Monday, June 07, 2010

cruz

fiz uma seleção na minha estante de livros com figuras.



a) sempre que eu olho para frida kahlo me pergunto por que não fui ser pintora. assim, essas duzentas ideias por segundo que tenho iam parar de me atormentar porque não iam precisar de tanto aparato técnico para nascer (tenho querido fazer um auto-retrato fantasiada de portorriquenha, um drama pra fazer a produção) e todas as duzentas ivis em mim ficariam em paz mais vezes.

b) o livro mais importante é o de jan saudek, meu primeiro de fotografia, escolhido porque a capa era bonita, quando eu tinha 18 anos e estava zanzando pela livraria saraiva do shopping plaza de recife. eu não fazia nada que prestasse, só tirava umas foto de buí que quando a gente terminou joguei no lixo. me arrependo, tinha umas foto bonita.

c) quando eu fiz 25, mamãe me deu uma caixa bem cara com os retratos de mapplethorpe, esse é importante também.

d) um milésimo do peso dessa caixa tem o love and before, green and after, do marçolo gomos, mas ele já tinha mudado minha vida antes de lançar esse livro anyways.

e) achei o catálogo da lenny em que a guisela foi fotografada usando o maiô branco que usei em um dos autos da fashion victim 3. o michael roberts que me desculpe, mas minha foto é muito mais legal.



aí achei duas coisas que dizem muito sobre mim:

1. meu único álbum de família, quero dizer, esses álbuns que os pais fazem dos filhos, tem bem pouquinhas fotos. mamãe só fez um, bem conciso, da ultra-som até eu ter 12 anos. deve ter umas 20 fotos, no máximo. e não é que ela editou recentemente e conseguiu ser precisa por causa do distanciamento que o tempo dá - ela foi editando a medida que tirava as fotos (ou seja, ao longo de 12 ou 13 anos) e só pôs lá as que achava realmente importantes. e não pense você que ela pôs numa caixa de sapato as que não foram "promovidas" pro álbum: ela as jogou fora. nunca vi tamanho talento de edição. nem economia de clicação. ela seguia os preceitos annie leibovitz-ais e eu, sem fazer ideia dessa conexão comigo mesma, escrevi esse texto em 2009 e na verdade devo ele à minha mãe, e não a annie (agora sei).

2. outra coisa: encontrei um álbum que fiz em 2003 só com fotos que os outros tiravam de mim HAHAHAHAHHA BEM LHôCA.



e só pra terminar: a gente se conhece de montão ao olhar os entulhos que guardava na estante achando que era referência mas que na verdade nunca mais foi olhar de novo.

foto de moda é que nem as moda em si: logo que ela é feita (por você ou pelos outros), você acha incrível. uns anos depois, você olha e se pergunta: "puta merda como foi que eu achei essa merda bonita um dia?".

por isso que eu amo tanto guy bourdin, quando ele dizia que suas imagens (MARAVILHOSAS ATÉ HOJE) eram pra ser degustadas nas revistas de moda e jogadas fora e esquecidas no mês seguinte. isso é que é self-awareness.




foi tudo pro lixo.

9 comments:

Patricia Cardoso said...

"e só pra terminar: a gente se conhece de montão ao olhar os entulhos que guardava na estante achando que era referência mas que na verdade nunca mais foi olhar de novo."

Iveto, sabe que eu assinei a Vogue por um tempo.. Nas primeiras edições, gostava da revista, depois de três ou quatro saquei que eram todas iguais e desencanei. No início, guardava as mesmas todas organizadas na estante e um dia saquei que não precisava daquilo e mandei pra reciclagem sem dó. Foi como se tivesse tirado um peso da vida, um peso bobo. Qdo virou o ano, prometi não comprar nenhuma revista em 2010 (até pq, se quiser, tá tudo na internet) e economizaria esse $ para algo mais útil..

Qdo vejo alguém comprando revistas de moda como se não houvesse amanhã, fico pensando no que aquele dinheiro poderia ser usado com algo mais produtivo, ao invés de um cartaz para expressar alguma coisa ou mesmo como referencia. Eu ando fazendo minhas sessões de RPG, com o $$ das revistas...

A gente muda,ne? E agora eu volto pros meus livrinhos do Guimarães Rosa

Beijo, boa semana!

vodca barata said...

arrasou, pst!! eu nunca fiz rpg, é legal??

e ei, tuas fota chegaram na casa de mainha??

mariana said...

acho incrível (ok, na verdade acho totalmente crível) a maneira como você me faz querer saber, viajar em mim mesma, falar, ouvir, fazer, pensar, aprender, cair, errar, acertar, chorar&rir, e tantos outros verbos...! just saying.

Pí Ême. said...

Eu não compro mais revista e minha mãe gasta dez conto toda semana na Veja.
Como fas? Eu quero dez reais pra mim.

Tan said...

"puta merda como foi que eu achei essa merda bonita um dia?"
Huahuahuahauhauhauha!!!
Zúper me identifiquei...
As moda não tão com nada.
E ainda TÃO prosa, néam?
Viva a Ivi.
Beijos da Tan!

Natalia Venturini Pessutti said...

Ivi, fui lá ler seu texto de 2009. Sempre me emociono com suas palavras, cheias de verdade. Agora falando em síntese material, não sou muito boa nisso, mas tô querendo ser, invejo quem consegue. Quero esse poder de síntese.

Patricia Cardoso said...

Ivi, só fiz uma sessão. Como eu sou dona de uma (senta) lordose, escoliose, lombalgia e dorso curvo (oi???) estou com mta esperança, acreditando que em seis meses vou estar com uma coluna melhor e menos dores.. mas como ainda eh o começo, so posso dizer uma coisa: DÓI! haah

ainda não fui em mainha. vou sabado!
penso nisso todo dia (aloca) rs
bj

Vanessa Negrão said...

um dia eu quero ser jornalista. um dia eu quero que você escreva um livro. um dia eu quero entrevistar você sobre o livro e aí a gente vira bff e eu vou ouvir em primeira mão essas coisa linda que você pensa e te promover a minha gurua hahaha.

Dani said...

Ivi, minha linda! Eu ando nessa fase de arrumação também! Tenho coleções de revistas, mas ultimamente está me dando uma vontade desesperada de jogar tudo no lixo! Gostei de ver a Frida na sua estante, ela é minha paixão, é como uma referência de vida. Ainda mais agora que retomei minha alma mexicana que andava um pouco adormecida... ela voltou com tudo!

Saudade de vir aqui te ler. Dei uma sumida, mas voltei!

Besos!

PS: Patricia, minha mãe fez RPG, disse que dói pacas, mas que depois é uma maravilha!