Saturday, January 09, 2016

sufragistas em documentário da BBC

acho que por causa do lançamento do filme as sufragistas,  o facebook da modo de usar & co. linkou a série de documentários da BBC com o mesmo nome.

o docu é muito bom e eu fiquei muito emocionada várias vezes. mas eu queria sugerir, para quem for mesmo assisti-lo, de fazer o exercício de se lembrar que toda vez que a apresentadora falar "mulher", adicione um "branca" depois. tenho feito esse trabalhinho de auto-crítica para lembrar que o "nosso" feminismo escanteou, por anos demais, as lutas e demandas de mulheres que não se encaixassem no perfil mesmo das suas representantes (ou seja, ignoram a mulher negra, homossexual, pobre etc).

por isso, ainda que o programa seja ótimo e ainda que o trabalho e sacrifícios das feministas inglesas tenham sido de uma importância enorme (para mulheres brancas hetero de classe média do ocidente), é exatamente por isso que ele não é tão universal quanto o documentário tenta dar a entender. atenção nisso! :)

além disso, tomei a liberdade de juntar essas "notas de rodapé", para aprofundar/contextualizar algumas passagens do programa. exatamente pelo docu ser focado no movimento das sufragistas inglesas e discutir costumes ingleses, alguns tópicos no wiki só têm em inglês (ou são tão superficiais em português que decidi linkar direto para esses). tentem usar o tradutor do google - porque mesmo que a tradução seja bem lôca, pelo menos há mais infos do que na página em português.

aqui o documentário:




e essas são as notas da parte um (são três episódios no total):


















scold's bridle





 que era uma das penalizações por common scold








blue stocking society (é muito interessante a parte em que citam esse grupo, para lembrar que toda vez que a luta política de uma mulher tenta ser diminuída, é pelo viés da sua vida privada, da sua sexualidade. já era assim então e é assim até hoje - sabe disso nos dá melhores argumentações contra os macho quando eles vêm chamar a gente das coisas que chamam, especialmente numa discussão sobre feminismo, mas não somente)








The Female Society for the Relief of British Negro Slaves 










té o próximo!



Monday, December 28, 2015

Friday, December 25, 2015

Thursday, December 24, 2015

Wednesday, December 23, 2015

Tuesday, December 22, 2015

canção para uma moça, de anne sexton


pedi pro poeta, capricorniano e querido amigo rafael mantovani para traduzir alguns dos seus poemas preferidos dos love poems, da nossa querida escorpiana anne sexton.

esse é o terceiro e último poema, espero que tenha gostado (muito) haha.



CANÇÃO PARA UMA MOÇA


No dia dos peitos e dos quadris pequenos
a janela salpicada de chuva podre,
chuva insistente feito um padre,
copulamos, com mais juízo e com menos.
Deitamos que nem colheres enquanto a chuva
sinistra caía feito moscas nos nossos lábios febris
e nossos olhos contentes e nossos pequenos quadris.

“O quarto está tão frio com essa chuva”, você disse
e você, você fêmea, com sua flor
rezou novenas para os meus tornozelos, cotovelos.
Você é um produto e uma potência nacional.
Ó meu cisne, rosa querida felpuda, minha serviçal,
até um tabelião autenticaria nosso colchão
enquanto você me amassa e eu cresço que nem pão.




SONG FOR A LADY

On the day of breasts and small hips
the window pocked with bad rain,
rain coming on like a minister,
we coupled, so sane and insane.
We lay like spoons while the sinister
rain dropped like flies on our lips
and our glad eyes and our small hips.
     
"The room is so cold with rain", you said
and you, feminine you, with your fiower
said novenas to my ankles and elbows.
You are a national product and power.
Oh my swan, my drudge, my dear wooly rose,
even a notary would notarize our bed
as you knead me and I rise like bread.

Monday, December 21, 2015

fotos das fotos #2







para o capitão do porto, de frank o'hara




Para o capitão do porto

Eu queria ter certeza que ia chegar até você;
mas apesar de meu barco estar a caminho, ele se enroscou
em alguns nós. Eu estou sempre atando nós
e depois decido ir embora. Em tempestades e
no pôr-do-sol, com as cordas metálicas das marés
cercando meus braços infinitos1, sou incapaz
de entender as feições da minha vaidade
ou sou o vento contrário com meu leme2 polonês
nas mãos, o sol se pondo. Para
você eu ofereço meu casco e o cordame esfarrapado
do meu desejo. Os estreitos terríveis pra onde
o vento me empurra contra os lábios marrons
dos juncos3 não estão todos no passado. Ainda assim
confio na sanidade mental do meu navio; e
se ele afundar, pode ser uma resposta
para a sensatez dessas vozes eternas,
as ondas que me impediram de te alcançar.




To the Harbormaster

I wanted to be sure to reach you;
though my ship was on the way it got caught
in some moorings. I am always tying up
and then deciding to depart. In storms and
at sunset, with the metallic coils of the tide
around my fathomless arms, I am unable
to understand the forms of my vanity
or I am hard alee with my Polish rudder
in my hand and the sun sinking. To
you I offer my hull and the tattered cordage
of my will. The terrible channels where
the wind drives me against the brown lips
of the reeds are not all behind me. Yet
I trust the sanity of my vessel; and
if it sinks, it may well be in answer
to the reasoning of the eternal voices,
the waves which have kept me from reaching you.



1. fathomless pode ser traduzido como impossível, insondável. eu acho que chamar braços de fathomless é um dos jeitos mais lindos de pensar o corpo, e apenas mostra o encantamento eterno de o'hara com esse tema. usei infinito, não é a tradução literal, mas achei bonito, aplicável.

2. li recentemente pequeno artigo sobre esse poema, no qual se diz que o'hara seria o mestre de ver o lado copo-cheio da vida. esse poema é sobre vontades, inspirado num romance impossível - um barco furado, como diríamos em hellcife. assim, acho muito lindo o uso da palavra rudder - que tanto é leme na terminologia náutica, como uma metáfora pra princípios, código de conduta.

3. fiquei noiando com isso: "the brown lips/of the reeds". reeds é junco, aquele mato que dá em rio. e os juncos têm aquela "flor" marrom fálica, que em nada se parecem com lábios. fiquei pensando em o'hara pensando na forma fálica do junco, e ele pensando em como montar a metáfora. é bem provável que eu esteja apenas viajando, e ele estava simplesmente chamando as coisas pelos nomes que elas têm pra ele. mas fico aqui inventando a cena em que ele diz "vou chamar essa parte marrom do junco de lábios". eu teria chamado de "aquela parte do junco que parece um pau".

outra coisa lindíssima é que algumas espécies de junco eram usadas na fabricação de papiro. aí você pensa no poeta pensando nessas coisas todas e não consegue mais dormir, achando que ele é um fado madrinho.


Saturday, December 19, 2015

texto lindo de pio

no icônica, sobre o TCC. ele publicou ontem e ainda vou precisar de uns três dias pra superá-lo. porra, pio.





sr. meu, de anne sexton

pedi pro poeta, capricorniano e querido amigo rafael mantovani para traduzir alguns dos seus poemas preferidos dos love poems, da nossa querida escorpiana anne sexton.

esse é o segundo dos três poemas que rafael traduziu pra gentch.



SR. MEU

Note como ele numerou as veias azuis
no meu peito. Tem dez sardas além disso.
Agora ele vira à esquerda. Agora à direita.
Está construindo uma cidade, uma cidade de carne.
Ele é um industrial. Passou fome em porões
e, senhoras e senhores, foi surrado por ferro,
pelo sangue, o metal, pelo triunfante
ferro da morte da mãe dele. Mas ele recomeça.
Agora me constrói. A cidade o consome.
Da glória das tábuas ele me ergueu.
Do milagre do concreto ele me moldou.
Me deu seiscentas placas de rua.
Da vez em que eu estava dançando ele construiu um museu.
Construiu dez quarteirões quando me virei na cama.
Construiu um viaduto quando eu fui embora.
Dei flores e ele construiu um aeroporto.
Distribuiu como semáforos pirulitos vermelhos e
verdes. Mas no coração sou cuidado crianças brincando.



MR. MINE

Notice how he has numbered the blue veins
in my breast. Moreover there are ten freckles.
Now he goes left. Now he goes right.
He is building a city, a city of flesh.
He's an industrialist. He has starved in cellars
and, ladies and gentlemen, he's been broken by iron,
by the blood, by the metal, by the triumphant
iron of his mother's death. But he begins again.
Now he constructs me. He is consumed by the city.
From the glory of words he has built me up.
From the wonder of concrete he has molded me.
He has given me six hundred street signs.
The time I was dancing he built a museum.
He built ten blocks when I moved on the bed.
He constructed an overpass when I left.
I gave him flowers and he built an airport.
For traffic lights he handed at red and green
lollipops. Yet in my heart I am go children slow.

Friday, December 18, 2015

Thursday, December 17, 2015

os cadernos de adelaide


esse é meu post ana maria braga, apenas queria mostrar minhas habilidades encadernativas. óbrégada pela oportunidade





essa foto foi clarissa que tirou quando
o caderninho chegou na casa dela em
amsterdão (e a foto do casal atrás eu que
fiz no berlimbo)

Wednesday, December 16, 2015

nós, de anne sexton, por rafael mantovani

pedi pro poeta, capricorniano e querido amigo rafael mantovani para traduzir alguns dos seus poemas preferidos dos love poems, da nossa querida escorpiana anne sexton.

a gente começa com "nós", essa coisa lindíssima. um presente de rafael pro nosso deleite, uma tradução calvin klein, simples e certeira. agradeçam!




NÓS

Eu estava embrulhada em peles
pretas e peles brancas e
você desembrulhou e então
me colocou na luz dourada
e então me pôs a coroa,
enquanto nevava lá fora
em dardos diagonais.
Enquanto uma neve de vinte
e cinco centímetros descia como estrelas
em pequenos fragmentos de cálcio,
estávamos nos nossos próprios corpos
(esse quarto que vai nos enterrar)
e você estava no meu corpo
(esse quarto que vai existir depois de nós)
e primeiro sequei os seus
pés com uma toalha
porque eu era sua escrava
e então você me chamou de princesa.
Princesa!

Ah então
me levantei na minha pele dourada
e derrubei os salmos
e derrubei as roupas
e você desatou a brida
e desatou as rédeas
e eu desatei os botões,
os ossos, as confusões,
os cartões-postais de New England,
a noite de janeiro às dez da noite,
e nos erguemos feito trigo,
acres e mais acres de ouro,
e nós colhemos,
colhemos.





US

I was wrapped in black
fur and white fur and
you undid me and then
you placed me in gold light
and then you crowned me,
while snow fell outside
the door in diagonal darts.
While a ten-inch snow
came down like stars
in small calcium fragments,
we were in our own bodies
(that room that will bury us)
and you were in my body
(that room that will outlive us)
and at first I rubbed your
feet dry with a towel
because I was your slave
and then you called me princess.
Princess!

Oh then
I stood up in my gold skin
and I beat down the psalms
and I beat down the clothes
and you undid the bridle
and you undid the reins
and I undid the buttons,
the bones, the confusions,
the New England postcards,
the January ten o'clock night,
and we rose up like wheat,
acre after acre of gold,
and we harvested,
we harvested.

Tuesday, December 15, 2015

sete fotos

dani arrais me pediu para mostrar minhas fotos preferidas pra #galeriadonttouch do blog dela. como já escrevi lá, a lista não é a pequena lista dos melhores trabalhos do mundo, é apenas um lembrete dos trabalhos mais importantes na minha formação. para ver todas, vai lá no don't touch my moleskine.



alessandra sanguinetti



Monday, December 14, 2015

selfie no hospital





será que é alergia ao golpe?
a temer?
a eduardo cunhão?
alckmin?
samarco?
ao vinho desperdiçado na cara de serra?



Sunday, December 13, 2015

peidos volant, bosta manent

já que temer não sabe nem escrever carta nem poesia, vamos dar voz a quem realmente tem algo a dizer hoje, 13 de dezembro. hoje, aniversário do ato institucional número 5. hoje, justamente hoje, acontecem novas passeatas pró-impeachment. não me venham falar de coincidência. mas seja lá o que eles tenham, a gente tem a vida.




Saturday, December 12, 2015

hoje, no rio de janeiro

a exposição {livros possíveis} abre hoje, no ateliê da imagem, no rio! a mostra "apresenta um panorama heterogêneo da produção contemporânea de fotolivros" com publicações de 24 autores de brasil, EUA, japão, alemanha, espanha, dinamarca, venezuela, méxico e portugal.

eu participo da expo com "autotomy (...)", o que de fato me deixa bem feliz, já que as duas edições do livro estão esgotadas. pelo menos assim mais gente pode ver esse trabalho sem ter que pagar um tostão ;)






o ateliê da imagem fica na av. pasteur, 453, na urca e a expo vai até 13 de fevereiro. todxs convidadxs.

Friday, December 11, 2015

o'hara e pasolini




não salvam o mundo, mas salvam muitos minutos.






Thursday, December 10, 2015

M.I.A em "borders"


seus privilégio, porré essa?






não consigo entender esse vídeo. não sei se é bom ou se é uma farsa. não sei se pegar uma situação de violação dos direitos humanos (a crise ds refugiados) e criar imagens que parecem anúncio da nike é perverso ou maravilhoso.

eu não sei como entender esse vídeo. tudo o que em mim se apaixonou por ele é frágil, e o que me faz ter ódio desse vídeo tampouco é forte o suficiente.

cadê adorno e seus bróder pra ajudar a gente a entender? porra.

Wednesday, December 09, 2015

minutos de sabedoria com samantha jones




ela falando sobre O Pau

ela falando sobre ozomi


Tuesday, December 08, 2015

nossa adelaide da conceição


abençoando recife nesse oito de dezembro

Monday, December 07, 2015

marisa paredes e cindy sherman




marisa paredes em "a flor do meu segredo",
1995, de almodóvar



cindy sherman, da série
Untitled Film Still #58, 1980

Wednesday, December 02, 2015

breve história da polícia militar brasileira

minhas amigas paula faraco e carol almeida compartilharam no facebook os dizeres de uma pessoa chamada luiz antonio simas (a quem agradeço de coração pela simplicidade da explicação):


Não sou especialista em questões de segurança, longe disso, mas minha formação é em História. A ela recorro. A polícia militar foi criada por D. João, no início do século XIX. Me parece ser impossível falar dela sem considerar o contexto em que a revolução dos pretos do Haiti apavorava, pelo poder de inspirar movimentos similares, as elites do Brasil. A função original da polícia era, não nos enganemos com os discursos oficiais, basicamente, defender a propriedade e as camadas dirigentes contra as "gentes perigosas e de cor". Tal fato me faz crer que, em pouco mais de duzentos anos, a PM carioca é uma das instituições mais bem sucedidas do Brasil. Sou dos que acham, portanto, que não adianta dotar esta polícia de um suposto "perfil cidadão", ensinado em algumas aulas mequetrefes, e ponto. O buraco é muito mais embaixo. A PM foi criada para matar. Alguém conhece aí a fábula da natureza do escorpião? Pois é. A PM é, historicamente, uma UPP permanente: Unidade de Pancada em Pobre/Preto. Não sou otimista. Há, evidentemente, policiais do bem, mas a missão que justifica a corporação, inscrita em sua história, é essa: defender o status quo contra as ameaças a ele, fundamentando essa defesa no monopólio da violência, prioritariamente voltada contra os mesmos pretos e pobres dos tempos do rei. A única solução para a PM (com uma soldadesca de maioria pobre e preta, como a gritar que somos um país de complexidades escancaradas) é a extinção/refundação ou coisa do tipo. Como fazer isso? Não sei; mas é necessário. A discussão sobre o que deu errado na polícia parte de um pressuposto equivocado. O problema da PM não é ter dado errado. É ter dado certo.





em são paulo
©fernando sato/jornalistas livres



ps: a foto acima foi publicada por todo lado no face sem menção a seu autor, se alguém souber, por favor me avisa.


no rio







Cop Homicide in Brazil
Five young black men were killed in Rio de Janeiro in what seems to have been a botched police operation.
Posted by AJ+ on Tuesday, 1 December 2015

Friday, November 27, 2015

sophie calle disse que ela mesma ia sei lá, confundir todo mundo?

numa palestra na uni de artes da california, sophie calle diz uma frase de efeito astrás da outra. mas é a partir do 1:11:44 que ela me deixa particularmente louca, quando começa a explicar a realização do filme no sex last night. aqui a aula inteira:




"i was in love with man that didn't love me. as usual. because this is what i like"

"he wanted to make movies and i wanted to marry him".

"i married him because i was in love, he married me because he thought i would add climax to the movie".



e aqui um trecho do filme:










ps: dias 11 e 12 de dezembro, eu e jéssica mangaba vamos promover um workshop em são paulo - "mrs. dalloway disse que ela mesma ia comprar as flores" - sobre representação e auto-representação do feminino nas artes contemporâneas. ainda algumas tem vagas e a gente tá interessado em todas as pessoas. para saber mais, clica aqui http://mrsdallowaydisse.tumblr.com/

Thursday, November 26, 2015

minha amiga secreta é pilar del rio





"pra ver se solucionamos o que os 100% de homens estragaram"
HAHAHAHAHAHAHA
lacrou oclinhos escuros!

Monday, November 23, 2015

últimas vagas última semana


ainda tem 500 vagas pro nosso WS "mrs. dalloway disse que ela mesma ia comprar as flores" e quem fizer as inscrições até o dia 30 de novembro ganha um bloquinho de anotações costuradinho à mão por esta que vos escreve. 


frente do bloquin da ingrid

verso do bloquin de todxs







Saturday, November 21, 2015

leia golgona anghel

recebi, junto com a edição portuguesa do livro novo de ricardo, duas bombas atômicas em casa.

a primeira delas, "vim porque me pagavam", é um livro da autora romena radicada em lisboa golgona anghel. golgona faz um uso loucão da língua portuguesa, criando umas imagens intensas, que misturam situações surreais com outras possíveis, quase clichês da vidinha adulta -  e esse jogo entre o improvável e o cotidiano provocam uma empatia imediata. a linguagem de golgona não é uma empoeirada, pelo contrário, e é alucinógena mas é fresca; é fresca mas é asmática; é feminina mas não é.

eu vou copiar aqui na íntegra meu poema preferido (hoje) do livro, mas já adianto que assim deixo de fora outras coisa talvez tão ou mais maravilhosas. recomendo MUITO MUITO MUITO o livro inteiro, que pode ser encomendado no site da editora mariposa azual.


Quando me chamaram, temia o pior,

porque eu sei que,
mesmo habitando a cidade dos imortais,
há um rio algures que nos devolve a mortalidade
e tenho pena
que me tenha calhado beber dessas águas
ainda que seja claro que,
até no melhor dos mundos possíveis,
é necessário atravessar a nado a onda
do deserto do Arizona,
sofrer de peste num fragmento de Boccaccio,
demorar séculos em todas as declinações do passado
para depois poder chegar ao fim da noite
como quem volta a casa.

Queria eu própria fantasiar esse regresso
mas só pode voltar quem já partiu
e eu continuo aqui
tão lenta como um processo de recurso,
embora contente por ainda conseguir ler estas palavras ao
contrário - é por isso que estão a rir? -
apesar de saber que talvez, sim, lhes falte alguma acção
embora já não me impressionem os estrondos
nem as odes.

Paro por isso, por um segundo.
Olho-vos de frente, outra vez,
e, sem poder regressar,
começo a contar as vítimas.


O meu corpo foi sempre um campo de batalha.
Passaram tantos soldados por aqui,
mas a revolução ficará sempre sem futuro.




(ATENÇÃO: TODOS OS GRIFOS SÃO MEUS!)

e uma vocalização de "no segundo caso", cujos versos finais me deixam especialmente macambúzia, mas que são tão lindos:




(um presente pra schneider)



Friday, November 20, 2015

your + 1

texto meu publicado pela primeira vez nas alemanha, com tradução do legendário manuel wetscher, vai pra gráfica semana que vem. a coletânea "Your + 1: some Berlin-based international writing" sai pela editora gully havoc e a impressão está sendo financiada através das pré-vendas do livro!

o projeto gráfico é de tobias faisst e sophie schiewe, com ilustrações de seb holl-trieu. a quem interessar possa, clica aqui.





tem as amiga ricardo domeneck,
william zeytonlian e érica zíngano, 
e muitos outros - como o maravilhoso black cracker. e eu 
na página 38, equivalente à minha idade.


Wednesday, November 18, 2015

mrs. dalloway disse #6



ru paul disse que ela ia dizer uma verdade do caralho atrás da outra!




dias 11 e 12 de dezembro, eu e jéssica mangaba vamos promover um workshop em são paulo - "mrs. dalloway disse que ela mesma ia comprar as flores" - sobre representação e auto-representação do feminino nas artes contemporâneas. ainda algumas tem vagas e a gente tá interessado em todas as pessoas. para saber mais, clica aqui http://mrsdallowaydisse.tumblr.com/

Monday, November 16, 2015

vovó disse que ela mesma ia botar a calcinha na fuça

INTERROMPEMOS NOSSA PROGRAMAÇAO PRA GRITAR: FELIZ ANIVERSARIO VOVO ESCORPIANA MARAVILHOSA!

Saturday, November 14, 2015

o telefonema

o telefone não tocou o dia inteiro
hoje ninguém lembrou de mim

ainda estou no meu corpo e isso
é uma sorte mas às vezes já
foi azar hoje o telefone não tocou
o dia inteiro mas teve gente que
acordou e já não tinha mais
corpo algum um pangaré
nascido em minas hoje já
deve ter chegado em santo
espírito às terras capixabas e
atrás de portas que não se abriram
em paris há uma centena
de mortos tão-somente
corpos meu telefone não
tocou o dia inteiro mas o
de georg tocou e era eu

"você está vivo?" "não sei"
eu nunca liguei pra ninguém
pra perguntar isso além da
costumeira ligação "oi,
sumido" que a gente faz quando
tem vontade de transar e finge
que a pessoa morreu um pouquinho
porque sumiu e as fazemos
ressuscitar para que possam
nos comer (se tudo der certo)
georg não morreu meu deus
mas outros tantos sim e outros
tantos antes dele em outros lugares
cavalos também morreram e eu
só penso em georg o corpo de
georg está em paris georg
não morrer não significa
seguir vivo.

o filho de lígia morreu
no méxico faz uma semana
mataram um rio no brasil
meu telefone não tocou
o dia inteiro ninguém lembrou
de mim tenho vergonha de
ter escrito esse poema mas
mesmo assim vou publicá-lo
e outros morrerão e outros
não e meu telefone
às vezes tocará.

Friday, November 13, 2015

mrs. dalloway disse #5

jéssica disse que ela mesma ia ser musa inspiradora da amigadelaide
(na revista cesárea #3, de maio de 2015)






dias 11 e 12 de dezembro, eu e jéssica mangaba vamos promover um workshop em são paulo - "mrs. dalloway disse que ela mesma ia comprar as flores" - sobre representação e auto-representação do feminino nas artes contemporâneas. ainda algumas tem vagas e a gente tá interessado em todas as pessoas. para saber mais, clica aqui http://mrsdallowaydisse.tumblr.com/

Wednesday, November 11, 2015

mrs. dalloway disse #4


adelaide disse que ela merma ia tirar um 
trabalho com 10 anos de vida da gaveta
só por causa desse WS (que aliás começa

daqui a um mês!)




dias 11 e 12 de dezembro, eu e jéssica mangaba vamos promover um workshop em são paulo - "mrs. dalloway disse que ela mesma ia comprar as flores" - sobre representação e auto-representação do feminino nas artes contemporâneas. ainda algumas tem vagas e a gente tá interessado em todas as pessoas. para saber mais, clica aqui http://mrsdallowaydisse.tumblr.com/

Tuesday, November 10, 2015

mrs. dalloway disse #3

gena rowlands disse que ela mesma ia ser a maior atriz do mundo
(ai queria uma legenda menos histérica mas com gena não consigo)


dias 11 e 12 de dezembro, eu e jéssica mangaba vamos promover um workshop em são paulo - "mrs. dalloway disse que ela mesma ia comprar as flores" - sobre representação e auto-representação do feminino nas artes contemporâneas. ainda algumas tem vagas e a gente tá interessado em todas as pessoas. para saber mais, clica aqui http://mrsdallowaydisse.tumblr.com/

Monday, November 09, 2015

Saturday, November 07, 2015

mrs. dalloway disse #2

svetlana alexiyevich disse que ela mesma ia falar de guerra
e que ela mesma ia ganhar o nobel






dias 11 e 12 de dezembro, eu e jéssica mangaba vamos promover um workshop em são paulo - "mrs. dalloway disse que ela mesma ia comprar as flores" - sobre representação e auto-representação do feminino nas artes contemporâneas. ainda algumas tem vagas e a gente tá interessado em todas as pessoas. para saber mais, clica aqui http://mrsdallowaydisse.tumblr.com/

Thursday, November 05, 2015

mrs. dalloway disse #1

billie zangewa disse que ela mesma ia ser vênus
(the rebirth of the black venus, 2010)





dias 11 e 12 de dezembro, eu e jéssica mangaba vamos promover um workshop em são paulo - "mrs. dalloway disse que ela mesma ia comprar as flores" - sobre representação e auto-representação do feminino nas artes contemporâneas. ainda algumas tem vagas e a gente tá interessado em todas as pessoas. para saber mais, clica aqui http://mrsdallowaydisse.tumblr.com/

Wednesday, November 04, 2015

medir com as próprias mãos o livro

a versão portuguesa do livro de ricardo domeneck, "medir com as próprias mãos a febre" (mariposa azual), já está nas minhas próprias mãos!!!!



aeeeeee



(ainda preciso escrever sobre o livro aqui - que é foda-, por enquanto vocês com essa linda foto do meu picumã assanhado).






ps: dias 11 e 12 de dezembro, eu e jéssica mangaba vamos promover um workshop em são paulo - "mrs. dalloway disse que ela mesma ia comprar as flores" - sobre representação e auto-representação do feminino nas artes contemporâneas. ainda algumas tem vagas e a gente tá interessado em todas as pessoas. para saber mais, clica aqui http://mrsdallowaydisse.tumblr.com/

Tuesday, November 03, 2015

mrs. dalloway disse

tanta aconteceu nesse mês. PL 5069, #primeiroassedio, madonna e sean (haha). tem gente até chamando esses tempos de "primavera das mulheres". sei não. sou meio desconfiada com essas denominações de farmácia, mas néam. é nóis.



gloria steinem disse que ela mesma ia falar sobre aborto


enfim, por causa de tanta vida não falei mais do "workshop" que eu e jéssica vamos dar em são paulo dias 11 e 12 de dezembro e queria lembrar vocês e convidar vocês. ainda tem algumas vagas! vai ser muito lindo, eu acho. todo dia montando esse WS eu aprendo uma coisa nova, foda. eu fico tão emocionada hahahaha


para saber mais, ou para ajudar a gente na divulgação (hashtag eternamente gratas), clica aqui: http://mrsdallowaydisse.tumblr.com/