Wednesday, August 19, 2009

79. joli bar

pois é. bem na frente da minha escola tem um café que se chama joli bar. eu às vezes tenho a mais compreta certeza que deus fez todas essas coisas bonitinhas só pra mim, dois dias antes deu chegar na europa - um alemão fã de fernando pessoa, os moinhos de abuláfia, todos os cachorros, um assalto, um vulcão... e o joli bar. todo mundo da escola já foi devidamente por mim avisado, no meu italiano ridículo, que este é o bar da minha amiga joli.

o joli bar é meu cantinho na taormina - o único canto que achei que é frequentado por sicilianos. aqui tem mais turista do que aparecida do norte, ops, roma. e eu rodei a cidade feito uma rapariga procurando por um canto que fosse frequentado por nativos e, mah, era só atravessar a rua.

todo dia, na hora do intervalo, eu atravesso a rua e compro um cornetto (a libidinosa versão italiana pra croissant, muito mais rechonchudo e cheio de açúcar de confeiteiro do que a anoréxica versão francesa) de nutella. desde começo fiz um esforço sobre humano pra conseguir me comunicar em com os pessoal que trabalha lá (por que eu não consigo, jesus amado?) e, de tanto fazer papel de tabacuda, fui adotada com um amor feroz por todas as garçonetes e mais a dona do lugar!

agora eu chego lá e ganho beijo e abraço de cada uma delas, e elas são todas quarentonas e gordinhas, e lindas, e eu afundo minhas fuça nas tetas delas (e não é por escolha minha!) e elas me afogam nesse amor siciliano que lu bugni bem previu pra mim.

é assim: lina (diminutivo de carmelina, me ensinou ela) é a dona. passa o dia sentada olhando a vida alheia e observando com orgulho seu pequeno reino. todo dia todas as mesmas pessoas vão lá - todo santo dia, os mesmos velhinhos e velhinhas, viúvos e viúvas, com quem a vida não parece ter tido nenhuma complacência. lina também faz as vezes de cuidadora de alguns deles, faz o almoço e até pinga colírio nos olhinhos de um que tem mal de parkinson. podia ser uma coisa triste, se eles não fossem tão maravilhosamente barulhentos e animados!

pia é a garçonete da tarde. ela é IMENSA, e tem uma cara em formato de coração e dela saem coraçõezinhos de amor. ela é casada com um brasileiro, e vive dizendo preu ir na casa dela dar aula de português pra ele "que aquele abestalhado esqueceu tudo". pelo que entendi, e pelo tamanho que ela tem, parece que é ela quem manda na casa.

a minha favorita, no entanto, é natalie, que fica lá de manhã. ela deve ter uns 30 e tantos anos e usa lápis de boca MUITO mais escuro do que o batom. e ela canta que nem bionça!! e não, queridinha, ela não gosta de cantar laura pausini - ela canta lady gaga!!!! enquanto prepara minha décima granita do dia.

natalie é uma siciliana guerreira, mãe solteira nessa terra dificile pra mãe solteiras. pelo que entendi, lina deu o emprego a ela por amor, e não por precisância de mais gente porque pia daria conta do trabalho. eu conheci o filho de natalie, matia, dia desses mas ele não me deu a menor bola. ele tem sete anos e certamente uma tia esquisita falando um italiano da merda não é a coisa mais interessante do mundo.

e foi lá, no bar da minha amiga joli, que eu conheci minha melhor amiga na taormina. angela. mas ela merece um post só pra ela.

14 comments:

Natalia Venturini Pessutti said...

Adoro ler seu blog!!! Não sabia desse seu segundo blog, fui lá e também adorei. Vc é mesmo muito boa pra escrever. Sobre vc ser assaltada em Lisboa, vc acredita que roubaram a cesta da minha bike na frente do supermercado aqui na Suíça... Vai saber. Bom, um beijo.

Vanessa said...

Ah, Ivi! Lindo post! Voce conseguiu combinar amor e comédia nele, duas coisas tao importantes nesta vida. E agora me deu vontade de ir para a Sicília, ouvir este povo barulhento :-)

Bruno Dalto said...

ah ivi. elas q são sortudas. fico sonhando em vc fazer um tour aqui do lado de casa e a gente ir pro mesmo bar, se conhecer bem por acaso, e virar amigos pra sempre.

Vanessa Negrão said...

venho de uma família enorme de italianos barulhentos e esse post teve trilha sonora de conversa, copos e talheres bem alto na minha cabeça.

hahaha

Paula said...

Ivi, mulher! Tu é foda demais, ave maria. Adoro essa sua vontade de viver.

Um cheiro.

Vanessa said...

Oi Ivi
Estou viciada no seu relato de viajem. Vc TEM que escrever um livro sobre isso pois a cada post eu rio , me emociono, fico indignada com suas descobertas e faz muito tempo que não leio uma história tão bonita.
bjo e feliz aniversário atrasado

geragoncalves said...

minina, sabia q vc é uma delicia de ler?

claro q sabe

posta todo dia? posta vai

joli said...

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhh
amiga, nem te conto. quando jesuis amado me veio numa aparição pedindo "autorização de uso de nome" pra botar meu apelido num bar lhegal defronte ao lugar que tu ia ficar hospedada na sicília, eu fiquei logo imaginando tua cara de oreba quando visse! hihihihi

Theodora said...

Ivi, tb acho que os seus relatos merecem um livro. Seu texto é envolvente, vc é encantadora. Seus posts me fazem ter vontade de viajar!
Beijos

Analine Araújo de Andrade said...

A cada história me emociono mais ainda, o seu jeitoi de escrever fica emocionante...E mais ainda querendo ser sua AMIGA..hehe.. esperando post especial para angela

senhorita sartori said...

Ivi,
eu amo seus posts e amo vc =)
felicidades leonina

luísa. said...

menina, satisfaz minha curiosidade: o que motivou essa viagem, hein? :)

Ianna said...

PeloamordeDeus, coloca umas fotinhass!!! Quero ver o vulcão, o mar da Itália, o Joli bar e até a Nutella de 5 quilos!! AAAAdorei seu blog!
Ianna - ianna@pequenasbijoux.com.br

maria lutterbach said...

coisa linda quando alguém se inspira a ponto de encantar todo mundo em volta. mais uma daqui a torcer por você nessa jornada. vai que é sua.