Monday, July 11, 2011

sos!

querida(o)s leitorinha(o)s,

como já deu pra perceber, estou em recife, fotografando o projeto anual que tenho que entregar para a ostkreuz.

sei que nao é surpresa procês saber que o tema que escolhi foi violência contra a mulher. inicialmente, queria fotografar nas europa, porque é uma coisa meio "entre nós, os civilizados, isso nao acontece", mas também pra nao ter que vir pra cá. mas o destino pimpao sempre dá aquele jeito de fazer a gente se confrontar com as coisas das quais fugimos, e acabei vindo.

meu orientador também achou mais sábio fotografar esse tema - tao delicado - no país onde nasci, onde nao correria risco nenhum de ficar "lost in translation" (tanto na língua, quanto na cultura).

outro recorte que escolhi - além do geográfico - foi o social: estou em busca de meninas de classe média, com alto nível de escolaridade, que estejam fora do obsoleto perfil da "mulher em situacao de risco" (preta e pobre, basicamente). odeio esse termo e acredito que uma mulher está em situacao de risco simplesmente por ser mulher. e pelas meninas que encontrei e relatos que ouvi, meu bem, a coisa tá feia.

com esse perfil em mente, comecei a procurar personagens entre as minhas amigas. qual nao foi minha surpresa ao descobrir que 99% delas tinham algo pra contar - ou porque conheciam alguém que passou por isso, ou porque isso aconteceu com elas próprias.

mas, mesmo com tanta gente tendo vivido algo assim (e tendo coragem de me contar), a grande maioria das meninas nao quer ser fotografada. o que faz com que meu projeto ande a passos de bicho preguica - o que me preocupa bastante.

no início, nao queria procurar por meninas através do vodca. mas já estou aqui há 2 meses e até agora só fotografei 4 maravilhosas e corajosas e generosas mulheres.

entao meu pedido é esse: se você, leitorinha que mora entre sergipe e rio grande do norte (mais do isso fica muito longe preu chegar), conhece alguém que tenha passado por violência (física, sexual, psicológica) ou passou você mesma por isso, por favor me escreva. explico os detalhes do projeto, a metodologia, as referências de imagem etc. adianto logo que ninguém precisa mostrar o rosto.

fico em recife até dia 10 de setembro. lembrando que nao adianta escrever dizendo "a menina que trabalha aqui em casa apanha do marido".

brigada e beijos,
ivi
vodcabarata@gmail.com

10 comments:

Ana Clara said...

Tenho transtorno de Personalidade Borderline e Fibromialgia devido a estupros sofridos pelo meu irmão. Foram dos 4 aos meus 12 anos os abusos. Moramos no mesmo bairro ainda e tenho muito medo de ve-lo novamente. Sou estudante universitaria, não termino uma graduação devido as doenças que me agregaram em consequência disso.

Simone - blablabla & Clicks said...

Ivi, ja tentou fazer contato com a delegacia da mulher da sua cidade? Vai que la vc encontra quem quer mostrar.

Lola Martini said...

oi, sou de são paulo e fiquei muito interessada em teu trabalho. queria ter informações sobre a publicação dele.

Lola Martini said...

oi, sou de são paulo e queria muito saber o resultado do teu trabalho. vai ser publicado no brasil ou em algum site?

vodca barata said...
This comment has been removed by the author.
Luciana said...

Muito boa idéia!Importante pra desmistificar isso de que mulher q sofre violência é pobre e comumente negra.Talvez se vc publicasse mais detalhes do projeto,especialmente quanto ao sigilo, encorajasse a mulheres de classe social mais alta a se comunicar.

Patricia Basseto said...

Importantissimo o seu trabalho, tem homens sem nenhum carate ou escrupulo, se fingindo de vitimas por ai, espancando e agredindo mulheres e em alguns casos, por ohomem ser capaz de auto controle diante de outro homem, a mulehr ainda passa por louca e descontrolada e a policia nao acredita nela. Homem que bate para mim merece a morte e nada menos.

luzinha said...

http://televisao.uol.com.br/novelas/insensato-coracao/2011/07/13/fazer-sexo-com-alguem-bebado-e-covardia-nao-estupro-diz-a-cecilia-de-insensato-coracao.jhtm

pra estremecer de tristeza com a estupidez propagada nessa coisa linda NOT que é a rede globo.

vodca barata said...

meu deus, essa tabacuda perdeu a oportunidade de ficar calada, luizinha. brigada pelo link.

e beijos em todas :)

Nine said...

Ivi,

Muito legal seu projeto. Parabéns.

No meu trabalho no MPPE me deparo quase que diariamente com vítimas de abuso sexual e tenho ficado cada vez mais convencida de que é preciso fazer um trabalho social e principalmente psicológico com as mulheres. Porque na zona da mata pernambucana (falo da zona da mata pq é lá que trabalho) a cultura do "o abuso é normal e tolerável" é assustadora.

As mulheres simplesmente não entendem que podem dizer NÃO, não quero, não gosto, não vou, e isso por centenas de razões econômicas, sociais, culturais e psicológicas, porque não foram educadas para se sentirem donas de si mesmas. Para elas, a referência feminina são as mulheres oversexuadas da rede globo, barraqueiras e histriônicas. E sabe o que isso anda gerando? Uma onda reversa (e perversa) de histeria e paranóia; não se sabe mais definir o que é abuso sexual (claro, com óbvios limites - não são deles que estou falando). E a resposta de algumas mulheres à sociedade que as maltrata tem sido torta: já tive casos de abusos inventados para chamar a atenção ou para vingança.

É necessário, sim, um debate amplo e maduro sobre o tema. Parabéns mais uma vez.