Wednesday, July 28, 2010

sofro mesmo (dia 3 e contando do começo)

uma leitorinha mandou um comentário tão engraçado falando que meses atrás me viu "na fila do dia da rua purpurina comprando atum". e ela comentou que eu sofro muito.

então eu vou contar do semi-começo desse sofrimento recente para vocês terem uma mínima noção da minha novela mexicana particular:



vim para cá porque fui aprovada na primeira fase do processo de seleção de uma universidade na holanda. assim sendo, vim fazer a prova prática e a entrevista.

a viagem em si foi um drama: como a uni comunicou minha aprovação em cima da hora, só deu tempo de arrumar os voos mais esdrúxulos para conseguir chegar em algum lugar perto de enschede a tempo. minha prova era dia 17 de junho, de modo que:

15 de junho
são paulo - madrid
madrid - lisboa
16 de junho
lisboa - palma de mallorca (ainda fico passada com o destino)
palma de mallorca - colônia

cheguei em colônia nas primeiras horas do dia 17 de junho. armin me levou para enschede às sete da manhã. ou seja, fazia dois dias que não dormia.

mas enfim, cheguei na prova à tempo. fiz a prova (foi engraçado) e a entrevista... e tinha a certeza que tinha me lascado de véu e grinalda.

uma semana depois recebi a cartinha com a notícia: tinha sido aprovada.

meu deus, vocês não têm ideia como foi fofo, eu abrindo o envelope nos fundos da igreja que tem na frente da casa de armin, a gente sentado num banco de praça. ele parecia pinto na merda quando eu li que passei, e saiu ligando pra todo mundo. foi uma coisa.

eu estava grávida da vida!

a gente fez planos sobre como seria fácil se encontrar; e ele disse que ia me ensinar a comprar roupa de neve e tudo o que se pode falar numa hora dessa. ele disse: ... e você não vai mais precisar andar na rua com medo de encontrar gente que te faz sofrer.

mas
ah, essa vidinha marota,
no outro dia chegou outra carta.
com as condições para estudantes estrangeiros.

veja bem, é uma uni pública mas eu sabia da anuidade para não-europeus, e elas eram bem pagáveis. mas no fim da carta, em letras pequeninas, tinha os detalhes para as condições de visto:

"é preciso fazer um depósito na conta da universidade, no valor de 14.500 euros até 20 de agosto. esse valor será devolvido (descontados a anuidade e o curso de holandês obrigatório) para sua conta, que deve ser aberta num banco holandês e serve para comprovar que o aluno é capaz de se manter no país sem trabalhar". ou seja: mesmo que eu conseguisse bolsa para descontar na anuidade, os mesmos 14.500 teriam que ser depositado. um cunhão.

bom, minha gente, vocês sabem que minha mãe é professora universitária e eu sou auto-jornalista. a gente não tem esse dinheiro. quando mamis foi ver no banco de empréstimos, o valor ficava absurdamente alto depois de uns poucos meses. e meu pai, bueno, papis também não esteve ficando muito a fim de ajudar. ele tem 12 mil filhos, além disso. geminiano, né...

então vocês calculam minha decepção, meu desesperinho... faz meses que eu tento uma vaga para estudar por aqui (eu sempre conto procês das gongada que eu levo) e na primeira prova que eu passo... ops, não posso fazer.

é um caralho mermo.

e aí depois vieram todos aqueles episódios noivo-em-fuga...

e somadas essas duas coisas (mais toda a vida anterior, essa coisa grande), bom, posso dizer, leitorinha:



sofro mesmo.





de montão.




pelo menos fiz uns videos desse dia, e fiz fotos de armin na grama holandesa e tenho lembranças.




15 comments:

Lili Copeno said...

A gente pode escrever pra essa universidade e pedir e explicar todos os motivos? Não é possível, deve ter alguma coisa pra ser feita. Vou tentar ter alguma ideia.

Jowzinha said...

Ê, menina!!!
Q coisa!!!
N imaginava q as coisas européias fossem tão difíceis...
14.500 euros???
Nossa!!!
Mas todo mundo sofre!!!
N tem pq ficar olhando só se o outro sofre...
Hj de manhã escutei um pensamento mto lindo de um poeta q adoro
e agora super cabe p vc.
É do Pablo Neruda sobre o sofrimento.
Procura depois q vc vai axar maravilhoso!!!

=**, Jowzinha

Mafalda said...

ivy, tu é muito corajosa, isso sim.

assisti o filme argentino "alguns motivos para não se apaixona", e a protagonista parece muito com você - fisicamente.
sua irmã argentina: http://tinyurl.com/29vmhxy
http://tinyurl.com/2fe955w

beijo

Giovana said...

Oi, Ivi, tudo melhorando?

Eu não sei pq, mas pensei numa matéria que lí há tempos atrás, bem na época da turbulencia que me meti (aquela turbulencia japonesa, lembras?) e to sempre tentando achar explicaçoes cientificas pra tudo e achei essa materia incrivel e bem explicativa...de um certo modo, confortante.
Confortante pra entender pq fazemos besteiras e pq fazem besteiras conosco... sei lá, eu curti. http://super.abril.com.br/ciencia/amor-566654.shtml
tem mais dois links no final da materia sobre o meio e o fim do amor.

Esse comentario nao precisa aceitar, na real, so queria que todos dessem uma olhada nessa materia. Achei muito boa, ela serviu pra eu entender algumas coisas e tb saber que PASSA. a dor passa e leva em média 10 semanas! hahahaha

beijos.

qualquer coisa, estamos ai pra isso :)

Natalia Venturini Pessutti said...

Tem que haver um jeito!!! Não é possível, tem que haver!!! Esse dinheiro vai aparecer, de algum lugar, tem que!!!

Vanessa said...

também acho que tem que ter um jeito! não dá para pedir um empréstimo aqui, outro ali, vender umas coisas e SE JOGAR?
outra idéia: dá para pedir para segurar a vaga para o ano que vem? você teria que esperar mais um ano, mas neste tempo você dava um jeito nesta grana, se preparava mais, etc, sem falar que um ano passa rápido demais. PS: se joga em Londres, trabalha, junta dinheiro e vai.
Mas, sei lá, não desiste!

camila said...

Ivi,
estudei na holanda (eindhoven) via convênio/bolsa concedida pela minha univ. aqui no brasil. Depois de formada fui atrás de instituições que concedessem bolsas para master. Minha vida tomou outro rumo, mas um caminho possível tá aqui:

http://www.nesobrazil.org/students/information-in-portugese/Bolsas

vai lá!
bjs e boa sorte
camila

Dani said...

My beautiful Ivi, estou nos mesmos esquemas seus. Não estou nas europas da vida, mas tá tudo ultramexicano por aqui. Aí eu comecei a ler um livro que fala de solidão. Mas fala também de estar junto. Achei que ia ser romance mamão com açúcar, mas a coisa me prendeu de um jeito que deixo de dormir prá ler. Vou falar prá você ler também. Acho que vai gostar. Se chama "Um certo verão na Sicília" de Marlena de Blasi. Dá uma lida e depois me conta. Acho que estamos na fase de entender essas coisas.

Beijos! Love you very very much!

Dani.

tary said...

uai, então vc está na europa? só agora que eu vi isso... (achei que essas fotos e videos eram de qdo vc fez aquela viagem). pq, então, armin terminou com vc por email? se ela ta aí também?

não curti a conduta...

beijo e boa sorte!

Ana Loureiro said...

Adorei seu blog! Fotos divinas! Comecei um blog de fotografia, qdo der passa lá:

http://viefotografei.blogspot.com

Abraço!

Alessandra - Lain said...

"O bom viajante não tem planos fixos

e não tem a intenção de chegar.


O bom artista deixa sua intuição

guiá-lo aonde quiser.


O bom cientista já se livrou dos conceitos

e deixa sua mente aberta para o que é.


Assim, o mestre está disponível para todos,

e não rejeita ninguém.


Ele está pronto para usar todas as situações,

e não desperdiça nada.


Isso se chama incorporar a luz.


O que é um bom homem

A não ser o professor de um mau homem?


O que é um mau homem

A não ser o trabalho de um bom homem?


Se você não compreender isso, você se perderá,

Não importa quão inteligente seja.


É o grande segredo." (Lao Tsu)

Tassia said...

Dinheiro é bom, mas é uma merda, né?

Pí Ême. said...

Minha frase pra momentos urucubaca: que porra, hein?
Carambs.

Sempre comento aqui, acho que meu último comentário não foi. Foi?

beijo.

Vanessa Negrão said...

dá vontade de organizar uma vaquinha. não é possível... =/

vivi said...

Vc tentou a Rietveld Academy? Bolsa ou renegociar com eles? Oferecer um projeto Brasil-Holanda aproveitando seus contatos? Manda uma carta ou marca uma entrevista com o diretor do seu curso, pessoalmente eles costumam ser mais flexiveia. Apliquei e fui no open day pra um masters, nao me queriam e nao me deram outra solucao alem de fazer facul de novo. Depois de 2 anos me enchi e marquei hora com o diretor do curso depois de mandar cv, carta de recomendacao e tal. Ele aprovou e fiz o pre masters, so parei pq nao curti o curso era academico demais. Aqui faz muita diferenca um curso pratico e um academico mesmo em artes. Nao desista!