Sunday, May 30, 2010

do direito de não dizer nada

semana passada escrevi um post bem sabido no blog do paraty em foco, inspirada num email de pio figueiroa, nos vídeos de ricardo domeneck e nas fotos de timo klos. e as prerrogativas desse texto inspiraram, além de um monte de conversa gostosa/calorosa no estúdio madalena, vários comentários no blog do pef.

o que mais me pegou foi o do paulo, do garapa. eu fiquei dias pensando no comment dele, porque... eu discordo tanto! principalmente da última frase: "Agora, artista que não quer dizer nada... duvideodó". vale dizer que amo pessoas que discordam e dizem, como fez o paulo. não tenho nenhum problema quando não pensam igual a mim - então antes que vocês achem que esse post foi movido por recalque, devo deixar mais que claro que ele foi movido por pensamentos gerados pela opinião do paulo!

fiquei pensando nas gongadas que já tomei em leitura de portfolio, quando eu mostro meu trampo e o cara fala: "e o que você quer dizer com esse auto-retrato?" e eu respondo, sempre: "eu, nada. e você? o que quer dizer com essa pergunta enfadonha?" HAHAH mentira nunca respondi assim, paro no "nada", mas bem que devia concluir a insolência. os pessoal sempre fala que eu preciso ter discurso político...

mas eu não sou a dilma. o ponto é: pode até ser que eu queira dizer alguma coisa, mas isso não quer dizer que eu queira dizer o que quero dizer para quem vê a foto. ao menos, não assim, de cara.

eu vou usar dois homens que respeito muito na hora de embasar minha vontade de não dizer nada: armin e raimundo carrero (toma um wikipediazinho pra quem nunca ouviu falar no homem).

armin nasceu e morou até os 20 anos numa vila com 800 habitantes no sul da alemanha e é enfermeiro num hospital psiquiátrico de velhinhos. ele é xucro. não tem tempo pra essa blablalização da arte - e foi com ele, no entanto, que tive grandes conversas sobre o so-called fazer artístico. aulas mesmo.

dia desses ele falou assim, num email, tentando me consolar de mais uma gongada portfolio-zal: "não é o artista que tem que criar significação pra sua obra. é o espectador que tem dar significado ao que ele vê".

armin é como se fosse meu richard do texas, de "comer rezar amar". é um bom selvagem com sabedoria desconcertante (apesar de ser nazista hihi).

o outro, raimundo carrero, embasou minha crença artística no editorial da 51ª edição do suplemento pe. ele fala assim:

"para flaubert, a frase vale pela sonoridade ou não, pelo ritmo ou pelo andamento. estética, pura estética, sem ter que provar nada, sem discutir nada, sem revelar nada".

essa foto, por exemplo:



não é nada. mas a jéssica gostou. acho que é o bastante.

última chamada!

saldão ivetal!
termina hoje, domingo!



pra escolher: no flickr.

pra pedir: mande os links das fotos que você quer pro vodcabarata@gmail.com.

9x12: R$ 10
10x15: R$ 15
13x18: R$ 18
17x25: R$ 25
25x38: R$ 38
+ R$ 5 de frete (R$ 10 pra gringa)


depósitos até 23h59!

Friday, May 28, 2010

da aceitação das coisas



*

hoje carlois ligou para mim e perguntou:

e aí, cadê tu?

e eu respondi:

o melhor do isolamento é a sensação de que todo dia a vida começou hoje.

§

hoje encontrei com a grande karina buhr no meio da teodoro sampaio e ela perguntou:

e aí, cadê tu?

e eu respondi:

não saio mais, tenho síndrome do pânico.

§

hoje levei o resultado dos meus exames semestrais para minha ginecologista.

hiv, sífilis, hepatite.
negativo, negativo, negativo.

mas: um cisto no ovário.

vou morrer?, perguntei.

ela olhou para mim e disse:
vai, claro. um dia. de alguma coisa. vá se acostumando.

§

* em bahía blanca, horacio me levou para um rolê na periferia da cidade. parecia o texas.








ps: nem choro mais.

Thursday, May 27, 2010

saldão ivetal - promoção relâmpago!

gente! o saldão acaba domingo! isso significa que todos os pedidos têm que estar pedidos e os depósitos feitos até 30 de maio. pedidos cujos depósitos forem feitos depois dessa data num vou considerar, hein! o iveto também tira férias e as minhas começam na segunda :~) e termina dia 08 com fashion week ahhaah.

para quem ainda não fez o seu, corra. de hoje até domingo vou ser lhesgal e atendendo a - muitos - pedidos, disponibilizar fotos nos tamanhos:

9x12: R$ 10
10x15: R$ 15
13x18: R$ 18
17x25: R$ 25
25x38: R$ 38
+ R$ 5 de frete (R$ 10 pra gringa)

para escolher: no flickr!
para pedir: vodcabarata@gmail.com (mande os links das fotos que você quer e em qual tamanho você quer suas fotinhas).

para você que precisa de ajuda curatorial, veja as escolhas da fê resende nesse saldón:





eu tenho dois gatos em casa





"os gatos
tive três gatos. félix morreu trancado inadvertidamente na geladeira. zoé me foi tirada na chegada de um irmãozinho, que passei a odiar por isso. nina foi estrangulada por um homem ciumento que, alguns meses antes, me impôs a seguinte alternativa: dormir com o gato ou com ele.

eu escolhi o gato
".

sophie calle





mas fotografo cães argentinos.

Wednesday, May 26, 2010

sem histeria

eu já te roí
de tan to que te o
lhei
nes sas fo tos

já nem te ve jo
mais






_

Tuesday, May 25, 2010

ele

Novalis said: Wounds opened by reality, get healed by poetry...

I believe in him ;)

Yours faithfully,

Armin



§



and than he rose, brilliant as the moon in full.

Sunday, May 23, 2010

um corpo sem fim (ou "making of do making of de uma crônica")



me convidaram para integrar a antologia de crônicas, organizada pela fundação de cultura da cidade do recife. vai ser a primeira vez que um texto meu vai sair num livro :~)

decidi escrever sobre a sarna.

eu já tive sarna várias vezes (mamãe é veterinária e pegava dos cachorro véi que ela atendie a passava para mim), mas dessa vez, tive que me virar sozinha.

a sarna me fez pensar muito sobre o espaço ocupado pelo meu corpo. dois corpos não ocupam um mesmo lugar no espaço, OK NEXT, mas um corpo só pode ocupar vários. eu percebi a expansão do meu com essa doença, em que tive que desinfetar tudo o que tocava, e percebi quão grande somos. grandes, não: amplos. eu estava em todos os lugares da casa ao mesmo.

e pensei não somente do corpo que está onde não está, pensei nos corpos simbólicos: sabe quando você não se reconhece? você sabe quem você é, mas não reconhece essa matéria onde você se encontra.

acho até que tem a negação do corpo, mas preciso ler mais sobre isso. uma vítima de estupro passa por rituais de negação da própria matéria, em que você se lava, se lava, se lava, com o intuito de apagar a marca deixada em outro corpo (o espiritual). esse é a expansão em si, e não pode ser lavado nem desinfetado com permanganato de potássio...

egraçado: alma não pega sarna mas é ela que sofre a violência da existência física.

tô pensando muito nesse povo, enquanto escrevo o texto:

1. bionça no clipe de "video phone", que ela vai deixando rastros dela mesma na coreografia;

2. em rubens fernandes junior e o conceito de fotografia expandida. tô pensando em corpo expandido, porque o professor fala da "desarticulação das referências". a gente costuma achar que a existência física está ligada à cabeça-tronco-e-membros+alma e eu acho que tem um outro corpo simbólico ocupando e sendo ocupado...;
3. pensei em silverchair quando ele fala: yeah i'm a freak.
4. penso em ricardo domeneck:

Nossa carne
tantas vezes a caminho da fornalha
ainda sofre
a tentação do homogêneo
assediando os fragmentos


e seu gosto por secreções, perebas, fluidos e reações do corpo em geral;
5. penso em cindy sherman, claro, sempre, e a descontrução da representação da própria existência;
6. penso muito na minha vó. ela é muito bonita, e era muito bonita na juventude, e ela não vê a velhice, a demolição da matéria, como uma coisa ruim. ela até hoje se acha bonita, de uma maneira muito arrogante haha. e faz ioga, como vocês podem ver na foto que abre esse post.









penso em todas as coisas que aconteceram porque eu existo, e em como meu corpo existente superou cada uma delas, e o alma não. às vezes ainda me sinto como um pano de chão de banheiro de bar.

Thursday, May 20, 2010

quando a insistência falha

armin tem longos cabelos castanhos claros, que ficam mais claros nas pontas, onde fazem voltas.

armin tem longos braços castanhos claros. ele tem a perna direita torta e teve que trocar o futebol pelo tênis de mesa. ele tem 40 dedos, 20 nos pés, 20 nas mãos. eu contei cada linha das juntas dos dedos, com profundo interesse.

armin tem um queixo de bárbaro, com uma curva perfeita, que dura um segundo, entre o fim do lábio inferior e a colina do queixo. desenhei o perfil da curva várias vezes, para frente e para trás, com meu dedo indicador, no rosto dele.

§

engano #1
eu coloquei todo o interesse da minha existência em cima desse outro. anotei telefones, mandei emails, escrevi cartas de motivação, gastei dinheiro. desenhei com meu esquadro mental o caminho perfeito e sem quebra-molas entre mim e ele. ah, eu inspirei várias vezes, também.

pausa.

(quando ele levantava de manhã tinha uma marca no travesseiro porque a cabeça dele é grande de alemão do sul, e pesa. quantas vezes, enquanto ele tomava banho, eu encaixei minha cabeça naquela reetrância, bem devagar, porque sim, porque eu podia, porque ele esteve ali cinco segundos antes de dizer guten morgen meine ivi, perguntar que horas são, e sempre era tarde demais, levantar desesperado com o lençol enrolado no pé e chegar aos trancos e barrancos no banheiro).

§

engano #2
eu mesma já não sei a honestidade da minha motivação: se eu fosse um marinheiro, eu ia fazer o quê com esse navio, indo na direção dele, sem tripulação, sem âncora, sem bússola?

§

engano #3
tem essa estrada que peguei, quando esse homem fazia sentido. e agora eu olho para trás e olho para frente e não faço mais a menor ideia de onde estou.

§





minha insistência perdeu a força e desistiu.

Wednesday, May 19, 2010

r.i.p.

viemos aqui hoje nos despedir de um coração.

bateu destrambelhado por 27 anos.

morreu de saudade e sem entender nada.



oremos.

Monday, May 17, 2010

karaoke en bahía blanca

depois da abertura da expo, fomos para um karaoke italiano na argentina!




adoro minha vida.
eu queria que o mundo fosse um prato pra eu poder sair andando em linha reta até cair no universo.



e nunca mais ter que viver.
isso.
assim.
sem tu.
sem nada.

Sunday, May 16, 2010

e a expo, afinal: texto lindo e vídeo engraçado

ana vidal é historiadora de arte e professora da uni de había blanca e escreveu o texto de apresentação da expo. eu achei lindo:

En una foto está Adelaide. Los pies, primeros. Después el libro, la ventana, los árboles.

Hay otra foto que es espejo, camino inverso. La ventana (el ojo de la cámara), los pies, el libro. Y su abuela.

Ella ama su cámara. Es una pocket, de rollo, de cuando empezó a sacar fotos, de antes de ser fotógrafa.

Porque con ella, ella deja de ser lo que dicen que es. Solamente transcurre. Se hace agua.

Ella ama las fotos de la gente que ama. Porque en las fotos, se les pega al cuerpo. Es el agua pegada a la piel, haciéndola brillar.

Ahí está el brillo que acaricia la espalda de la abuela, un cuerpo en la ventana, el pelo del gato, las ramas del árbol.


§

8 de mayo en casa escópica from paula on Vimeo.



esse vídeo tem uma edição debutante dos anos 80 e não tem cinismo nele! é tipo pra ser assim! e meu espanhol é ridículo assim mesmo, tosco, eu nem tinha bebido.

§

essa viagem só foi possível graças a pix.
toda a fotonovela "iveto na argentina" tô pondo no meu freak.

e os pixos

nas ruas de buenos aires:


"meu corpo é meu" (passei mal quando vi essa, é maravilhosa).


"a rotina é o hábito de renunciar a pensar".

e essa em bahía blanca, que eu tirei para armin, que saiu fantasiado de maradona no carnaval de colônia e acha ele o cara mais cool do mundo.


mais fotos dos pixos argentinos.

essa viagem foi possível graças a pix.

Saturday, May 15, 2010

a caminho de bahía blanca + montagem da expo

a estrada


azul




§
a casa escopica






a montagem, que foi feita junto com os aluninhos da oficina de fotografia da galeria



meus montadores lindos




essa viagem só foi possível graças a pix.
toda a fotonovela "iveto na argentina" tá no meu flickr.

leaving buenos aires



(agora sim).

§

e esqueci de dizer: ainda em buenos, fiz uma entrevista com o pessoal do cooperativa sub. tá no blog do encontro de coletivos euroamericanos (e.co) . se quiser ver só o videozinho (e ainda sacar minhas inhas habilidades em brasillano), ei-lo:

Con Cooperativa Sub from Encuentro de Colectivos on Vimeo.

Thursday, May 13, 2010

buenos aires, 3 minutos

1

caminho do aeroporto para o centro da cidade

2

chegando no terminal tienda leon. engraçado que toda chegada em grandes centros urbanos é feio, né? até em colônia era.

3

cruzamento perto da plaza san martin.

e o saldão!?


falta 18 dias para terminar o saldão ivetal, galhera. atendendo a pedidos, todas as fotos da compilação "ao coração que teima em bater" tão à venda. uhu!


se você inda num fez seu pedido, clique aqui!

Wednesday, May 12, 2010

são paulo, 3 minutos


no metrô da vila madalena


na república


everybody hurts e um aeroporto

Tuesday, May 11, 2010

na plateform

antes de mostrar para vocês fotos da expo em bahía blanca, pausa pra falar da plateform!

a versão online da revista francesa finalmente saiu. laurence guenoun, a muié que manda na revista, me pediu para mandar o que eu quisesse, e ela publicou todas as fotos que mandei de vovó e ainda fez uma miniminientrevistinha.

para ver, clica aqui. eu acho que vale a pena ver tudo (tem os trabalhos de viktor gardsäter e da própria laurence, o que me deixa muito orgulhosa de mim mesma hahaha) mas, enfim, querendo pular direto pras fotos ivetais, é a 5ª bolinha do menu (que fica embaixo, no centro), da esquerda pra direita.

a versão impressa custa os ôi da cara e é linda. quando a minha chegar eu faço foto e mostro aqui. mais barato, né?



gente, eu juro.
tô com sarna.
peguei sarna na argentina!

não é muito clichê de mochileira de terceiro mundo?

que tédio.


update: jana castro, lucas magno, analine, camila orlandi, laura artigas, miyuki, bia bonduki, antonio fabiano, kika brandão, fê resende e carol lauar, suas encomendas tão ready to go! :*


se você quer fazer seu pedido saldãozal, clica aqui.

Monday, May 10, 2010

15. o lado ruim do romance

e espero por ele a cada esquina.

eu fico andando na expectativa de armin,

e por mais que eu me esforce, não vejo nada na minha frente:

faz com que todas as outras viagens sejam uma tentativa fracassada de sentir aquilo de novo,

e me disse que me amava na itália,

e o fato de que ele deixou um bilhete embaixo do meu travesseiro,

no mesmo dia em que cheguei em lisboa,

a sorte que eu tive de encontrar o homem da minha vida dando sopa do outro lado da mesa em que eu estava sentada,


(é pra ler de baixo pra cima).

14. quieres bailar?

perambulando por san telmo e um loiro de barbicha chega e pergunta:

quieres bailar?

aqui??

adonde más?

e eis um casal ridículo de uma brasileira e um ___ que falava castellano dançando no meio da rua, um tango dos inferno.

eres un desastre bailando,

falou o loiro de nacionalidade desconhecida.

13. como diria manuel carlos

. uma menina toda suja de chimarrão pedindo pão;
. um cabelo na paella;
. uma muriçoca gigante na truta;
. seis pesos por um selo para a alemanha;
. show de rockabilly de uma banda só de meninas;
. o menino que me tirou para dançar em san telmo;
. o travesti de biquini enfiado no fiofó (fazia seis graus);
. dermatite de contato;
. uma barata na minha canela no sofá do hostel;
. a torcida do boca tomando conta da avenida colon;
. "ivi, te amo", um pixo em bahía blanca que não era pra mim;
. banheiro sem papel, chuveiro sem água, tomei banho na pia;


importante é viver a vida.

12. e olha que só vim até a argentina

a impressão que eu tenho é que a vida é uma luta contra tudo desse lado de cá do equador. esses velhinhos que têm que trabalhar até morrer, depois de uma ditadura que deixou 30 mil desaparecidos, e depois a crise de 2000.

até os peixes do riachuelo de buenos aires sofrem.

é que hoje passei por um velhinho de 200 anos tocando um astor piazzola matador, num acordeon caindo os pedaços, em troca de dinheiro.

não pude deixar de pensar que merecimento não quer dizer nada.

nada.

11. cristina, la chica con los pelos locos

um dia antes da abertura da expo, fiz uma leitura pros alunos da oficina de fotografia da galeria, eles eram uns lindos, eram da faculdade de artes de bahía blanca e tinham uns 20 anos.

falei pra eles de como fui de uma fotografia obsessivamente focada num muso pra uma obsessivamente focada em mim mesma hahah, falei de nan goldin, cindy sherman, de auto-retrato que você não aparece, da câmera-acessório... (eles não acreditaram quando mostrei a câmera com a qual venho fotografando, uma canon prima analógica, de 1999, snapshot).

foram eles que sugeriram o formato da montagem e a disposição das fotografias na parede. e eu achei tudo a coisa mais linda e não dei pitaco nenhum. e as fotos de vovó eles puseram atrás da porta. achei o máximo.

dentre os aluninhos, tinha cristina. fiquei logo obcecada com o penteado de cristina, um ninho de rato mára, finalizado com grampos. mas além disso fiquei mal com a não-consciência de cristina sobre o próprio trabalho: ela me mostrou, animada, uma série de dibujo coloridos, sempre com meninas-criaturas-meio-animais, bem felizes, que eu achei só legais.

no meio destes estavam, meio escondidos, uns desenhos escuros, sombrios, que ela não quis mostrar. os desenhos tinham escritas mensagens truncadas sobre saudade e ausência, e eu fiquei passada, porque se você olha cristina vê somente uma menina de 19 anos feliz e ensolarada.

ela me contou que aquela série ela começou a fazer depois que o pai morreu, ano passado. mas que ela não considera como trabalho artístisco, apenas como desabafo.

"mas cristina... o desabafo é a obra!"

e ela ficou ali, com cara de sol, pensando.

10. donde están las perritas??

nunca vi tantos cachorros na rua. uns vira-latas lindos, grandes, metidos a besta, que deitam no sol.

em bahía blanca eles deitavam no meio da rodoviária como se fossem os donos.

Sunday, May 09, 2010

9. la fusa

quero falar sobre mis hermanos mas não consigo, ainda.

por que o brasil está tão afastado emocionalmente da américa latina??

é uma pena.



update: eu quis dizer emocionalmente afastados. porque não me parece que nos consideramos latinos... todo mundo que conheci aqui conhecia ao menos dois outros países. e eu que mal saí de caruaru fiquei com abuso de mim mesma.

Saturday, May 08, 2010

8. a expo

estou indo pra abertura nesse momento.

tô usando o vestido véi que comprei na h&m e só usei uma vez, quando fui com armin prum bar em cologne chamado la estrada.

dale!

um beijo pra bia granja + pix que hicieron esto posible!

Friday, May 07, 2010

7. coisas confusas

não entendo porque as ruas mudam de nome do nada!

não entendo como eles se orientam contando quadras, e quando te explicam como chegar em algum canto, te falam para subir e descer, em vez de apenas dizer pega a direita ou pega a esquerda.

não entendo porque existe uma torneira que sai água fervendo e outra que sai gelada e elas não se misturam. será que é pra usar um copinho?

não entendo porque não cabe mais água no treco do chimarrão.

não entendo esse sotaque!

não entendo como posso ser feliz sem ter vinhos DELICIOSOS de 4 reais como eles têm.

não entendo como pode ter tanto gatinho dando sopa na rua! putaqueopariu!

6. azul

a viagem de buenos aires para bahía blanca leva 11 horas de ônibus.

comprei uma passagem cara para ir num busão leito, num assento individual, no andar de cima, com a janelona de frente e a do lado só para mim.

eu sempre tenho a impressão de quanto mais longe eu vou mais longe eu quero ir, e a solidão sem escapatória sempre me é um conforto (estou começando a reconhecer e aceitar minha sociopatia), mas essa viagem aqui tem um desassossego esquisito. acho que é porque não tem a menor possibilidade de eu encontrar com armin no caminho.

quanto mais o busão foi se socando pelo sul da província, mais animada eu fui ficando. as estradas dos pampas são cheias de vaquinhas gordas e campos sem fim, e o sol é torto e passa por entre as árvores. salgueiro chorão, meu preferido.

no fim da tarde fizemos uma parada rápida em azul, para que o motorista pudesse fazer um reload na água quente pro chimarrão (sim).

azul é pequena e brutal. não tem árvores, não tem casinhas charmosas, não tem vida. sei lá do que vivem. vi um monte de depósitos de refrigerantes, cachorros de rua e uns adolescentes lindos com cara de tédio, aqueles cuja curiosidade típica, ao encontrar o tédio dessas cidades mesquinhas do interior, vai parar num pipe. me disseram que o problema aqui é pasta de coca. merda igual.

a medida que o ônibus foi, finalmente, se afastando de azul, me peguei no flagra esculachando a cidade, me perguntando se seria possível ser feliz num lugar tão sem rosto.

pf.

como se eu entendesse alguma coisa sobre felicidade.

5. nadja

eu tenho a sorte de em todo canto que eu vou tem uma leitorinha malhuca a fim de me ciceronear (carol! :*).

em buenos aires, fui encontrar com nadja no seu ensaio de flamenco. não deu pra deixar de repara no drama que emanava dela, que era a única das alunas que dançava sem ter verginha de fazer carão.

de volta para san telmo, no metrô de madeira a coisa mais linda, ela me contou que seus avós maternos eram romenos.

AH.

entendi o carão e o drama emanando.

fiz um vídeo que estou tentando subir no youtube desde ontem. mas internet de hostel vocês sabem...

pronto!
o vídeo de nadja y el flamenco tá no minas de ouro!

4. por que os pixos dos outros são melhores que os nossos?

porque no brasil os pessoal só rabisca umas merda que ninguém entende e, em todo canto do mundo, as pessoas se comunicam quando pixam??

em buenos vi algumas coisas maravilhosas, principalmente do movimento feminista.

uma que vi hoje tinha escrito: "meu corpo é meu".

chorei.

Thursday, May 06, 2010

3. óbrégada

o que dizer de uma cidade que todos os motoboys são loiros e têm dread?

eu sei.

HOLA!

2. fiufiu

os ônibus aqui são todos customizados e parecem saídos de um filme bom, feito no méxico, nos anos 70.

ontem não acreiditei no que estava parado no sinal, enquanto eu atravessava a rua. tinha escrito na frente "gypshy heels". quase tive um treco e parei no meio da rua be na frente do usão, procurando a câmera na minha bolsa.

aí o motorista apertou naquela buzina que imita um assovio. aí eu saí correndo com abuso haha.

Tuesday, May 04, 2010

1. outono

as ruas de buenos aires estao cobertas de folhas secas.

Monday, May 03, 2010

a continuação do episódio dos gatos

fiquei algumas horas limpando o estrago do gatos. acabei encontrando um CD véi e mei mofadinho no meio das coisas.

tinha escrito nele: "ao coração que teima em bater".

esse é o nome de uma compilação (nem posso chamar de série, porque foi isso mesmo, uma seleção de imagens feitas entre 2002 e 2005, bem à-toa-mente) que finalizei em 2005.

eu nem lembrava que tinha digitalizado essa compilação, cujas imagens têm escrito em cima trechos de poemas de "carta aos anfíbios", que é o primeiro livro do meu amigo ricardo domeneck. fiz os escritos com tesourinha de unha e giz de cera, sobre prints originais. e scaneei depois.

vou falar: enquanto o fazia, eu não prestei muita atenção nesse trabalho, eu estava tão triste. hoje, sofrendo de outras dores, consegui ver como ele é lindo. eu era tão livre. (recomendo clicar para ver as imagens grandes e ler os poemas. só faz sentido assim).
















1. "ao coração que teima em bater" é um verso de uma música do 4, do los hermanos.
2. mandei uma dessas fotos prum concurso da colors, cujo tema era "what does lust looks like?", em 2005. ganhei uma menção bem da honrosa por um auto-retrato (horroroso!) que fiz com o primeiro leandro, em 2003. no site da colors ainda dá para ver.
3. a verbete selecionou essas fotos para a edição da revista que falava sobre saudade.

Sunday, May 02, 2010

foi só um surto, foi só o vinho.

de repente percebi
que se não houvesse essa
marca de giz entre o chão da gente
talvez
quem sabe...

a gente jogaria queimado no mesmo time.


mas você é alto demais pra mim.
e mora longe.

§

ariano de merda.

Saturday, May 01, 2010

do desapego fotográfico, e da vida.

cheguei em casa e meus gatos tinham entrado no meu arquivo e destruído prints antigos, revistas em que publiquei, convites de expo e algumas colagens que eu fazia.

gritei meia hora.

faxinei freneticamente mais duas horas (rituais neuróticos).

tomei um banho de uma hora (o chuveiro não ficou o tempo todo aberto).

ouvi aerosmith bem alto.

fiz um pão com queijo de coalho frito bem gorduroso.

comi torta de limão.

















eu sempre soube que eu tinha uma atração quixotesca por pequenas tragédias. de certo modo, elas me norteiam. é como se eu estivesse à espera delas e, quando elas vêm, fico aliviada. e aí relaxo e assisto um pouco de tv sem culpa.









reli um trecho da biografia de guy bourdin que, com amor, mantenho na minha estante. a parte em que o autor (tenta) explicar porque guy guardava seus negativos numa caixa de sapato e porque ele não tinha interesse em publicar livros ou fazer exposições.




então, se nem guy bourdin ficava com cu doce por causa de meia dúzia de papel véi com umas figura em cima, por que eu devia ficar? pensem nisso antes de gastar milhões na sp arte! ha.