar decisões sobre nossos corpos.

Mas isso não é tudo.

Com estas múltiplas declarações de guerra abertas contra nós, não nos acovardamos. Nós lutaremos.

Quando, no fim do ano passado, mulheres com visibilidade pública e acesso à mídia internacional decidiram quebrar o silêncio sobre assédio e violência sexual, as comportas foram finalmente abertas e um fluxo de denúncias públicas inundou a web. As campanhas #Metoo, #UsToo e #TimesUp tornaram visível o que a maioria das mulheres já conhecia: seja no local de trabalho ou em casa, nas ruas ou nos campos, nas prisões ou nos centros de detenção, a violência de gênero, com seu impacto diferencial racista, assombra a vida cotidiana das mulheres.

O que também ficou claro é que o silêncio público sobre algo que sempre conhecemos, sofremos e lutamos contra, não existe simplesmente porque temos medo ou vergonha de falar: o silêncio é uma imposição. É imposto pelas leis do Congresso que fazem com que as mulheres passem por quase um ano de aconselhamento e mediação obrigatórios, se elas se atreverem a fazer uma queixa oficial. É imposto pelo sistema de justiça criminal que rotineiramente descarta a palavra das mulheres, usando camadas adicionais de intimidação e violência. Nas universidades, os administradores encontram jeitos espertinhos e "legais" para proteger a instituição e o estuprador, enquanto jogam as vítimas para os lobos. As bases racistas destes procedimentos legais exigem solução.

#Metoo, #UsToo e #TimesUp não expõem apenas indivíduos estupradores e misóginos, eles rasgaram o véu que esconde as instituições e as estruturas que protegem esses indivíduos.

A violência de gênero racial é internacional, e internacional deve ser também a luta contra ela. O imperialismo, o militarismo e o colonialismo dos EUA promovem a misoginia em todo o mundo. Não é por acaso que Harvey Weinstein usou a empresa de segurança Black Cube, composta por antigos agentes do Mossad e outras agências de inteligência israelenses, em seus longos anos tentando silenciar e aterrorizar as mulheres. Sabemos que o mesmo Estado que envia dinheiro a Israel para brutalizar o palestino Ahed Tamimi e sua família também financia as prisões nas quais mulheres afro-americanas como Sandra Bland, dentre outras, morreram.

Então, em 8 de março, vamos entrar em greve contra a violência de gênero - contra os homens que cometem violência de gênero e contra o sistema que os protege.

Acreditamos não ter sido por acaso que foram nossas irmãs em [mais alta] posição social que tornaram visível o que todas nós já conhecemos. Elas têm mais meios para fazê-lo, do que a nossa irmã de baixo salário, muitas vezes mulher de cor, que limpa os quartos dos hotéis chiques em Chicago ou a irmã agricultora nos campos californianos.

A grande maioria de nós não pode falar porque não temos poder coletivo em nosso local de trabalho, nem temos, fora do local de trabalho, acesso a apoio social, como por exemplo serviços de saúde. O trabalho, mesmo com seu salário baixo, com colegas e chefes abusivos, com suas longas jornadas, torna-se a única coisa que tememos perder, já que é o único meio que temos para colocar comida na mesa das nossas famílias e cuidar de nossos doentes.

Nós não mantemos a boca fechada [por vontade própria]. Somos obrigados a manter nossas bocas fechadas pelo capitalismo.

Então, no dia 8 de março, falaremos em primeira pessoa contra os agressores individuais que tentaram arruinar nossas vidas e falaremos coletivamente contra a insegurança econômica que nos impede de falar.

Vamos entrar em greve porque queremos expor nossos abusadores, um a um. E vamos entrar em greve porque precisamos de bem-estar social, empregos e salários para alimentar nossas famílias, bem como o direito de sindicalizar, caso sejamos demitidas por confrontamos os abuso.

Assim, em 8 de março, vamos entrar em greve contra o encarceramento em massa, a violência policial e os controles nas fronteiras, contra a supremacia branca e as guerras imperialistas dos EUA, contra a pobreza e a violência estrutural escondida que fecha nossas escolas e nossos hospitais, envenena nossa água e comida e nos rejeita a justiça reprodutiva.

E entraremos em greve por direitos trabalhistas, a igualdade de direitos para todos os imigrantes, a igualdade de remuneração e um salário digno, porque a violência sexual no local de trabalho aflora exatamente onde faltam esses métodos de defesa coletiva.

8 de março de 2018 será um dia do feminismo para os 99%: um dia de mobilização de mulheres negras e de cor, mulheres cis e bi, lésbicas e trans, dos pobres e da baixa renda, de cuidadores não remunerados, de profissionais do sexo e migrantes.

Em 8 de março, #WeStrike.

assinam Linda Alcoff, Cinzia Arruzza, Tithi Bhattacharya, Rosa Clemente, Angela Davis, Zillah Eisenstein, Liza Featherstone, Nancy Fraser, Barbara Smith, Keeanga-Yamahtta Taylor

Monday, January 22, 2018

mas pelo menos o capitalismo é livre e democrático, néam?



. trecho do texto "but at least capitalism is free and democratic, right?", de erik olin wright (é um omi, foi mals) publicado no livro "the abcs of socialism"
. traduzido por adelaide ivánova na série "é doutrinação esquerdista suficiente ou tá pouco?", inventada e liderada por ela mesma



essa foto nao tem nada a ver
com esse texto mas pus aqui
pra atrair cliques



nos eua, muitos têm certeza que liberdade e democracia estão inevitavelmente conectados com capitalismo. milton friedman, no seu livro "capitalismo e liberdade", chegou a dizer que capitalismo era uma condição necessária para [a existência de] ambos.

sim, é verdade que o aparecimento e dispersão do capitalismo trouxe consigo uma expansão tremenda de liberdades individuais e, eventualmente, lutas populares por mais formas democráticas de organização política. assim sendo, dizer que o capitalismo obstrui tanto liberdade quanto democracia soa estranho para muitas pessoas.

dizer que capitalismo restringe o crescimento desses valores não significa dizer que capitalismo é contra liberdade e democracia em tooodas as instâncias. É o contrário: no funcionamento de seus processos mais fundamentais, o capitalismo gera déficits severos tanto para a liberdade quanto para  a democracia, danos esses que o capitalismo tampouco pode remediar. foi o capitalismo que promoveu o surgimento de certas formas, ainda que limitadas, de liberdade e democracia, mas foi também o capitalismo que impôs muitas limitações ao desenvolvimento de ambas.

(...)

há cinco formas em que essas limitações se tornam aparentes:

1) "trabalhe ou morra de fome" não é liberdade

o capitalismo está ancorado na [relação entre] acumulação privada de riqueza e procura por salários. as desigualdades econômicas que resultam dessas atividades "privadas" são intrínsecas do capitalismo e criam outras desigualdades que o filósofo philippe van parijs chama de "liberdade real".

o que quer que signifique "liberdade", dentro de sua definição deve estar inserida a habilidade de dizer "não". uma pessoa rica pode livremente decidir se ela quer ou não trabalhar em troca de um salário; uma pessoa pobre sem um meio independente de subsistência não pode tomar essa decisão tão facilmente.

mas o valor de liberdade é mais profundo que isso. também é a habilidade de agir positivamente para a realização de seus próprios projetos -- ou seja, não somente poder decidir quais repostas, mas também quais perguntas você quer fazer.

os filhos de pessoas ricas podem fazer estágios não-remunerados para avançar nas carreiras; os filhos de pais pobres, não.

nesse sentido, o capitalismo tira sim muita liberdade das pessoas. pobreza e abundância existem por causa de uma equação direta entre recursos materiais e os recursos necessários para a autodeterminação. [nota da adelaide #1: o que ele quer dizer é: só tem a tal da autodeterminação quem tem dinheiro pra comprar ela haha]

2) capitalistas decidem

no capitalismo, a forma como o limite entre público e privado é criado impede que decisões cruciais, que afetam grandes quantidades de pessoas, sejam decididas democraticamente. talvez o direito mais fundamental que as empresas privadas têm é o direito de decidir investir ou desinvestir com base estritamente no seus próprios interesses.

a decisão de uma corporação, de investir em um lugar e não investir em outro, é uma questão privada, muito embora essa decisão tenha um impacto radical nas vidas de todas as pessoas, em ambos os lugares. mesmo que uma pessoa argumente que essa concentração de poder na iniciativa privada é necessária para a alocação eficiente de recursos, excluir esse tipo de decisão do controle democrático dizima a capacidade de autodeterminação -- exceto para aqueles que possuem capital.

3) jornada de 8 horas é tirania

empresas capitalistas estão autorizadas a terem ambiente de trabalho ditatoriais. uma parte essencial do poder do dono da empresa é o direito de dizer aos seus contratados o que fazer. essa é a base do contrato de trabalho: o candidato concorda em seguir as ordens de um dono de empresa em troca de um salário.

claro, um dono de empresa pode dar aos trabalhadores autonomia, se ele quiser, e em algumas situações essa é a forma de aumentar mais ainda os lucros. mas essa mesma autonomia é dada ou retirada de acordo com o bel-prazer de um dono de empresa [nota da adelaide #2: aquela balelinha do silicon valley de jornada de cinco horas de trabalho e ambiente de trabalho mais amigável com mesa de pingue-pongue e blablabla não é pensada pra melhorar a vida do trabalhador ATE PQ AS MUIE CONTINUA SENDO PAGA 30% MENOS NEAM, nem tem como objetivo dividir a riqueza produzida pelo trabalhadores, entre os trabalhadores. essa balela é pensada para a) aumentar a produtividade para que b) aumente-se os lucros que c) NAO SERAO divididos entre os trabalhadores que aumentaram os mesmo lucros. mais sobre isso no livro "the new spirit of capitalism", que eu nao li ainda haha]. ora, uma concepção real de autodeterminação não permitiria que autonomia dependesse da preferencia das elites.

um defensor do capitalismo poderia responder que um trabalhador que não goste das regras do seu chefe tem sempre a possibilidade de pedir demissão. mas já que trabalhadores, por definição, não são donos de formas independentes de subsistência, se ele pedir demissão terá que procurar por um novo trabalho, onde terá que se submeter a regras de um outro dono de empresa.

4) governos estão a serviço do interesse de capitalistas

controle das empresas em decisões importantes sobre onde serão feitos investimento cria uma pressão constante nas autoridades publicas, para que estas tomem decisões favoráveis aos interesses dos capitalistas. a ameaça de desinvestimento e mobilidade do capital é sempre um pano de fundo para discussão das políticas públicas e assim, políticos, qualquer que seja sua orientação ideológica, são forcados a se preocupar em sustentar um "bom clima para os negócios". [nota da adelaide #3: mais para frente, em parte deste texto que não traduzi, wright escreve: “um setor publico forte e investimentos estatais podem enfraquecer a ameaça de retirada do capital” ;) #lula2018].

valores democráticos tornam-se vazios enquanto uma classe de cidadãos tiver prioridade sobre a outra.

5) elites controlam o sistema político

por último, gente rica tem mais acesso ao poder politico do que outras. esse é o caso em todas as democracias capitalistas, ainda que esse fenômeno seja maior em alguns países do que em outros.

os mecanismos específicos para conseguir mais acesso ao poder político variam: contribuição em campanhas políticas, financiar lobbies; formas variadas de network das elites; propinas e outras formas de corrupção.

nos eua, tanto indivíduos ricos como corporações capitalistas, não encontram qualquer restrição para a forma como usam recursos privados com objetivos políticos. esse acesso diferenciado ao poder político anula o princípio mais básico de democracia.

essas consequências são endêmicas do capitalismo enquanto sistema econômico.

(...)

as características antidemocráticas e anti-liberdade do capitalismo podem até ter paliativos, mas não podem ser eliminadas. domar o capitalismo com paliativos foi o objetivo central das políticas dos socialistas dentro de economias capitalistas. mas se liberdade e democracia são nossos objetivos, o capitalismo não pode ser apenas domado. tem que ser eliminado.


FIM!