hoje é o lançamento de "ficcionais vol. 2" uma coletânea organizada por schneider, que (agora vem o ctrl+c ctrl v do release) "foi arquitetada a partir da seção Bastidores. A cada edição, um autor é convidado a escrever livremente sobre o processo de composição de sua obra".
a lista de autores: angélica freitas, micheliny verunschk, ana paula maia, andrea del fuego, luci collin, débora ferraz, maria valéria rezende, carola saavedra, paula fábrio, sérgio sant'anna, joão almino, ronaldo correia de brito, marcelino freire, estevão azevedo, tiago novaes, bruno liberal, silviano santiago, everardo norões, raimundo carrero, josé luiz passos, caco ishak, antonio geraldo figueiredo ferreira, julian fúks, antonio xerxenesky, antonio carlos viana, joão paulo parísio, luis henrique pellanda, eucanaã ferraz, sidney rocha and essa vaca profana que vos escreve.
o lançamento nacional do livro é hoje, na livraria blooks do shopping frei caneca, com um debate com três dos autores presentes na obra: julián Fuks, sidney rocha e micheliny verunschk. aqui é o link do evento no facebook.
capa and travesti
ps: desculpa dois posts de merchandising num dia só às vezes acontece :)
sexta-feira agora é o lançamento da terceira edição da revista FOG Platform, especializada em texto, foto e vídeo documentais. a revista fez um apanhado dos últimos 10 anos do trabalho sobre vovó e vai publicar fotos inéditas, que fiz entre fim de 2015 e começo de 2016.
além do meu trabalho vão ser publicados também séries de jakob ganslmeier, ivette löcker, yvette marie dostatni, hannes wiedemann (maravilhosa pessoa and maravilhosa série), andrej kolenčík, nigel poor kowitsch, robin hinsch e meu professor mais querido ludwig rauch.
eu vou contrariar minha própria regra de nunca citar os parcêro famoso das artistas/autoras sobre as quais escrevo (algo que me dá muita raiva. tipo quando o povo vai falar de gerda taro sempre tem que mencionar que ela era a mulher de robert capa, como se isso fosse contextualizar "melhor"). mas vou quebrar minha regra porque as cartas de amor que ingeborg escreveu para paul celan eram as coisas mais lindamente humanas, ela correndo atrás dele, ele sempre sem tempo ou ocupado consigo mesmo, a gente fica identificada, né. enfim aí vai (ah e as minha "tradução" é sempre pro recifês, ceis sabe, comigo regência plural e conjugação é coisa do passado):
de ingeborg bachmann para paul celan, viena, natal de 1948, carta não enviada
Natal, 1948
Querido, querido Paul!
Ontem e hoje eu pensei muito em tu, pensei muito na gente. Não te escrevo pra que tu me escreva de volta, te escrevo porque me faz bem e porque eu quero. Eu tinha pensado em ir te encontrar em Paris esses dias, mas aí um sentimento vaidoso e idiota de conscienciosidade me prendeu aqui e eu não fui. Como fazemos então: n'algum lugar em Paris? Eu não sei, mas de qualquer forma seria lindo!
Três meses atrás do nada alguém me deu teu livro de presente. Eu não sabia que tinha sido publicado. Foi... foi como se o chão tivesse se aberto sob meus pés, e minhas mãos tremeram bem de levinho. Então passei muito tempo sem sentir nada. Aí algumas semanas atrás em Viena comentaram que os Jenés tinha ido para Paris. Eu também fui na viagem.
Eu ainda não sei o que a última primavera significou. - Tu sabe que eu sempre quero saber direitinho o nome das coisas. - Que foi lindo eu sei, - e os poemas, e O Poema, que nós fizemos um do outro.
Hoje eu te amo. Eu queria muito te dizer isso, - porque naquela época eu não disse o suficiente.
Assim que eu tiver tempo, posso ir passar uns dias aí. Tu ia querer me ver também? Por uma hora, ou duas.
Com muito, muito amor! Sua Ingeborg
de ingeborg bachmann para paul celan, munique, 18.01.1958
sábado 18-1-58
O Proust chegou. Que bonito!! (Tu me mima muito!)
Na noite em que [tu] me ligou, eu tive que pensar várias vezes no que tu me perguntasse: "Devo ir [praí]?" Tu não faz ideia o que significa pra mim que tu pergunte isso. Eu tive que cair no choro, porque sim, porque isso existe para mim e porque eu nunca tive isso antes.
Boa viagem, ânimo e não deixe nenhuma bobagem estragar tua felicidade. Eu vou pensar num lugar e te escrevo em Dresden. Por ora, se cuide!
Eu sou um morto que perambula
em canto nenhum registrado
desconhecido no reino da política
supérfluo nas cidades douradas
e no campo fértil
descartado já há muito
e totalmente esquecido
Apenas vento, tempo e som
que eu, entre pessoas, não posso viver
Eu com a língua alemã
essa nuvem ao meu redor
que eu considero minha casa
me arrasto entre todas as línguas
Ai, como ela se eclipsa
a escuridão, o som da chuva
é pouco o que cai
Então é para onde tem luz que ela leva seu morto.
e, uma vez que contrariei a porra da regra mermo, para terminar, uma tradução esbaforida que fiz pra corona, poema-tão-lindo que celan escreveu para ingeborg, publicado em seu primeiro livro, "mohn und gedächtnis", de 1952.
Corona
O outono devora suas folhas em minhas mãos: somos namorados.
Descascamos o tempo de dentro das nozes e o ensinamos a partir:
O tempo volta para a casca.
No espelho é domingo,
no sonho se dorme,
a boca diz a verdade.
Meu olhar desce para o sexo da amante:
Nos olhamos,
dizemos coisas sombrias,
nos amamos como papoula e memória,
dormimos como vinho nas conchas,
como o brilho sanguíneo da lua no mar.
De pé abraçados à janela, o povo na rua nos vê:
é tempo que saibam!
É tempo da pedra se preparar para florescer,
que a inquietação faça bater um coração.
É tempo de ser tempo.
É tempo.
Corona
Aus der Hand frißt der Herbst mir sein Blatt: wir sind Freunde.
Wir schälen die Zeit aus den Nüssen und lehren sie gehn:
die Zeit kehrt zurück in die Schale.
Im Spiegel ist Sonntag,
im Traum wird geschlafen,
der Mund redet wahr.
Mein Aug steigt hinab zum Geschlecht der Geliebten:
wir sehen uns an,
wir sagen uns Dunkles,
wir lieben einander wie Mohn und Gedächtnis,
wir schlafen wie Wein in den Muscheln,
wie das Meer im Blutstrahl des Mondes.
Wir stehen umschlungen im Fenster, sie sehen uns zu von der
Straße:
es ist Zeit, daß man weiß!
Es ist Zeit, daß der Stein sich zu blühen bequemt,
daß der Unrast ein Herz schlägt.
Es ist Zeit, daß es Zeit wird.
trecho e trilha de "mulheres puro teatro de tite curet alonso vocalização da imensa la lupe em tradução de william zeytounlian Que nem num cenário ‘cê finge seu sofrer barato. Mas que drama desnecessário: já conheço esse teatro. Fingindo, você faz direitinho o papel... no final das contas parece que esse é seu jeito de ser. Eu confiei cegamente na febre dos beijos teus. Você mentiu serenamente e a cortina, enfim, desceu. Teatro, você é puro teatro falsidade ensaiada estudado simulacro. Sua melhor atuação foi destroçar meu coração. Agora, você chora de verdade; e eu relembro o simulacro. Foi mal pela sinceridade, mas eu acho que é teatro.
diante dos ataques de ontem em orlando, essa semana esse blog vai ser gay (como se já não fosse).
interrompemos brevemente nossa programação de gayrrilha para convidar vocês queridas leitorinhas a ir dar uma olhada na edição nova da revista old, que tem trabalhos de camila pastorelli, gustavo gomes, yannis karpouzis, xavier sánchez, uma entrevista com josé diniz and esta adelaide que vos escreve.
Eu já falei em excesso em acesso muito e demais
Declarei expliquei esclareci tudo
Falei tudo que tinha pra falar
Não tenho mais assunto mais conversa fiada
Já falei tudo
Não tenho mais voz pra cantar também
Porque eu já cantei tudo que tinha que cantar
Eu cresci engordei tô forte
Tô mais forte que um casal
Que a família que o exército que o mundo que a casa
Sou mais velha do que todos na família
pág. 143
Me transformei com esse falatório todinho
Num homem feio
Mas tão feio
Que não me aguento mais de tanta feiúra
Porque quem vence o belo é o belo
Quem vence a saúde é outra saúde
Quem vence o normal é outro normal
Quem vence um cientista é outro cientista
essa semana teremos só stela do patrocínio, porque é tempo de stela. os textos que vão aparecer aqui são do livro Reino dos bichos e dos animais é o meu nome (Rio de Janeiro: Azougue, 2002), organizado por vivane mosé. agradeço a ricardo domeneck por ter me emprestado o livro.
Perdi o gosto o prazer o desejo a vontade de querer
pág. 122
Eu não tenho coragem de enfrentar nada Eu tenho que enfrentar a violência A brutalidade a grosseria E ir à luta pelo pão de cada dia
pág. 123
Eu sou mundial pobre Tudo pra mim é merda durinha à vontade Até ser contaminada e contaminada até ser merda pura E é merda fezes excremento bosta cocô Bicha lombriga verme pus ferida vômito escarro porra Diarréia disenteria água de bosta e caganeira
pág. 125
Eu não sei o que fazer da minha vida Por isso eu estou triste E fico vendo tudo em cima da minha cabeça Em cima do meu corpo Toda hora me procurando me procurando E eu já carregada de relação sexual Já fodida Botando o mundo inteiro pra gozar e sem nenhum gozo
pág. 127
Você já está me comendo tanto com os olhos Que eu já não tenho de onde tirar força Pra te alimentar
pág. 130
É quadrilha exército povoado Bloco médico escoteiros e bandeirantes Isso é família porque família é família Tudo é família Você não é família?
Uma família é uma reunião uma reunião Uma família pra mim é uma reunião de médicos e cientistas Minha família era a família que se garantia E sumiu de repente desapareceu mudou Mudou não sei se foi porque mudaram as vestimentas A família toda com as mesmas roupas Com roupas iguais E aí mudou as roupas Pra poder ficar mais difícil a diferença entre nós
Escoteiros quem vence são bandeirantes Bandeirantes quem domina e vence são escoteiros Família é quadrilha exército povoado Bloco médico escoteiros bandeirantes Corpo de bombeiros quadrilha exército Povoado bloco médico corpo de bombeiros
pág. 131
Se eu pegar a família toda de cabeça pra baixo E perna pra cima Meter tudo dentro da lata do lixo e fazer um aborto Será que acontece alguma coisa comigo? Vão me fazer alguma coisa?
Se eu pegar durante a noite novamente a família
toda de cabeça pra baixo E perna pra cima Jogar lá de dentro pra fora Lá de cima pra baixo Será que ainda vai continuar acontecendo
alguma coisa comigo?
pág. 133
Me ensinaram a morder chupar roer lamber e dar dentadas
essa semana teremos só stela do patrocínio, porque é tempo de stela. os textos que vão aparecer aqui são do livro Reino dos bichos e dos animais é o meu nome (Rio de Janeiro: Azougue, 2002), organizado por vivane mosé. agradeço a ricardo domeneck por ter me emprestado o livro.
A vida a gente tem que aceitar como a vida é E não como a gente quer Se fosse como eu queria Eu não queria ver ninguém no mundo Não queria ver ninguém na casa Queria estar toda hora comendo bebendo fumando Assim é que eu queria que fosse meu gosto
Mas como eu pulei muro despulei muro Pulei portão despulei portão Pulei lá de cima pro lado de fora Do lado de fora pro lado de dentro Quer dizer que eu...
Não é como eu gosto Eu não esperava pular janela despular janela
pág. 113
Lá no portão eu disse Quero pastar à vontade que nem camelo Pra ver como fica o resultado da história da vida de Cristo
pág. 116
Depois do entre a vida e a morte Depois dos mortos Depois dos bichos e dos animais Só fica a vontade como bicho e como animal
pág. 118
Meu nome verdadeiro é caixão enterro Cemitério defunto cadáver Esqueleto humano asilo de velhos Hospital de tudo quanto é doença Hospício Mundo dos bichos e dos animais Os animais: dinossauro camelo onça Tigre leão dinossauro Macacos girafas tartarugas Reino dos bichos e dos animais é o meu nome Jardim Zoológico Quinta da Boa Vista Um verdadeiro jardim zoológico Quinta da Boa Vista
essa semana teremos só stela do patrocínio, porque é tempo de stela. os textos que vão aparecer aqui são do livro Reino dos bichos e dos animais é o meu nome (Rio de Janeiro: Azougue, 2002), organizado por vivane mosé. agradeço a ricardo domeneck por ter me emprestado o livro.
No céu Me disseram que deus mora no céu No céu na terra em toda parte Mas não sei se ele está em mim Ou se ele não está Eu sei que estou passando mal de boca Passando muita fome comendo mal E passando mal de boca Me alimentando mal comendo mal
Passando muita fome Sofrendo da cabeça Sofrendo como doente mental E no presídio de mulheres Cumprindo prisão perpétua Correndo um processo
Sendo processada
pág. 98
Eles disseram pra mim Você não pode passar sem um homem Sem mulher sem criança sem os bichos sem os animais Mas alimentação e super-alimentação você também não pode ter
pág. 100
Só depois da relação sexual é que eu posso carregar tudo pela língua e pela boca
pág. 101
Tinha terra preta no chão Um homem foi lá e disse Deita aí no chão pra mim te foder Eu disse não Vou me embora daqui Aí eu saí de lá e vim andando Ainda não tinha esse prédio Não tinha essa portaria Não tinha esse prédio Não tinha essa portaria Não via tinta azul pelas paredes A parede ainda não era pintada de azul
pág. 102
Eu fui agarrada quando eu estava sozinha Não conhecia ninguém não conhecia nada Não via ninguém não via nada Nada de cabeças de corpos Nada de casa nada de mundo Eu não conhecia nada eu era ignorante
Depois que eu fui agarrada pra relação sexual e pra foder Depois, só depois eu comecei a ter noção e ficar sabendo Antes eu não fazia nada Não dependia de nada Não fazia nada Era como uma parasita Uma paralisia um câncer
essa semana teremos só stela do patrocínio, porque é tempo de stela. os textos que vão aparecer aqui são do livro Reino dos bichos e dos animais é o meu nome (Rio de Janeiro: Azougue, 2002), organizado por vivane mosé. agradeço a ricardo domeneck por ter me emprestado o livro.
Eu vejo o mundo e a família
O mundo e a família
A família que vive no mundo
E vive na casa que está sempre no mundo
E que está sempre na casa...
E a Dra. Elisabeth disse assim pra mim
E você queria ver mais do que isso pra quê?
E você queria ver mais do que isso pra quê?
pág. 92
É a mesma mulher é o mesmo homem
É a mesma criança é o mesmo bicho
É o mesmo animal é o mesmo espírito
É a mesma alma é o mesmo Deus
É a mesma Nossa Senhora
É o mesmo Menino Jesus no Tempo
essa semana teremos só stela do patrocínio, porque é tempo de stela. os textos que vão aparecer aqui são do livro Reino dos bichos e dos animais é o meu nome (Rio de Janeiro: Azougue, 2002), organizado por vivane mosé. agradeço a ricardo domeneck por ter me emprestado o livro.
Não sou eu que gosto de nascer
Eles é que me botam pra nascer todo dia
E sempre que eu morro me ressuscitam
Me encarnam me desencarnam me reencarnam
Me formam em menos de um segundo
Se eu sumir desaparecer eles me procuram onde eu estiver
Pra estar olhando pro gás pras paredes pro teto
Ou pra cabeça deles e pro corpo deles
pág. 82
Eu era gases puro, ar, espaço vazio, tempo
Eu era ar, espaço vazio, tempo
E gases puro, assim, ó, espaço vazio, ó
Eu não tinha formação
Não tinha formatura
Não tinha onde fazer cabeça
Fazer braço, fazer corpo
Fazer orelha, fazer nariz
Fazer céu da boca, falar falatório
Fazer músculo, fazer dente
Eu não tinha onde fazer nada dessas coisas
Fazer cabeça, pensar em alguma coisa
Ser útil, inteligente, ser raciocínio
Não tinha onde tirar nada disso
Eu era espaço vazio puro
pág. 83
Eu não sei como pode formar uma cabeça
Um olho enxergando, nariz respirando
Boca com dentes
Orelhas ouvindo vozes
Pele, carne ossos
Altura, largura, força
Pra ter força
O que é preciso fazer?
É preciso tomar vitamina
essa semana teremos só stela do patrocínio, porque é tempo de stela. os textos que vão aparecer aqui são do livro Reino dos bichos e dos animais é o meu nome (Rio de Janeiro: Azougue, 2002), organizado por vivane mosé. agradeço a ricardo domeneck por ter me emprestado o livro.
Não trabalho com a inteligência
Nem com o pensamento
Mas também não uso a ignorância
pág. 63
Eu sou seguida acompanhada imitada
assemelhada
Tomada conta fiscalizada examinada revistada
Tem esses que são igualzinhos a mim
Tem esses que se vestem se calçam igual a mim
Mas que são diferentes da diferença entre nós
É tudo bom e nada presta
pág. 64
Dias semanas meses o ano inteiro
Minuto segundo toda hora
Dia tarde a noite inteira
Querem me matar
Só querem me matar
Porque dizem que eu tenho a vida fácil
Tenho vida difícil
Então porque eu tenho vida fácil tenho vida difícil
Eles querem saber como é que eu posso ficar nascendo
Sem facilidade com dificuldade
Por isso é que eles querem me matar
pág. 66
Eu sou Stela do Patrocínio
Bem patrocinada
Estou sentada numa cadeira
Pegada numa mesa nega preta e crioula
Eu sou uma nega preta e crioula
Que a Ana me disse
pág. 68
Nasci louca
Meus pais queriam que eu fosse louca
Os normais tinham inveja de mim
Que era louca
pág. 69
Eu já fui operada várias vezes
Fiz várias operações
Sou toda operada
Operei o cérebro, principalmente
Eu pensei que ia acusar
Se eu tenho alguma coisa no cérebro
Não, acusou que eu tenho cérebro
Um aparelho que pensa bem pensado
Que pensa positivo
E que é ligado a outro que não pensa
Que não é capaz de pensar nada nem trabalhar
Eles arrancaram o que está pensando
E o que está sem pensar
E foram examinar esse aparelho de pensar e não pensar
Ligados um ao outro na minha cabeça, no meu cérebro
Estudar fora da cabeça
Funcionar em cima da mesa
Eles estudando fora da minha cabeça
Eu já estou nesse ponto de estudo, de categoria
pág. 73
Meu passado foi um passado de areia
Em mar de Copacabana
Cachoeira de Paulo Afonso
Bem dentro da Lagoa Rodrigo de Freitas
No Rio de Janeiro
O futuro eu queria
Ser feliz
E encontrar a felicidade sempre
E não perder nunca o gosto de estar gostando
O que eu penso em fazer da minha vida
É encontrar a felicidade, ser feliz
Ficar gostando e não perder o gosto
Ser feliz
Encontrar a felicidade
E não perder o gosto de estar gostando
pág. 74
Eu sei que o meu passado
Eu prestei bem atenção como foi
O presente
Eu continuo prestando atenção como é
Mas o futuro
Eu não sei como vai ser
É difícil de eu descobrir
Como vai ser meu futuro
essa semana teremos só stela do patrocínio, porque é tempo de stela. os textos que vão aparecer aqui são do livro Reino dos bichos e dos animais é o meu nome (Rio de Janeiro: Azougue, 2002), organizado por vivane mosé. agradeço a ricardo domeneck por ter me emprestado o livro.
Eu estava com saúde
Adoeci
Eu não ia adoecer sozinha não
Mas eu estava com saúde
Estava com muita saúde
Me adoeceram
Me internaram no hospital
E me deixaram internada
E agora eu vivo no hospital como doente
O hospital parece uma casa
O hospital é um hospital
pág. 52
É dito: pelo chão você não pode ficar
Porque lugar de cabeça é na cabeça
Lugar de corpo é no corpo
Pelas paredes você também não pode
Pelas camas também você não vai poder ficar
Pelo espaço vazio você também não vai poder ficar
Porque lugar de cabeça é na cabeça
Lugar de corpo é no corpo
pág. 54
O remédio que eu tomo me faz passar mal
E eu não gosto de tomar remédio
passando mal
Eu ando um pouquinho, cambaleio, fico
cambaleando
Quase levo um tombo
E se eu levo um tombo eu levanto
Ando mais um pouquinho, torno a cair
pág. 57
Sinto muita sede muito sono muita preguiça
muito cansaço
Fico na malandragem na vagabundagem como marginal
E como malandra como marginal como malandra
na malandragem
Na vagabundagem e na vadiagem como marginal
essa semana teremos só stela do patrocínio, porque é tempo de stela. os textos que vão aparecer aqui são do livro Reino dos bichos e dos animais é o meu nome (Rio de Janeiro: Azougue, 2002), organizado por vivane mosé. agradeço a ricardo domeneck por ter me emprestado o livro.