Saturday, February 13, 2010

da inutilidade do cálculo

"sou um homem doente" é a primeira frase de memórias do subsolo, e que me causou uma impressão brutal quando, em 2003, a li pela primeira vez.

desde então eu quis escrever um livro só pra poder começar com uma frase bombástica.

eu acho que vocês se lembram de quando eu escrevi, durante a viagem, que tinha agonia de quem ficava tirando mil fotos pra se lembrar de onde passou porque passava pelos lugares com tanta fugacidade que, realmente, se não houvesse uma foto do lugar, a pessoa nem saberia que esteve ali.

eu pensei nisso esses dias. a ausência de cálculo e o excesso de cálculo, e a inutilidade dos dois.

no caminho pra ilhabela, duas semanas atrás, eu fiquei tão cuidadosa esperando chegar a paisagem perfeita que passei por todas, passei pelas mais lindas, e pensando "ainda não, ainda não, ainda não", acabei fotografando as menos bonitas. eu não acreditei nas mais bonitas. achei que viriam outras melhores. e fotos sairam assim: menos bonitas. justo também. o resultado segue o método.

perdi o faro. perdi a prática. na verdade, talvez eu esteja só meio cacto.

§

eu continuo sem saber o que dizer.

§

tenho a impressão de quem tu continua fazendo as mesmas coisas que me entristeciam antes. um milhão de libélulas. eu odeio todas.

§

e em relação a outras coisas, eu às vezes eu acordo no meio da noite e não consigo mais dormir.

§

"a paixão de ordínov era como uma arma apontada para ele mesmo".

8 comments:

C. Manoela said...

sou tua fã

C. Manoela said...

sou tua fã

Bianca said...

Calma, Ivi. Vai passar. É só uma fase. Daqui a pouco vc encontra o equilíbrio novamente. Eu fico aqui desejando que passe bem rapidinho. Beijão.

Mariana Souza said...

Ivi, sempre que entro no seu blog me emociono, mas esse post me fez chorar. Entre a ausência e o excesso tem tantas coisas possíveis, aprender a viver entre os dois ajuda a saber o que dizer, mesmo que no dia seguite mude as palavras,as idéias, o caminho e o faro.
haverão muitas outras viagem pra ilhabela aproveite o caminho e se puder tire bonitas fotos.
virtú e fortuna
Mariana

Marimar said...

mandei email! :)

Amanda said...

"eu fiquei tão cuidadosa esperando chegar a paisagem perfeita que passei por todas, passei pelas mais lindas, e pensando "ainda não, ainda não, ainda não", acabei fotografando as menos bonitas. eu não acreditei nas mais bonitas. achei que viriam outras melhores. e fotos sairam assim: menos bonitas".
Isso também aconteceu comigo,mas ao invés de uma paisagem era um amor, em busca do perfeito, eu deixei o mais bonito passar.

Dani said...

Ivi, eu estava igual. Sumi daqui, andava totalmente sem inspiração. Meu coração andava apertado - de novo.

Esperando o momento certo de dizer as coisas.

O momento passou.

O momento levou meu amor embora - aquele amor, lembra? - e ontem a gente disse adeus. Hoje, senti o vazio. Perdi a inspiração. Não sei o que dizer. Talvez seja isso, não consigo respirar, meu peito está apertado demais.

Eu também acordava à noite e não dormia mais. Agora já não quero acordar, não posso.

Com os olhos fechados eu não enxergo a dor.

Talita said...

Acabei de cair no blog por acaso... já virei fã! Não sei se pela paixão pela avó, pela mania de ausência ou se pelo amor por uma estrada à frente. Mas frequentarei!

Enfim, era só para falar que tá certo ter momento cacto. Que não pode abraçar porque é só espinho... Mas, lembra, cacto floresce na porcaria do DESERTO. E isso tá longe de não ser nada espetacular.