Monday, March 21, 2011

oi, mainha

só queria dizer que tu és uma mae tao legal!


te amo, feliz aniversário!

what it feels like for a girl


a quem interessar possa (a todas vocês, assim espero): assinem a peticao pra parar com essa merda.

outro comentário: "de acordo com o boletim de ocorrência, a vítima era um travesti". o jornalista doente mental que escreveu essa merda de texto podia ter sido mais decente e escrever:

"de acordo com o boletim de ocorrência, a vítima era uma cidada brasileira".
ou
"de acordo com o boletim de ocorrência, a vítima era uma pessoa".
ou
"de acordo com o boletim de ocorrência, a vítima era um ser humano".

de acordo com meu boletim de ocorrência da vida, as palavras usadas num contexto imbecil como o do da matéria, induzem o leitor/espectador a entender "o lado do criminoso".

tipo: "de acordo com o boletim de ocorrência, a vítima do estupro estava bêbada". ou "de acordo com o boletim de ocorrência, a vítima era um mendigo". ou "de acordo com o boletim de ocorrência, a vítima voltava sozinha pra casa às 2h da manha". ou "de acordo com o boletim de ocorrência, a vítima usava um rolex".

mas nao existe lado pra maldade.






dá vontade de dar um logout na vida.

Thursday, March 17, 2011

tonta de sono, quanto alemao

a máquina de lavar faz um barulho desgracado
esqueci de pôr a roupa mais cedo
é tarde quero dormir estou cansada
e a lavagem nao termina

vrumvrumvrum

o nível de cansaco está tao alto que tive a
cara-de-pau
de procurar uma rádio online de músicas pra
feng-shui

shuashuashua

o chá de menta do lado do pote vazio de iogurte com aveia
ou
"the nothing that you eat"
segundo nikolas murray
uns papeis vindos de colônia
um anel
um hidratante


mas acho que diz muito mais
sobre mim
o fato de eu só trouxe dois livros:
os de marcelo gomes.

Sunday, March 13, 2011

sozinha, leio muito

olho muito as figuras. como o celular nao toca, como jörg desistiu de mim e armin mora longe, eu me ocupo das coisas. às vezes pisco bem muito, bem longo, pra quando abrir os olhos fingir que me surpreendo: "ai meus deus, é berlim!".

e ganho o oscar.

e tiro umas fotos e olho as figuras e crio figuras mentais com muito afinco. leio em trânsito: como moro na puta que pariu, levo sempre mais de meia hora pra chegar em qualquer lugar. entao eu leio. eu gosto de abrir um livro em alemao e pensar que as pessoas estao orgulhosas de mim porque sei falar a língua do país deles, que escolhi morar. claro, ninguém dá a menor bola pra isso, nem presta atencao nas minhas neuroses, e eu tampouco falo tao bem assim, mas me deixem ivanovizar em paz.

quando desco do trem, fecho o livro e, em vez de criar figuras, olho pra elas.





"nao te divulgo
o teu nome
os teus olhos azuis
a tua gentileza
espero que os partilhes com alguém querido
como os partilhaste
comigo
amante querido"

§

comprei a versao em alemao: "frida kahlo - cartas de amor". achei que seria um bom comeco, ler cartas de amor em alemao, porque cartas de amor sao todas iguais.

me pergunto como será que o carteiro novato faz pra saber qual edifício é esse, com esses número carcomidos.

frida também preferia ser amada do que ser uma artista, e ela sofreu muito. eu quero ser amada também, mas tampouco sou um gênio. sou um carteiro novato e sofro muito.





"(...) por fim, vou ficar um tempo pensando em toda a sorte de problemas que existam. depois vou dormir".

"(...) schließlich werde ich noch ein Weilchen über allerhand wissenschaftliche Probleme nachdenken und dann ins Bett gehen".
§



"Detesto
o sofrimento".

"A chuva por ventura tem pai?"







1. adormecer, de adília lopes, 1993
2. frida kahlo obcecada e eu me identifiquei, em carta para alejandro gómez aria, 18 de agosto de 1924.
3. body art?, de adília lopes, 1999
4. livro de jó, da boa e velha bíblia.

essa é a verdade e a verdade é mole

"Sou uma persongagem
de ficcao científica
escrevo para me casar"






obrigada, adília lopes,
por tirar de minha boca as palavras
e assim me deixar sem elas,
o que de vez em quando é bom, pois falo muito.
e fico meio de saco cheio da minha auto-barulheira.

Friday, March 11, 2011

Wednesday, March 09, 2011

ricardo









"Mas pauso a cada cinco
minutos para delirar, e imagino
que, na verdade, o documentário
é sobre certo Ricardo Domeneck
e seus mil excessos,
indo ao ar em 2077
para comemorar seu centenário,
e percebo que pelo menos
os músculos do meu ego
estão fit as a fiddle".






afinal, tenho um muso cujo ego é tao favoralmente grande quanto minha obsessao.

Tuesday, March 08, 2011

meryl strivi, entre dois amores



"he was not mine".


§


e eu contigo na cabeca
como se tu diego rivera
mas tem o outro
o fotógrafo
nikolas murray de levi's 501
e ceroulas
que sei lá eu porquê
fui de gostar
assim sendo
meryl streep
sortuda foi você
que nao teve de decidir
apenas enterrar.

der greif

uma foto da série 100men foi selecionada para a 4a. edicao da revista der greif. o lancamento foi na sexta-feira passada, em munique, e eu recebi a revista no mesmo dia.

ei-la!





Saturday, March 05, 2011

nao ter ninguém que ajude a fechar a pulseira antes de sair
- nem mesmo unhas.


Friday, March 04, 2011

Thursday, March 03, 2011

passei tanto tempo com saudade de ti que se te encontrasse era capaz de continuar sentindo.

engracado.

todo um mito construido em cima de meia dúzia de lembrancas,

tu és minha beatriz.


tu és tao lindo.


quando eu fui atravessar a rua para comprar cigarro e olhei pra trás, lá do outro lado dos trilhos todos por algum motivo todo mundo olhava pra mim, inclusive tu, mas dentre eles, só tu sorriu pra mim.

devagar, com um lado só da boca.

na minha imaginacao, puxei teu elástico de cabelo pra baixo e
gracas às correntes de ar atualmente vindas da rússia,
eras todo giárdia, um ser ciliado flutuando nas minhas águas.






§

"por que precipícios e abismos
andou maria cristina
para conseguir aquela fotografia?"



adília lopes, 1992

Wednesday, March 02, 2011

entrevista na blu

em agosto, por causa da exibicao de 100 men em berlim, sebastian naumann, da blu magazine, fez uma entrevista comigo, que foi publicada na edicao de fevereiro da revista.



a entrevista foi publicada em alemôo. entao aqui, procês, um crtl.c-ctrl.v do email, no bom e velho inglês:

1.How would you yourself describe your Photos?
i use photogrophy as public display of affection.


2.What are your favourite Motives and why? Which kind of Motives fascinate you the most?
you know, i studied journalism and in the very beggining of my "photographical path" i was looking outside for inspiration... then in 2003, when i was 20, i got to know the work of nan goldin and then i understood the universe! but of course, sometimes it is a struggle: "why do you think people will be interested in photos of your grandmother?". last years i've been just saying too people that my life is way too insteresting for me to photograph somehing else haahahaha so to answer your questions: my favourite motives are people that cross my way.


3.What are you working on at the moment?
i am working on survivng the fact that my delicious german lover left me.


4.What is it with this „never ending series“ (really find that interesting by the way)? Is it really never going to end?
well, i gave up on trying to organize photography flow as soon as i realised that life itself is a mess. i would start a project, and all of a sudden something else would happen and would take me into another moment, another photographical interest. so i created "the never ending project", which has in itself lots of chapters: there's the chapter about my grandmother, the chapter where i registered the process of healing of the phisical agression i suffered in 2008 und so weiter. the title was taken, with all my respect, from bob dylan's "the never ending tour".


5. You were taking a lot of pictures of your friends and even Lovers (I read) in most intimate Situations, why?
my poor camera can't stand anymore all this emotional approach! the thing is, i worked as photojournalist when i was 19, for one year i would photograph exclusively prisons and people in jail, and i simply felt i was taking advantage of this people. at this period i was much more interested in talking to them than to photographed them (in the end i was obviously fired!). it is like going to bangladesh, taking pictures of these miserable people, selling it for reuters and make money out of people's suffering. my friends, my family and my lovers they belong to me, we are equal, we are all fucked up (and i am not making much money with their images hahahaha).


6.How do you like Berlin/germany? I noticed, that one of your Pictures is actually Taken from the Berlin Wall. And which one is your favourite place in the world so far?
oh boy berlin is my new boyfriend. i honestly don't know how i would survive this broken heart of mine, if i was somewhere else. this city feels like warm hug. and of course, everywhere you look there's a cute boy to be looked at hahaha. it is definitely my favourite place in the world.


7. What does your art mean to you, what is it about fotography you love?
the person in front of my camera


"el mundo entero pode cambiar de la noche a la manana".

Tuesday, March 01, 2011

o que mais me impressiona no inverno nao é o frio

é o silêncio.















e os lobos nas ruas, no metrô.

Monday, February 28, 2011

nunca mais vou julgar ninguém


-->
eu mesma me tornei um monstro indiferente de tanto me preocupar com um carimbo, com um teto, com uma bota apropriada. virei um saco de areia.

nem reparei direito que tinha rosas amarelas na mesinha de centro, que era a mesma cidade de sempre, e nem reparei que não liguei que não me esperavas na estacão central. 

nem reparei que segui instintivamente o caminho da tua casa, como se não houvesse outra coisa no mundo a se fazer além de correr na tua direção (e realmente não há). 

nem reparei que tu tomou banho antes de deitar. nem reparei direito que meus brincos continuam pendurados na tua parede. nem reparei que nunca estive desapaixonada, nem um pouco, ao contrário, meu deus. nem reparei direito nos teus olhos olhando pra mim.

nem reparei que era ontem, e já se vão dois anos, tu descia as escadas com uma camiseta de bob marley e eu pensei “deus”.
lucky me.


the artist is present

ano passado, marina abramovic teve uma expo retrospectiva em nova york, cujo título foi pra mim o melhor título de expo da história: "the artist is present".

eu creio que ela batizou a mostra assim porque ela mesma esteve lá, todos os dias, fazendo uma performance na qual interagia com o público.

o ponto é, tanto nas performances das galerias quanto na performance da vida, a presenca física nao significa que se esteja presente.

a expo de nan goldin na berlinische galerie, "berlin works", foi uma experiência de troca que nunca tinha vivido antes. a frase "the artist is present" nao saía da minha cabeca um minuto. nao somente porque nan estava ali inteira e toda, naquelas fotos, como também o sentimento de que nan se entrega completamente no momento em que a foto é feita.

as fotos feitas por ela sao tao cheias dela mesma que é difícil nao ver aquelas 80 e poucas fotos como pequenos enterros de nan. meu deus, como pode uma fotógrafa ser mais manipulada do que manipular?

nan é quase uma vítima fatal das fotografias que tira. ela é o exato oposto do que falei neste post. ainda me impressiona como me parece que cada retrato que ela tira é fruto de tanta devocao, de tanta dor, como se o retratado fosse muito mais poderoso do que ela, que está com a lazarenta câmera na mao.

um passo à direita e mais uma foto na minha frente, e eu mal podia respirar, e o corpo vai se contraindo, e as fotos que ela faz atestam que a perfeicao é possível, quando a gente revê o conceito do que é perfeito.

as pessoas morrem, as pessoas nos esquecem, e nao há fotografia que mude isso. colecionar lembrancas nao é nada além de atestar que ninguém ficou... um pedaco de papel de merda, sobre o qual aplicamos tanto significado, nao passa afinal de uma merda de pedaco de papel.

dá vontade de jogar a câmera no lixo e passar a vida chorando.

marilyn monroe, mais do susan sontag eu ou roland barthes ou qualquer um, tem a melhor definicao do que é fotografia:

"(...) faco amor com a câmera fotográfica. faz menos bem do que com um homem, sem dúvida; mas também faz menos mal. a gente pensa: é só o corpo, é só um olhar que pega você de passagem".

Sunday, February 27, 2011

uma foto de uma foto


hoje mamae tirou uma foto da capa desse disquinho meu e me mandou. ela fez no email uns comentários bem inteligentes, meio freudianos, e eu fiquei aqui pensando:

quando eu tinha 4 anos, chamava minha mae pelo nome.
dava de presente pra ela os presentes que ela me dava.
escrevia meu nome só com letras maiúsculas.
e dizia que nao sabia o que sentia.



já era lispectoriana de pequena HAHA

Sunday, February 20, 2011

jesus, help me find a proper place*

às voltas com as voltas, eu moro no ring, essa coisa horrorosa que circula a cidade de berlin. o que me encanta nessa cidade é sua sujeira, seus ratos de metrô, a indiferenca dos passantes, a língua brutal, a altura dos homens. mas a feiura de neukölln me ofende. me oprime. me devasta. me assusta.

a procissão de mulheres cobertas com lenço ou burca, por motivos culturais ou religiosos, por enquanto ainda me espanta, porque eu não conheço nada do islã e portanto não sei muito bem como lidar. preciso ler mais sobre isso, afinal não moro na oscar freire, moro aqui, nessa cidade, que é desse jeito. tenho vergonha da minha burrice e tenho raiva da minha burrice, porque ela me impede de sentir que eu pertenço a essa paisagem. eu só sei que pertenço a essa paisagem – sou como todos aqui – porque sou marxista. mas eu não sinto isso. me sinto superior a esses homens, que acho selvagens, e superior a essas mulheres, que acho submissas. como se vê, saber não adiante de nada – eu sei que sou igual a eles e elas, mas não é isso que eu sinto. o que eu sinto é um horror: complexo de superioridade. saber não serve de nada.

o fato de neukölln parecer ser uma cidade de médio porte do oriente médio – e minha ignorância diante disso – me põe, mais uma vez, no mesmo lugar conceitual de sempre: where do i belong?

-->

ando por aí com minha câmera e ficamos, eu e ela, a nos odiar. odeio andar com ela e não querer fotografar nada, e ela se sente ridícula pendurada em meu pescoçoo, uma vez que a ignoro solenemente.

“É evidente que o próprio ato de identificar (para não dizer fotografar) o local pressupõe nossa presença e, conosco, toda a pesada bagagem cultural que carregamos.”

o ato de fotografar pressupõe não somente minha presençaa, como também toda a carga emocional que deposito em cima daquilo que fotografo. escolher alguém para fotograr não é um ato generoso, pois por mais que fotografe o outro, o que eu espero é me encontrar, me ver.

minha beleza anti-geográfica tem preferido ser fotografada e assim, quem sabe, obter respostas - ou ao menos umas pistas. parece que eu sei posar melhor do que fotografar. toda vez que alguém me fotografa aprendo mais do que quando fotografo alguém. minha cara genérica já fez com perguntassem se eu era costa-riquenha, italiana, turca. meu nome é russo. minha chatice é alemôa. meu alemôo soa francês. minha bunda é brasileira. meu tédio é universal.

e o contexto geográfico, o “existimento”, traz consigo outros elementos, as ruas mudam de cor, faz frio ou faz calor, e estar à frente de elementos transitórios me deixa sempre fora de contexto. viro um post-it colado na vida, a cola se acabando, todos os post-its eventualmente descolam.

é por isso que eu nunca estou em paz mesmo quando estou onde quero estar.

a pergunta sempre é: "e quem eu seria e quem eu aparentaria ser, se estivesse em outro lugar em vez de aqui?". o que apareceria então nas minhas fotos?


não satisfeita, como o de costume, já comprei passagens. não posso ver meu nome num ticket de embarque, que já me sinto inteira novamente.


uma foto do meu estado de espírito de harald hauswald@ostkreuz


 caetano veloso em londres


eu por breno rotatori




*the velvet underground

after you get what you want...


... you don't want it.

Friday, February 18, 2011

biografias semelhantes

berlim, verao 2010
clarice lispector

berlim, inverno 2011
marilyn monroe




só evoluo.

Thursday, February 17, 2011

please master




ontem ricardo partipou de uma leitura em friedrichshain, onde apresentou - com toda sua estomacalidade - um dos mais lindos poemas da história mundial. "please master", de allen ginsberg.

Please master can I touch your cheek
please master can I kneel at your feet
please master can I loosen your blue pants
please master can I gaze at your golden haired belly
please master can I gently take down your shorts
please master can I have your thighs bare to my eyes
please master can I take off your clothes below your chair
please master can I kiss your ankles and soul
please master can I touch lips to your muscle hairless thigh
please master can I lay my ear pressed to your stomach
please master can I wrap my arms around your white ass
please master can I lick your groin curled with soft blond fur
please master can I touch my tongue to your rosy asshole
please master may I pass my face to your balls,
please master, please look into my eyes,
please master order me down on the floor,
please master tell me to lick your thick shaft
please master put your rough hands on my bald hairy skull
please master press my mouth to your prick-heart
please master press my face into your belly, pull me slowly strong thumbed
till your dumb hardness fills my throat to the base
till I swallow and taste your delicate flesh-hot prick barrel veined Please
Master push my shoulders away and stare into my eye, & make me bend over the table
please master grab my thighs and lift my ass to your waist
please master your rough hand's stroke on my neck your palm down my backside
please master push me up, my feet on chairs, till my hole feels the breath of your spit and your thumb stroke
please master make me say Please Master Fuck me now Please
Master grease my balls and hairmouth with sweet vaselines
please master stroke your shaft with white creams
please master touch your cock head to my wrinkled self-hole
please master push it in gently, your elbows enwrapped around my breast
your arms passing down to my belly, my penis you touch w/ your little fingers
please master shove it in me a little, a little, a little,
please master sink your droor thing down my behind
& please master make me wiggle my rear to eat up the prick trunk
till my asshalfs cuddle your thighs, my back bent over
till I'm alone sticking out your sword stuck throbbing in me
please master pull out and slowly roll into the bottom
please master lunge it again, and withdraw to the tip
please please master fuck me again with your self, please fuck me Please
Master drive it down till it hurts me the softness the
Softness please master make love to my ass, give body to center & fuck me for good like a girl,
tenderly clasp me please master I take me to thee,
& drive in my belly your selfsame sweet heat-rood
your fingered in solitude Denver or Brooklyn or fucked in a maiden in Paris carlots
please master drive me thy vehicle, body of love drops, sweat fuck
body of tenderness, Give me your dog fuck faster
please master make me go moan on the table
Go moan O please master do fuck me like that
in your rhythm thrill-plunge and pull-back bounce & push down
till I loosen my asshole a dog on the table yelping with terror delight to be loved
Please master call me a dog, an ass beast, a wet asshole
& fuck me more violent, my eyes hid with your palms round my skull
& plunge down in a brutal hard lash thru soft drip-fish
& throb thru five seconds to spurt out your semen heat
over & over, bamming it in while I cry out your name I do love you
please Master.



mereco.

Tuesday, February 15, 2011

auto-consciente

na linha de trem, o ratinho era menor do que maca véia seca e mordida. mas ele queria a maca, todos temos o direito de ter mau gosto. quantas vezes nao ficamos obcecados com algum bofe seco e mordido, nao é mesmo?

por que haveria eu de julgar o rato?

e la estava ele, na linha de trem, lutando pra arrastá-la. de repente o rato desistiu e saiu correndo, sem maca.

é que o trem vinha chegando e ele preferiu nao ser esmagado.

se fosse eu tinha ficado.

uma rainha







minha vó se chama adelaide e eu faco questao de carregar comigo a majestadice que aprendi com ela.

nao fazia a menor ideia que fotos causavam terremotos.

Monday, February 14, 2011

campea mundial

consigo apertar o F5 mais vezes por segundo que qualquer um de vocês.
com tanta coisa pra fazer, acabo nao fazendo porra nenhuma. meu deus, meu deeeeeeeeeus, que agonia.

eu só preciso que alguém me diga quem eu devo ser, pra eu poder me preocupar com coisas mais interessantes.

eu obedeceria, só pra ter quem culpar depois.

walking around

walking around walking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking aroundwalking around

getting lost.

waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting waiting

for goodnews.

Sunday, February 13, 2011

um corpo sem roupa nunca é um corpo desnudo

hoje fui à expo do mapplethorpe no c/o berlin. eu sou obcecada com a obra dele e assim sendo nao tem nada lá que nao tenha visto - ou ao vivo, ou em livros. assim, o que eu gosto de ver nas expos dedicadas à ele é o approach do curador, a montagem.

a coisa que mais gostei nessa expo foi entao um dos textos de abertura, em que o curador diz que um corpo sem roupa que se exibe na verdade nao está verdadeiramente desnudo, pois só se mostra aquilo que se quer. mais que isso, independe de estar vestido ou pelado.

essa semana jörg me mostrou o único retrato que fez de mim quando esteve no brasil. eu estava totalmente vestida, mas ele conseguiu essa qualidade que o curador fala acima, e me deixou desconcertada, quando vi a foto.

sei lá, tô só aqui pensando. nao consigo pensar em nada direito...

Saturday, February 12, 2011

resumindo

estou desesperadamente querendo me apaixonar.

i wanna a little sugar in my bowl

uma e meia da manha do sábado. estou em casa. casa. casa. casa.

estou sentada no chao, com as pernas esticadas. o lap está na mesa de centro, que é de vidro. meu roommate foi dormir, que ele estava com sono. a lumiária está acesa, porque eu odeio luz de teto. lá fora faz -2, porque é inverno. eu estou de meia pelo mesmo motivo. o copo de água está pela metade, porque eu bebi a outra.

as plantas estao murchas, porque o aquecimento seca o ar. minha pele também, pelo mesmo motivo. o cigarro está se consumindo sozinho, porque eu nao gosto de fumo de rolo.

eu estou ansiosa, porque nenhum dos emails que eu queria receber hoje chegaram. eu estou ansiosa, porque meu vestido de noiva imaginário espera na caixa imaginária. eu estou ansiosa, porque nasci assim e tenho prolapso de válvula mitral, como todo mundo. eu estou ansiosa, porque sei que alguma coisa está pra acontecer, só nao sei qual é.

nina simone está cantando, porque sempre que estou triste eu quero ficar mais.

Thursday, February 10, 2011

quem se vira nao se lasca

meu apartamento nao tem geladeira.

minha janela nao tem flores.

assim, ponho os saquinhos de mussarela do lado de fora da janela pra elas nao estragarem.


nem preciso de tulipas.
eu e breno tomamos breja num boteco cheio de rato com nina hagen.

Wednesday, February 09, 2011

obsessao

aí quando eu já tiver muita gente ao redor por aqui e as lembrancas ficarem demasiado próximas, vou aprender russo e me mudar pra sibéria e nunca mais nada vai me lembrar nada.

e se desse pra ir mais longe, eu ia.

Tuesday, February 08, 2011

attention whore

foi mais difícil sair do facebook que do brasil.

brasileiros no metrô

"essa menina parece caetano veloso na década de 70".


"essa menina" era eu.


<3

oh, marilyn...

se eu ainda tenho pesadelos,

se meu coracao dispara de medo porque tem um loiro com cara de junkie subindo as escadas atrás de mim,

se eu ainda me recuso a dormir na casa dos outros depois das festinhas,

se eu ainda olho tanto para trás quando volto pra casa,

deve ser porque eu preciso de terapia.



Monday, February 07, 2011

am rande

em novembro rolou o processo de selecao para a ostkreuz schule, a escola ligada à agência de alemôa de fotografia.

para a primeira fase do processo seletivo, enviei uma edicao de 20 fotos da série 100 men, com a qual consegui ir para a segunda fase, que consistia na realizacao de um assignment indicado pela escola.

eles pediram entao que os candidatos enviassem uma série de 5 a 10 imagens, sob o tema "am rande", que significa "na fronteira", em alemôo.

depois de muito matutar atrás de algo que combinasse tanto com o tema quanto com meus interesses fotográficos, decidi abordar a fronteira de gêneros. fui atrás de gente cujos rostos e histórias indicassem como ficaram obsoletos os símbolos visuais, com os quais determinamos o que é (ser) "masculino" ou "feminino".

foram somente dez dias de prazo entre escolher o que eu ia fotografar, encontrar personagens, fotografar, revelar, editar, scanear e enviar. fico cansada só de lembrar.

com essas fotos, rolou a aprovacao na escola! o curso comeca mês que vem, aqui em berlim. fiquei entre os 15 sortudos finais, de mais de 300. UHU.

aqui vai a edicao final do projeto (com textinho introdutório escrito no meu alemôo da móoca):

Innerhalb des Themas “am Rande”, wollte ich über die Unsicherheit der visuellen Symbole sprechen, die nachweisen wollen, was bedeutet “männlich” und “weiblich” zu sein.







pueblo

que agora eu fumo de rolo, para nao gastar tanto com marlboro.

i'm gonna make a mistake

i'm gonna do it on purpose.
and what i find is mine.




oh, fiona gimme power.

Sunday, February 06, 2011

uma árvore, cujos galhos em cara-de-pau pousados sobre as ancas estao, encara o lenhador e desdenha: bela merda essa serra elétrica.

oi, ivi

quanto mais em silêncio tenho ficado, vendo as árvores do cemitério na frente da minha casa seguirem existindo apesar das condicoes externas, mais tenho percebido que eu sou tipo uma galinha que, apesar de envolta em molho pardo feito do próprio sangue, segue bem da viva.

ou seja: o que importa é a firmeza da carne. é afinal a insolência desse tronco.

Saturday, February 05, 2011

só pra constar...



sem mais.


beijos,
ivi

de manha cedo

nevou.

nao tem flores lá fora.

mas tudo brota em flor sobre essas almofadas.