Sunday, November 29, 2009

otto stupakoff e eu, trocando uma idéia

o sol apareceu por trás das árvores. eu estava, de propósito, viajando sem nenhuma câmera, supondo que as imagens passíveis de registro pelos filmes seriam pobres em comparação com o que os meus olhos iriam ver. questionei minha decisão.

para um fotógrafo, viajar sem sua câmera é uma ocasião para perceber, em meio à vida comum, numa investigação muito próxima e sem perturbações, que, no fim das contas, a vida não é tão comum assim.

ver e registrar somente aquilo que está ali para ser visto é não entender nada de nada.
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não, tô não. trouxe a câmera de filme, e fotografo com muito muito muito amor as poucas coisas que fotografo. tem coisa que eu quero fotografar porque depois quero revelar e prender com um íma na geladeira. mas tem coisa que eu quero carregar no coração pra sempre - a maioria delas, inclusive. pra viver isso, eu tenho que estar presente.

aqui em barcelona tirei 3 fotos: de um cachorro, de uns abuelitos jogando bocha e de dois meninos bonitos sem camisa hahahahaha. o resto guardei no meu coração. afinal de contas, se eu realmente tiver um lapso de memória e quiser relembrar como é la pedrera, vou no google images né minha gente.
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* otto no texto "ci", que ele escreveu durante sua viagem pelo rio amazonas na década de 70

** o ivo no post 46, escrito em barcelona

*** o ivo no suplemento de cultura do meu pernambuco, em página dupla, óbrégada. eu sei que num dá pra ler nada. quando for publicado, eu ponho o texto aqui que não quero FURAR meu editor.

3 comments:

Tahiana said...

esse post sobre as poucas fotos tiradas por vc na europa foi um que particularmente me agradou. estou levando esse pensamento pra minha próxima viagem...

geo. said...

ivi!
depois de tiete na balada cá estou pra dizer que foi bem de coração que fui falar com você, porque realmente adoro esse canto.

e coincidentemente o post que mais gostei até hoje, é o assunto desse aqui.

beijos ivi
giovana

Un Xícara'' said...

Olá, leio sempre suas contribuições no Pernambuco. Se bem que essa última é a sua segunda, acho!
Seu texto é lindo e revelador, é um forma de dizer sim a veracidade emocional das fotos, a importância do trabalho do fotógrafo para ele mesmo.
Parabéns.

PS: Sucesso!