Wednesday, October 21, 2009

não sou somente eu que acho steven meisel tabacudo.

helmutão acha também!

LEETA: A lot of photographers in the ‘90s copied your style, using hard flash, hotel rooms, cars, even dogs.
HELMUT: I’ll tell you something, I’m touched if I can influence young people. I was influenced by Brassai, by Erich Salomon — they’re the people that I admired when I was very young. In fact, I still think there’s some Brassai in my photography — which is a good thing. But what really pisses me off is when famous photographers do it. I’m not mentioning names, but I’m thinking of a Versace campaign. You know the photo of the woman with the garters?
LEETA: You mean Steven Meisel?
HELMUT: Mind you, he’s a very good photographer. But it’s a dumb way to work.



tirei dos arquivo da index.

não sou obrigada

sei que spam é uma coisa tão inevitável quanto ver perua azeda na alameda franca.

eu aceito os spam e as perua azeda.

mas tanto pra spam quanto pra perua azeda, tudo tem limite:


não é engraçado

mainha, te amos

recebi um email que mamãe mandou pra mim e minhas primas:

"Este é o anjo da abundância. beijos meus amores.








cafona é seu furico. minha mãe é o máximo.

fudeu

ontem eu chorei - e não foi pouco - ouvindo guilherme arantes.



é.
fudeu.



também, minha gente, ó a letra:
Pra que ficar juntando os pedacinhos
Do amor que se acabou?
Nada vai colar
Nada vai trazer de volta
A beleza cristalina do começo
E os remendos pegam mal
Logo vão quebrar
Afinal a gente sofre de teimoso
Quando esquece do prazer
Adeus também foi feito pra se dizer



já tô chorando de novo.

Tuesday, October 20, 2009

eu na hint




aqui.
xau.
You tend to shoot a lot of your work in the same location do you think this has shaped your aesthetic?
It's not a secret that I shoot at home; its cheaper than a studio.



concordo plenamente, toyin.

Wednesday, October 14, 2009

depois de tanto vinho e tanta kölsch, eu virei uma uma vaca holandesa:


mon!


Sprachgenie

é oficial: eu sou um gênio.

fiz hoje meu teste de alemão e só acertei 16 das 50 perguntas escritas.

mas aí, meu bem, na hora do teste oral eu fiz a lhôca da buceta e falei pelos cotovelo, como se amanhã não houvesse.

quando eu finalmente me calei, Frau Num Sei Quê olhou bem no fundo dos meus olhos e falou: você fala tudo errado, mas é ousada, vai aprender rápido.

ousada pra não dizer MALHUCA.

(verrückt, em alemão)

Tuesday, October 13, 2009

voltei pra labuta

depois de três meses pensando em coisas que importam (arte, amor, vinho e comida boa) voltei pro trabalho e tive que voltar a pensar em moda.

pois bem.

a primeira coisa que quero dizer é: eu tô achando muito bom que as revista tão ficando pobre (anna wintour vai ter que se virar com 25% a menos do budget anual). que tão diminuindo o número de edições anuais (diz que, depois da i-d, agora é a w quem vai publicar menos vezes).

assim, elas vão ser obrigadas a pensar mais e escolher melhor do que elas querem falar - em vez de ficar, o ano inteiro, dizendo a gente o que a gente deve vestir (oi, elle! oi, vogue us! oi instyle! oi, MEU CU!). quer dizer, obrigadas não, né, mas bem que podiam usar a chance.

falando nisso: trouxe pra jorge a edição de outubro da vogue portuguesa. não sei se ele leu, mas eu li. e não adorei, mas gostei bastante: as pessoas que escrevem para lá citam referências bibliográficas e entrevistam professores de universidades e pesquisadores. eu sou anti-academia, mas contando que a maioria dos jornalistas de moda só conhece suzy menkes e só cita ela na hora de soar sabido, ler a vogue portuguesa deu um refresh nas minhas idéias.

xau. vou ler o kicker.de que amanhã o time de armin joga contra o meu novo-time, o fc köööln. e eu quero saber a escalação, porque cansei de ouvir gente falando de nude e jeans com jeans nessa vida.

ps: esse post é um oferecimento de fêrresende, com quem almocei no domingo e que me falou algumas coisas mudacionais de vida.

Sunday, October 11, 2009

eu queria ter escrito essa letra*

eu posso ficar acordada
só pra te ouvir respirar
te olhar sorrir enquanto tu dorme
enquanto tá longe, sonhando

eu podia passar minha vida todinha
nesse doce amanhecer
podia ficar perdida nesse momento
pra sempre

todo segundo passado com você
é um tesouro.

eu não quero fechar meus olhos
não quero pegar no sono
porque morro de saudade de tu
e não quero perder nada

(...)

e aí eu beijo seus olhos
e agradeço a jah que a gente tá junto




*mas foi steven tyler.

§

ainda bem que fêrresende me ligou e vai me levar pra almoçar, porque faz umas 16 horas que eu não paro de chorar. talvez menos, mas é tipo isso.

Friday, October 09, 2009

e pra finalizar




em berlim, fui na fundação helmut newton - mas num foi bom não. aqui eu explico por quê.

Thursday, October 08, 2009

sobre um casal de fotógrafos





mais um texto sobre minhas degustações fotográficas na alemanha. hoje, um textinho sobre o casal helmut e gabriele.

antes ele do que eu (ou não).

irving penn morreu.

tomara que ele não tenha sofrido.

eu acho mesmo que pior que morrer é ter que continuar vivo sem vontade. tipo eu, nesse momento.



um beijo irving, você era geminiano, mas eu gostava de você. brigada por tudo.

Wednesday, October 07, 2009

madrid, madrid


vocês se lembram do 14º post dessa saga?


pois. continuo sem conseguir falar sobre a espanha. mas fiz meia dúzia de fotos. tão aqui.

Tuesday, October 06, 2009

a alemanha não sai do meu Herz

escrevi para o olhavê, blog do querido-amigo-e-colhega alexandre belém, quatro textos sobre as expos de foto que vi em köln e berlin.

hoje, ele publicou o post sobre a expo de robert mapplethorpe e sobre a expo do museu ludwig.



mulher sabida

vão lá, leiam e comentem, se não for pedir muito! eu tô carente.

hablar


el guadalquivir, mi pasión española. hablé de él cuando dije que sus aguas tienen el color de los ojos de mr. betz (pero solamente en sevilla).




yo nunca había hablando tanto cuanto hablé en españa. y para callarme, fotos cordobezas.

Saturday, October 03, 2009

Tuesday, September 29, 2009

epílogo*

(...) voltei pro oasis tão feliz. e descendo a ladeira de santa catarina - sempre ela - com o tejo - sempre ele - a me observar, entendi o mais importante:

foram três meses de pura auto-celebração. e agora esse maremoto todo, toda essa fantasia, todas essas lágrimas, todo esse descabelamento... they are not about armin. não são por ele, não são para ele.

é tudo pra mim.






*trecho escrito no (e copiado do) meu diário moleskinal, depois do meu último e espetacular almoço lisboeta.

Sunday, September 27, 2009

130. uma carta que nunca será lida

meu amor,

queria poder devolver pra voce um quinto do que voce me deu. um pouquinho so, que seja, que fosse. como nao sei, e como nao consigo, e como nao eh possivel, comprei pra voce esse livro de eduard munch - a 12 euros na livraria aqui do lado!

tu me dissesse uma vez que eu te apresentei aa luz. eu te digo que tu me apresentou a mim mesma. brigada.

tu me dissesse uma vez que esse nosso encontro aconteceu muitas e muitas vezes antes mesmo da gente se conhecer, e que ele acontera muitas e muitas vezes e de novo e de novo. eh nietzsche, tu me explicasse. eu gosto de nietzsche, agora.

eu gosto de tu, também.

entao eu fico feliz de saber que todas essas manhas em que acordei com teu cabelao espalhado em meu rosto; e todas as vezes que tu fez macarrao de microondas pra mim; e todas as vezes que a gente ficou lendo noticias ridiculas no jornal, na grama; e todas as garrafas de vinho que a gente bebeu; e todas os beijos; e todos os campeonatos de staring at each other eyes que eu sempre perdi porque tu ficava zarolho e me fazia gargalhar e perder; todas as aulas de alemao que tu me deu; todos os jogos de futebol que a gente viu no computador; todas as vezes que tu riu do pelelo; que tu deixou eu te amar; todas as vezes que tu disse que ama; todas as vezes em que viajei e voltei e tu foi me buscar na estacao de trem com os mesmos olhos cor de rio que eu amo tanto...

... vao acontecer de novo. e de novo. em algum lugar. dentro de mim. dentro de tu. e no universo inteiro.


entao eu sugiro o recomeco agora mesmo: "hi. where are you from?"

Saturday, September 26, 2009

129. free

as bird.







diz aquela banda ingresa.






"Can we really live without each other?"

128. nao morrer de véspera é uma arte

e eu simplesmente nao paro de me matar um pouquinho, todo dia, pensando que eu tenho que ir embora.

é que quando eu olho pra esse homem existindo na minha frente, eu fico a me perguntar: é covardia que me faz voltar? é bom senso? é a vida?

que porra.

127. mondrian no museu ludwig...

sentei na frente da tela e fiquei aqui pensando...

parece os quadro fajuto que os pessoal vende na teodoro sampaio perto da benefito calixto. falei.

Friday, September 25, 2009

126. brauhaus e brigadeiro

ontem a gente foi jantar numa brauhaus, casa de rangos alemoa.

eu pedi carne de cavalo (me deixem, eu preciso viver a vida!) com umas bolotas de batata e pure de maca (nao tem cedilha nem til no computador dele, antes que voces pensem que eu comi uma cama de hospital). a coisa mais delicia da vida.

armin pediu uma linguica feita de sangue (ECA), blutwurst, que eu particularmente acho uo. mas quem come carne de cavalo pode falar nada de ninguem, né?

foi uma deli.

agora o bichinho foi trabalhar e eu to aqui ouvindo beatles e criando coragem pra sair de baixo das coberta e fazer brigadeiro pra quando ele chegar amanha de manha abusadinho. o brigadeiro, alias, é um oferecimento de carol, que me deu uma lata de leite moca de presente, em berlim!

125. Fußballspiel

quando eu falei pra armin que nunca tinha ido num jogo de futebol, ele mal pode acreditar. afinal, ora essa, eu sou brasileira.

pois que ele tratou de resolver a questao em menos de 24 horas: comprou dois ingressos pruma partida de fc köln e outro time aí.

antes da partida ele me ensinou o hino do time, a escalacao, o jogador mais importante (lu-lu-lu lucas podolski!!) e tudo o mais que eu precisava saber.

fomos pro estádio eu, ele e os amigos dele do colégio. foi, depois da cachaca ao pé da torre eiffel e a sessao de queijo e vinho no miradouro de santa catarina, a minha melhor noite na oropa!

claro que a vibe de um jogo na europa é totalmente diferente do que parece ser no brasil, e mermo eu tendo pavores de multidoes nesse dia tive medo nao porque os pessoal da alemanha é tao civilizado! e a torcida é assim: eles aplaudem os lances bonitos, como num show de musica, bem adestradamente! claro que quando os pessoal faz um gol aí eles perdem a finesse, e é massa ver a alemaozada se pendurando uns nos outros.

eu tinha tomado umas kölsch com meu homem e gritei meus pulmoes out, foi uma deli!

o fc köln ganhou de 3 a 2! aí a gente foi nuns pubs e foi massa ver os bebo cantando as músicas dessa regiao com o sotaque kölsch, que é muito engracado!

mas aí armin encheu as fuca e eu tive que trazer esse alemao de doismetro pra casa. o bichinho, ficou tao bebo que nem foi pra aula no outro dia. eu achei otimo! hahahaha

124. ameliepoulanizando a vida dos outros em köln

o outono comecou oficialmente, na alemanha, mas o sol insiste em ficar. coisa boa, porque, com sol ou nao, continua friiiiio.

eu gosto muito daqui, apesar de nao ter falado muito da cidade. armin mora perto do rio e eu sempre vou pra la de manha, quando ele ta na aula e eu nao tenho nada pra fazer.

anteontem eu terminei de ler veronika decides to die. deixei o livro na margem do rio.

no fim da tarde passei pelo mermo lugar e o livro nao estava mais. pode ser que tenham jogado no lixo, hihi, mas espero que ele inspire quem o ler do mermo jeito que ele me inspirou.

facam isso, amigas: deixem num lugar movimentado um livro, uma flor, um pedaco de papel com um poema. quem sabe a gente num alegra o dia de alguém com tpm.

Wednesday, September 23, 2009

123. uma última consideracao sobre paris (ou "num banquinho do jardim de luxemburgo eu sentei e chorei")

é, pois é. pra quem nao gostou de paris é um pouco controverso dedicar tantos posts a ela, né? talvez eu nao tenha entendido ainda.

deixa eu dizer o que já disse: paris é massa. mas deixa eu dizer o que nao disse: o que estraga sao os parisienses. POVO CHATO DO CARALHO!

era meu último dia e eu estava a caca (nao tem cedilha aquiiii) de um mille feuille. entrei numa lojinha e pedi (em frances, que joli me ensinou). mas aí eu queria avisar que era pra viagem, e nao sabia como dizer isso em francês, e falei em inglês: it's to go, s'il vou plait!

e o francês idiota falou (juro em cristo): se você nao fala frances veio fazer o que na franca?

agradeci em ingles, cancelei o pedido em ingles e me despedi em portugues, com um sorriso bem simpatico, dizendo: e pode enfiar esse mille feuille no meio do seu anal.

ah, desculpa. eu tô aqui gastando meus reais no país dos outros pra ser esculhambada por um francês suvaquento? EU MERMO NAO!

§

enfim. há males que vêm pro bem e eu achei, um pouco mais a frente, uma lojinha linda, linda, linda, chamada dalloyau. me trataram como uma princesa, porque lá é caro e eu nao fiz questao de gastar uma pequena fortuna nos doces mais lindo que já vi.

atravessei a rua ansiosa a caminho do jardim, doida pra devorar aquelas coisinhas lindas.

§

no coreto do jardim, uma orquestrinha se apresentava. eles estavam tocando trilhas sonoras de filme.

abri meu mil folhas de devagar. mordi devagar. e uma pequena lágrima de deleite gordo caiu do meu terceiro olho.

§

pra terminar, um trecho do poema jardin du luxembourg, do meu novo poeta preferido, erich kästners:

dieser park liegt dicht beim paradies.
und die blumen blühn, als wüßten sie's.
kleine knaben treiben große reifen.
kleine mädchen tragen große schleifen.
denn die stadt ist fremd. und heißt paris.


§

e pra quem tá com saudade da minha fuca, a única foto de mim em si na europa.

122. 10 motivos pra amar montmartre

1. é uma bagunca
2. parece com olinda (FALEI!)
3. cheira a comida gostosa
4. a placa do metrô é retrô
5. tem a frutaria de amelie poulain e eu sou matuta e entrei e comprei aquelas mini geleinhas porque era barato e porque eu queria poder contar depois que fui lá hahaha
6. vi o bofe mais lindo de toda minha viagem depois de armin
7. pensei muito em gertrude stein, e na autobiografia de alice b. toklas, um dos livros que eu mais amo nessa vida
8. tem um instituto pra salvador dali numa das ruazinhas mais bonitas do bairro (e da cidade, talvez)
9. também pensei muito (mais até, talvez) em picasso, e fiquei imaginando ele e toda aquela patota subindo e descendo aquelas ladeiras
10. montmartre tem um quê de saudade.

121. por quê eu nao amei paris (demais)

paris é que nem hebe: nao tem como nao gostar. mas nao foi aquela paixao avassaladora, aquela tempestade torrencial de amor, como foi entre eu, lisboa e berlim.

enquanto eu perambulava por paris sexta e sábado, pensei várias vezes num trecho do samba da bêncao (vocês sabem como eu amo esse samba, uma vez que tenho ele tatuado nas cadeira):

Mas pra fazer um samba um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
Senão não se faz um samba, não

Senão é como amar uma mulher só linda; e daí?
Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza
Qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade


substitui muitas vezes, na minha cabeca, a palavra mulher pela palavra cidade.

uma cidade linda, e daí? uma cidade tem que ter qualquer coisa além da beleza. é por isso amo tanto sao paulo.

mas entendi o sentido de "qualquer coisa que sente saudade" quando fui pra montmartre sozinha, no domingo. e aí amei paris um pouco mais.

120. vagabundando em paris

de bracos dados com minha amiga joli, a gente simplesmente comecou a andar. o mapa ficou na bolsa. pra que se achar se a gente pode se perder, nao é mesmo, pessoal?

depois de andar horas, entramos numa lojinha charmosa e compramos duas garrafas de vinho de cinco euros (nos demos esse luxo, se voce contar que vinho BOM aqui é um euro e pouco), duas baguettes (que nao carregamos no suvaco porque semo fina) e ementhal.

sentamos no pé da torre.

e enchemos a cara celebrando a nós duas - juntas ali, e separadas, e tudo o que a gente teve que viver, superar, amar, chorar etc etc. a vida nao é um bombom, diz armin, e eu concordo com ele e completo: mas todo dia a mais é um milagre!!

tivemos que comprar mais vinho, e depois nutela e mais pao pra ficar sóbrias (nao adiantou nada!!), passar embaixo da torre, olhar a torre daquele lugar que terry richardson fotografou anja rubik com o fiofó pra cima mas que eu nao sei o nome...

até a hora de dizer xau - porque era mais de meia-noite a gente estava sendo damas vagabundas em paris a mais de doze horas!

e o xau nao doeu nada. porque a gente sabe quando a pessoa vai junto com voce na sua vida mesmo quando ela vai embora.

Tuesday, September 22, 2009

119. estacao glacière, às 11h, por favor.

fui buscar joli na estacao de metro dela porque me senti tao culpada do bolo-nao-intencional que dei nela na noite anterior.

e quando ela veio vindo la embaixo a unica coisa que consegui fazer foi correr na direcao dela.

saudade é que nem fome: você só repara que tava sentindo quando come.

118. e aí, paris

nao, a terra nao tremeu. cheguei la mais de dez da noite e nao consegui encontrar minha pobre amiga, que ficou lá a me esperar e nada de mim.

quando deu meia-noite eu cansei de ficar olhando paris da janela do hotel e fui andar.

desci a xanzelizê inteira andando. até chegar no gran palé. peguei a direita levemente. atravessei a rua. cheguei na beira do rio e tomei um susto.

era a torre, dourada, risonha, cheia de si.

as luzes se derretiam no rio em amarelo, vermelho, branco e azul.


e eu do tamanho de um pinto, perto dela, acendi um cigarro.
e fiquei pensando.




foi um longo caminho.

117. tem um quê de morte na bélgica

de volta pra estrada.

o caminho pra paris teve cheiro de defunto. no acostamento, a quantidade de coelhos e raposas mortas por atropelamento me deixou nerviosa.

depois, na altura de liège, um acidentr envolvendo dois carros e uma moto mandou o motoqueiro sem escala para o outro andar.

ficamos horas parados na estrada, e quando o busao finalmente passou pelo acidente, só vi o corpo coberto no chao.

fiquei pensando naquela música de tim maia: nessa vida a gente tem que entender que uns nascem pra sofrer enquanto o outro ri.

explico:
nesse dia, eu acordei tirando sarro de armin que ele tinha que ir pra escola e eu tinha que ir pra paris, hihi (desencontro #1).

e enquanto eu estava naquela estrada a caminho de paris alguém ia ter que passar pelo mesmo lugar pra morrer (desencontro #2).

sei que é dramático, mas vocês entendem o que eu quero dizer? os destinos se cruzam e so tem um centimetro de distancia entre a bêncao e a tragédia.

a gente nunca sabe...

Thursday, September 17, 2009

116. waiting for my man...

eu demoli meu próprio muro mas às vezes parece que os soldados continuam me seguindo com ordens de atirar pra matar.




eu sou que nem a alemanha: não celebro, mas não esqueço. não tenho auto-indulgência, mas também não me culpo. não ergo bandeira pra mim mesma, mas não deixo mais mijarem no meu mastro.


gente como eu tô sabida hoje.

115. amelie poulanizando a própria vida

amanhã
às 20h
vou encontrar com joli
em paris
no número 56 da rue des trois freres
que vem a ser
a frutaria de amelie poulain.

a gente não vai se ligar nem nada.
é tipo um blind date.


espero que as fundações parisienses sigam de pé no momento desse encontro.

porque eu tenho cá as minhas dúvidas.

114. todo mundo tinha que ter uma marida brasileira

procurei na internet aqueles carros que os pessoal compartilha e paga bem mais barato do que trem, sabe??

viajei com uns alemão que nunca vi na vida e foi uma diversão.

um deles, qu só tinha metade dos dente, me disse que sua última namorada foi pro brasil: "a gente se despediu como se nada fosse. mas ela nunca mais voltou de lá!".

aí fiquei aqui pensando com meus botões: será que eu devia sequestrar armin??

ps: o título desse post é dedicado ao recém-criado blog com o melhor título do mundo!

113. mas que coisa (ou "traindo lisboa")

visitei algumas cidades sobre as quais pensei, depois que fui mimbora: "ai, amei".

hoje peguei a estrada de volta para berlim. são seis horas de casinhas com teto tronxo e vaquinhas marrons.

e a única conclusão que cheguei dessa vez foi: "berlim me amou".

AHAHHAHAHAHA

112. carol

carol é uma mineira bonita de cabelo comprido e fala doce.

aprendeu cedo que a vida é a arte do desencontro, pra depois entender com a vida de novo que quem não procura, acha. e carol achou um motivo de 1.90 pra se misturar que nem garoa nessa e dessa terra fria. que ela ama - e eu também!

a casa dela é uma relíquia da berlim do leste.

e ela em sim é uma dessas relíquias da vida.

eu nmdigo? deus colocou todas as coisas na mais perfeita ordem para que essa viagem fosse cheia de amelie-poulain-nizices.

na minha última noite ela me deu duas garrafas de cerveja da bavária (onde nossos homens nasceram), uma lata de leite moça (milch mädchen) e, ora essa, um pacotinho de farinha de mandioca.

ela é berlim, pra mim, agora.

e ela não gosta de mostrar mas tem um blog ótimo!

111. os meninos de berlim

eles passam por você
completamente alheios

e completamente inconscientes
de sua
m o n u m e n t a l
beleza.

eles passam por você
sem fazer a menor idéia
do estardalhaço silencioso que causam
nimin.

Monday, September 14, 2009

110. hallo aus berlin

peguei um desses carros compartilhados e fiz uma viagem de seis horas ouvindo o let it be repetidas vezes.

berlin.

vim pensando em todas as coisas que não fiz, porque eu me torturo. depois me perguntei o que eu quero carregar quando voltar de viagem: uma alma cheia ou um saco cheio.

não sei se me fiz entender.

o que importa é que os planos mudaram desde o primeiro dia em lisboa e minha alma è piena.

§

to aqui no hostel - amo hosteis - vendo um jogo de futebol muito feio (norwich vs. alguem ai) e tocou silverchair no radio do bar.

eu gosto tanto de ter a sensação de não pertencer a lugar nenhum...

§

pois é, leitorinho, eu também tenho a impressão de que fico muito chata quando to apaixonada. mas eu mereço, discurpe! :)

109. "das ist for you"




Weißt du was du mir bedeutest?
Auf einem Platz in meinem Herz
Steht dein Name an der Wand
Und ich will dass du es erfährst
Ich werde immer an dich glauben
Egal was auch passiert
Manche singen von ihm
Ich sang die ganze Zeit von dir





acreditei não quando ele disse e cantou isso.

depois parou e disse: chega, estou ficando com vergonha.

108. eu to promovendo meu ultimo disco

proxima parada da turne de divulgacao do meu mais recente album: berlim!

essa parte da turne eh um oferecimento da leitorinha carol, que vai receber eu e os membros de minha banda na sua morada!

Sunday, September 13, 2009

107. preeti, eh o nome dela

na minha aula de alemao tem uma indiana linda chamada preeti. preeti, vale dizer, antes de tudo, significa amor numa dessas trocenta lingua que os pessoal tem la na india.

convidei essa mulher linda pra almocar comigo na sexta. e fiz um milhao de perguntas pra ela - comecei pedindo perdao, antes de tudo, pela minha absoluta ignorancia em relacao aos costumes do pais dela. ela respondeu tudo com entusiasmo.

ela me disse que nao usa sari em köln so porque eh frio demais, mas que em todo o resto dos canto mundial ela usa sari.

ela me falou que vem de uma familia relativamente moderna, que deixou ela escolher o proprio marido e - que modernos! - nao se importaram (demais) com o fato de que o marido escolhido por ela era de uma casta inferior aa dela.

ela me falou que la nao tem essa historia de namorar umas nêga e se casar com a que parece que da certo. ela me falou que era amiga do seu atual marido ha quase um ano, quando ele chamou ela pra jantar e perguntou se ela queria casar com ele. so depois de pedi-la em casamento eh que eles comecaram a namorar. se casaram uns anos depois.

ela tem 27 anos, eh casada ha quatro.

perguntei sobre os casamentos arranjados e, sem nenhum resquicio nem de julgamento nem de fanatismo, ela simplesmente disse: "meus pais tiveram um casamento arranjado, todas as minhas irmas e primos tambem. eu acho que os casamentos arranjados podem fazer muito bem a uma pessoa, porque as vezes a pessoa nao encontra um par".

preeti:
eu concordo plenamente! imagine, casamento arranjado no brasil! seria otimo nao ter que esperar trocentos anos pra encontrar um homem decente! os pais fariam uma curadoria mara de um bofe taurino honesto e a menina casaria sem ter que ficar gastando a figura nas mesa de bar!

106. em resumo

dois estranhos a caminho do bar.

tudo que eh demais eh demasia e pesa. amor tambem. chega uma hora em que na estrada aparece uma bifurcacao e a vida, essa moca faceira, solicita uma escolha.

dois estranhos sentaram no bar.

e falaram brevemente.

quer dizer, como o de costume,
ela mais.
ele menos.
mas com que exatidao.

concliu que nao ha o que fazer.
eh isso e pronto:
quem tem medo de mar?

contra mar tem aviao, barco e bóia.

voltaram pra casa bebados e felizes. ja nao se estranhavam mais.

105. brigada, amiga.

eu mandei um email pra ela pedindo conselho porque ela mora do outro lado do mar e entenderia de amore com um mar (real ou cultural) no meio.

ai ela respondeu usando o poeta preferido do homem que ta fumando aqui do meu lado:

Para além da curva da estrada
Alberto Caeiro


Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.


eu li isso e falei: dress up, bavarian, we got a city to love!

ai a gente foi pro bar. resolver as coisas sem tentar prever o que tem depois da curva.

104. uma nova semana

ontem, pela primeira vez que sai do brasil, fiz o shabat. ontem fez, diferente do resto da semana, e foi um momento especial.

e ontem mesmo tudo voltou ao normal.

eu acredito mesmo em jah e no poder da cabalinha, minha gente. acredito mermo.

dia desses eu tive uma crise de choro bem mulherzinha e comecei a rezar pra jah pedindo uma solucao e me lembrei do que minha professora da cabalinha falou: "você é deus, benzinho".

ai quando lembrei disso pensei: "apois bem que se deus sou eu eu merma vou resolver essa situacao".

parece que deu tudo certo.

vale dizer que alem de mim contei com a grande ajuda de gisela.

Saturday, September 12, 2009

103. a mais arbitrária das escolhas

veja só
que coisa simples

que coisinha mais displicente
que é escolher um lugar pra sentar
na grama

grama é tudo igual

e eu sempre penso por quê cada pessoa escolheu sentar
exatamente no lugar que sentou
que eu sento em qualquer canto.

não, mentira.

eu vou pra longe dos punk
porque eles sempre pedem cigarro.

Friday, September 11, 2009

102. sachliche romanze

als sie einander acht jahre kannten
(und man darf sagen: sie kannten sich gut),
kam ihre liebe plötzlich abhanden.
wie andern leuten ein stock oder hut.

sie waren traurig, betrugen sich heiter,
versuchten küsse, als ob nichts sei,
und sahen sich an und wußten nicht weiter.
da weinte sie schließlich. und er stand dabei.

vom fenster aus konnte man schiffen winken.
er sagte, es wäre schon viertel nach vier
und zeit, irgendwo kaffee zu trinken. -
nebenan übte ein mensch klavier.

sie gringen ins kleinste café am ort
und rührten in ihren tassen.
am abend saßen sie immer noch dort.
sie saßen allein, und sie sprachen kein wort
und konnten es einfach nicht fassen.


de erich kästners

§


não tem amor que resista a amor demais.

101. depressão linguística, coisas da vida... e tudo o mais é muita insolência de minha parte

eu simplesmente não consigo aprender alemão. não consigo entender como se constrói essa língua, como eles juntam as palavras, como as frases são formadas. não entendo, quando eles falam, quando termina uma palavra e começa outra.

não entendo como pode eles fazerem essa cara de nada enquanto falam de uma coisa legal. não entendo o alemão. não entendo os alemães.

faço tanto esforço, mas não entra na minha cabeça.

eu aprendi a falar inglês sozinha porque era uma criança infeliz e sem amigos que preferia ficar em casa traduzindo música dos beatles, palavra por palavra, no michaelis que mamãe tem até hoje. eu não entendi caralhos daquelas palavras que se juntava sem nenhum charme e que eram usadas com milhões de sentidos diferentes.

eu me sinto com 10 anos tentando aprender uma língua que não faz sentido. e não tenho os beatles como motivação.



ainda assim, eu sou saliente, e o primeiro e único livro que comprei na europa é de um poeta alemão. estou traduzindo poema por poema, palavra por palavra, e claro que não faz sentido algum.

eu estou tão confusa com tudo. com tudo.

no livro eu aprendi uma palavra muito importante: traurig. mas eu não vou traduzir.

100. mein erster dichtung in deutsche*

ein tag ich wecke
und alles ist verschieden
ich höre: "ich möche allein sein"
ich glaube nicht meiner gehör
aber ist nur ein tag
und alles ist gut wieder.





*ou "assassinando a língua alemã"

Saturday, September 05, 2009

99. um sol, dois sois

eh engracado ver a diferenca entre as pessoas que moram num lugar com sol e num lugar sem sol. nao eh so o fato de elas serem bronzeadas no sul da europa e brancas/rosa no norte. eh a forma como os corpos existem, como as pessoas se espressam e ate sua lingua. eu poderia ter percebido isso antes, uma vez que o nordeste e o sul do brasil sao tao distintos, mas a verdade eh que somos latinos (yes we are) entao eh tudo fogoso igual.

hoje a tarde armin tirou uma soneca e eu me embonequei pra dar uma volta sozinha, mas estava muito nublado e logo depois comecou a chover - entao achei melhor ficar em casa, uma vez que ontem ja tomei um banho de chuva e contando que esta um frio do cao, i´ve had enough de agua no meu juizo.

fiquei em casa um pouco emburrada esperando que o sol saisse de novo pra eu poder sair tambem, e mimadamente esculhambando essa terra gelada.

o que eu nao me dei conta logo eh que fazia sol aqui dentro: quando eu olhei pra cama, nem acreditei na burrice dos planetas que preferem o sol oficial.

armin dormia abracado no meu pelelo.



antes que vcs pensem que pelelo eh um parte do meu corpo hahahaha devo explicar que pelelo eh o travesseirinho rabujento que eu tenho ha 27 anos.

Friday, September 04, 2009

98. um mói de homi lindo, incluindo o meu

ontem a gente foi pruma festa no otimo museu ludwig. foi chato, claro, porque festa em museu eh sempre chato, mas tinha kölsch e tinha meu benzinho. ele ate me apresentou pra uma professora dele, e eu fiquei me achando muito importante, mas ela nao me deu a menor bola.

ja os amigos de armin sao otemos, e sao todos lindos, tudo lôro, ave maria quanto homem bonito.

alias, na alemanha como um todo parece que abriram a porta da esperanca: agora eu sei de onde sairam tudo os galego lindo que eu via em barcelona. but i dont care, porque eu tenho meu fränkische de coracao de gelo pra chamar de meu.

97. a ordem das coisas

os pessoal da alemanha sao bem obedientes aas (nao tem crase no computador do menino, sorry) regras.

todo dia quando vou pra escola nao entendo por que estao parados carros e pessoas - o sinal esta vermelho pros dois, mas pra que? e todo mundo espera ficar verde. eh engracado ver os pessoal parados, e os carros parados tambem.

hoje ele foi buscar na mayersche um livro que ele encomendou e nao percebeu que havia uma fila e foi direto pro caixa. as mulheres da fila comecaram a gritar com ele e eu nao entendi as palavras mas entendi o drama.

ele ficou bem envergonhado e eu tentei fazer piada da situacao: i bet those bitches are asking you to marry them but you better let them know that i could kill them all.

ele gargalhou alto demais pros padroes germanicos, e pela cara daquelas alemoas pareceu muito dificil entender por que aquele alemao mal educado de um e noventa e aquela sulamericana de meio metro se divertiam tanto.

nao, elas realmente nunca entenderiam. tem regras demais antes do entendimento.

96. bier trinken

por mais que eu nao goste (muito) de cerveja eh impossivel nao gostar da kölsch, a breja que os pessoal daqui de köln (got it, baby?) faz.

quando a gente nao tem nada melhor fazer simplesmente compra umas e vai pra beira do rhein olhar pra cara um do outro porque, ora ora, tem coisa melhor pra se olhar nessa vida?

e armin abre as garrafas com o isqueiro, eh tao sexy.

95. do desespero

e todos os seus pensamentos sobre a inevitabilidade dos fatos; e todos os seus pensamentos sobre a definitiva distancia; e todos os seus pensamentos sobre o afastamento compulsorio sao interrompidos. de repente.

porque ele esta bem aqui, cabeca no esquerdo, tronco no direito, e parece profundo, mas de repente se mexe. e voce acha melhor parar de pensar para afastar a possibilidade de que qualquer coisa - nem mesmo um pensamento - possa ser capaz de perturbar o sono dessa pessoa tao linda.

94. oracao pra sao armin (ou "manifesto sobre uma mala sumida")

eu andarei vestida com as roupas de armin.

Tuesday, September 01, 2009

93. poeminha escrito numa pagina de palavra cruzadas

se apaixonar eh como pegar um aviao:
voce pode ate saber para onde quer ir
mas nao faz a menor ideia de onde esta.

se apaixonar eh como passar com o aviao
dentro de uma nuvem:
eh uma turbulencia do cao
e voce nao ve nada que esteja a mais de um palmo a sua frente

mas veja so, galhera
que coisa

dentro de uma nuvem de coisas intangiveis
e sem visibilidade alguma
ainda assim
o sol ilumina tudo
e eh tudo tao claro.


§

no aviao a caminho de cologne.

Monday, August 31, 2009

92. apertem os cintos, minha mala sumiu

sai da taormina rumo a roma.

e, ao chegar no aeroporto, descobri que a alitalia extraviou minha bagagem - que, ao que parece, foi dar uma voltinha na australia.

eu acho mesmo que deus pos as coisas todas no universo so pra mim, porque eu sou pirada. eu me gabei tanto essa viagem toda que nao precisava de nada, que sou o apice da vida simples, que acho que ele encheu o saco da minha arrogancia e falou: "tava achando que sabia o que era vida simples, era, tabacuda? toma essa!".

de modo que agora vou ter que me virar por-sabe-la-deus quanto tempo com o minimo impossivel.

91. agora sim, le vincitrice parlono

tres meninas num terraco siciliano.

eu nunca tinha falado das minhas tragedias pessoais de uma maneira tao leve e pura - claro, havia alguns mls de nero d´avila em minha mente e quilos de confianca em meu coracao.

de repente todo mundo comecou a confessar.

a deusa de amsterdam falou sobre seu aborto - e sobre como eh ser de e morar num pais em que isso nao eh um crime e sim um direito.

a amiga americana contou como foi superar o que eles chamam na america de estupro velado - quando a violencia eh feita pelo par romantico da vitima. ela tinha 15 anos.

mas tudo isso foi falado com tanta docura porque, veja so: depois de tudo isso, ca estamos, lindas e plenas, numa terazza siciliana vendo a lua crescente bater um papinho com o vulcao.

e depois, quando aos litros de vinho adicionou-se um pouco do muito siciliano limonccelo, nos perguntamos "e por onde andam esses bastardos?", nenhuma soube responder. devem estar com a cara enfiada no proprio esfincter em algum lugar bem menos legal da terra do que a maravilhosa sicilia.

Thursday, August 27, 2009

90. minha palavra favorita em italiano

ouvi alguém falar "vincitrice" na sorveteria (onde mais? eu vivo enfiada lá) e amei o som da palavra. parecia barulho de passarinho.

no outro dia, perguntei a daniele, meu professor gatão (tipo, MUITO GATÃO), che vuol dire vincitrice.

e para a minha muito grata surpresa, ele respondeu:

vencedora.


eu sei, que post piegas do caralho...

Wednesday, August 26, 2009

89. oi, eu te conheço!

peguei a via leonardo da vinci e subi. subi subi subi subi até que cheguei às escadas que levam à castemola, um vilarejozinho aqui em riba, de onde (me disseram) se tem uma vista brutal da taormina, mazarró, giardini-naxos etc. so que as escadas eram no meio do mato e eu fiquei com medo e não subi. dei meia volta sem nenhum sentimento de derrota.

se eu tivesse, em outros tempos, dado ouvido aos meus alertas pessoais talvez não tivesse visto tanta merda. live it, learn it.

daí desci desci desci.

voltei pra via leonardo da vinci e voltei a subir subir subir no sentido contrário, a caminho de madonna rocca, um santuário em cima de outra montanha. a subida é cheia de casinhas lindas - como esse povo gostar de flor, né minha gente, uma loucura - e as ruas são curvilíneas que nem bionça e o sol é de rachar e o etna está muito fumacento hoje de modo que a vista não está das mais estonteantes (se é que é possível que ela seja alguma coisa menos que "linda").

quando o let it be tava acabando cheguei lá em cima - a tal da madonna rocca em si nem é essas coisas todas. é uma santa feita de pedra, duh, bela merda. em caruaru fazem santa de barro e ninguém se amostra com isso. mas a vista é de matar mesmo.

mas eu tava feliz era por estar sozinha. em silêncio.

tenho a impressão de que quanto mais pra longe eu vou mais perto de mim eu chego.

de repente começou a tocar beck. o odelay, um disco que eu ouvia muito com carol e rachel em 1998, e que eu nunca quis ter para que todas as poucas vezes que eu ouvisse na vida ele não me lembrasse mais nada além daquele ano mágico.

só que baixei o odelay especialmente pra esta viagem, mas até agora não tinha ouvido. esqueci que tinha ele no mp3.

no começo da descida eu parei e sentei e me lembrei daquele ano. nessa hora tava tocando jackass, e a primeira estrofe da música me é muito cara: I been drifting along in the same stale shoes.

foi emocionante perceber, enquanto o pôr do sol ia pincelando as coisa tudo e a fumaça do etna de laranja, que eu sou o mesmo velho sapato de sempre.

explico: eu escrevia muito no meu diário, quando tinha 16 anos, que tudo que eu queria era ser menos apaixonada, menos desesperada, menos intensa, menos pensativa. que eu queria ter calma, que eu queria ser calma, que eu queria ser uma pessoa lhesgal.

e hoje, 11 anos depois, não foi pouco maravilhoso notar que as desgraça da vida não tiraram nada de mim. que, sim, estou beeeemmais calma e quem-sabe mais lhesgal.

mais melhor de bom que isso: vi que, para a decepção da ivi-que-uma-outra-ivi-queria-que-ivi-fosse, eu continuo desperada, ansiosa e apaixonada. e pensativa de montão.

ninguém tirou nada de mim porque a ivi-que-queria-ser-calma-mas-não-consegue nunca deixou que isso acontecesse. eu sinto essa guerreira pintando as fuça de vermelho todo dia, protegendo a eu que não quer ter que pensar que o mundo é uó e que ela precisa se proteger.

que massa, né?

88. consegui

recebi mais um convite para ir pra uma praia maravilhosa que fica a não-sei-quantos-quilômetros de não sei onde.

e eu consegui dizer: não, meninas, brigada, hoje eu quero ficar sozinha.

CONSEGUI!

eu tava dizendo a armin que demorou tanto tempo preu conseguir me amar e me sentir confortável na minha presença que agora que eu consigo fazê-lo, me sinto perdida quando não o faço (deu pra entender?).

de modo que hoje marquei um date com myself e eu vou me encontrar bem bonita.

Tuesday, August 25, 2009

87. eu não sinto saudade

de nada.

86. pra entender o amor dos italianos por comida (e o meu amor pela comida deles)

depois que terminei a tattoo perguntei pro moço:

"sim, eu tenho que ficar uma semana sem comer prosciutto e frutos do mar, certo?".

ele fez uma cara de completo espanto - como se eu tivesse falado "agora eu tenho que enfiar minha língua no nariz até sair pela orelha, certo?".

e me perguntou, com o tom de voz um tanto alterado: "QUEM TE FALOU ISSO?".

respondi que os tatuadores brasileiros com quem fiz tatuagem sempre me recomendaram isso - nada de embutidos, nada de frutos do mar.

e ele respondeu: "que absurdo. é a mesma coisa que pedir para você ficar sem respirar uma semana".

e sim, eu comi presunto cru, salame, polvo, vongole e o caralho a quatro e, para minha surpresa, nada aconteceu com o desenho.

italians do it better!

85. ampliando o horizonte, #2

adriana me deu um livro de paulo coelho de aniversário. veronika decides to die.

fiquei tão sem graça quando ela me deu o presente, porque eu sou arrogante e me acho muito inteligente. eu sempre reproduzi o discurso de toda classe intelectualóide do meu cu que paulo coelho é um lixo. mas o que minha mente prepotente nunca se deu o esforço de pensar é que, se eu gosto de julia roberts, oprah, liz guilbert e christina, é um pouco ingênuo achar que paulo coelho está abaixo das minhas expectativas cerebrais.

eu adoro quando eu abro meu coração pra algo que eu sempre achei estúpido, é como levar um sacolejo conceitual, e depois eu me sinto estúpida e percebo quão preconceituosa eu sou. e adoro a sensação de descobrir que estava errada e que ainda dá tempo de mudar de idéia (se eu quiser).

na noite que eu conheci armin ele me perguntou se eu conhecia literatura alemã e eu bem amostrada citei um monte de coisa, depois perguntei pra ele o que ele conhecia de literatura brasileira e ele disse: paulo coelho.

eu fiquei com um pouco de vergonha alheia porque eu sou preconceituosa (quantas vezes vou ter que repetir?) e expliquei pra ele que os críticos literários do brasil acham paulo coelho "não muito bom". e ele respondeu, com sua simplicidade brutal: "e o que eu tenho que ver com isso?".

ele é um gênio, meu homem.

pois bem, pra terminar o assunto: eu simplesmente estou AMANDO o livro.

amando.

anotem aí: IVI AMA PAULO COELHO.

xau.

Monday, August 24, 2009

84. minha primeira conversa em italiano (ou "ampliando o horizonte... dos outros")

sexta eu tive minha primeira conversa in full italian. foi curto mas foi ótimo. não misturei com espanhol (hihi, faço isso sempre) nem fiquei gaguejando! foi na loja de arancini que tem na frente da praia.

eu dei oi e fiz meu pedido. conversei sobre o tempo. e quando o assunto terminou perguntei pra mulher se ela tinha entendido tudo que eu tinha falado.

ela disse que sim, que meu italiano é muito bom (mentira!) e depois perguntou se eu era espanhola. eu disse que não, sono brasiliana, e ela respondeu:

"il tuo italiano é molto buono, per una brasiliana".

ela não quis me ofender, óbévio. mas isso é uma coisa que eu tenho ouvido muito aqui: "seu espanhol é estupendo para uma brasileira", "onde você aprendeu a falar inglês tão bem?" e coisas assim.

fico aqui me perguntando se esse povo acha que a gente mora na floresta e caça piolho uns dos outros.

que mistério.

83. ampliando o horizonte, #1

fui na missa ontem de manhã. vale contextualizar: não sou católica e estudo a cabala. mas deus é deus e eu tava precisando dar uma palavrinha com Ele.

coloquei minha roupa de domingo e um lenço na cabeça, crente que ia arrasar no dress code. mas só deu a idiota aqui, todas as vovós tavam bem mudernas de braços de fora e sem lenço na cabeça, afinal aqui faz 200 graus na sombra. ah, escolhi a igreja de santo antonio (aqui tem trocentas igrejas, claro, aqui é a itália) pra agradecer a graça alcançada hahahaha.

o padre era um vovô MUITO vovô muito lindo e eu era a única pessoa com menos de cem anos presente.

não entendi, infelizmente, qual parte da bíblia ele leu, mas entendi um pouco do sermão: ele falou que um homem que não ama a sua esposa não se ama, porque os dois são um só (ai que romântico!).

na segunda parte da missa ele falou que aborto é uó e que todas que fizeram isso vão queimar no fogo do inferno hahahahaha

depois eu dei uma choradinha na hora da missa que tem que abraçar os pessoal porque me deu saudade da minha vó, e respeitei a "presença" dela e não fui comungar, afinal não fiz primeira comunhão (não sou católica, já tive falando).

depois fui passear bem feliz que tinha feito com o coração aberto uma coisa que não fazia há muito tempo e sempre detestei fazer (ir à missa) e hoje foi ótimo e tudo é ótimo.

acho que eu tô começando a entender aquela frase que fala de almas não pequenas.

82. um pouco de entendimento

entendi a razão da minha angústia. eu estou tentando desesperadamente ficar um pouco sozinha mas não consigo - as meninas da minha classe não se desgrudam entre si e não desgrudam de mim. e eu adoro todas, mas depois de três semanas de intensa vida social eu realmente PRECISO ficar em silêncio. e pra isso que eu saí da minha zona de conforto sul-americana.

engraçado que a coisa que eu mais achava que ia acontecer na taormina era eu ficar sozinha pensando na vida e escrevendo uma dissertação sobre o auto-exílio.

mas não.

esses dias escrevi pra armin dizendo que a taormina tem 11 mil habitantes e mesmo assim a quantidade de contato social que eu fiz - porque quis - está começando a me intoxicar e eu estou começando a me arrepender de ter ido lá fora caçar amigos como uma lince.

claro que fazer o exercício de ser um pouco mais tolerante e aberta também foi bom e aprendi um bocado. aprendi que não gosto de gente perguntando onde fui o que fiz com quem e como (minha room mate faz isso todo dia e por isso a gente não é mais amiga hihi). aprendi que nem todo mundo está interessado em mudar de opinião e que as pessoas têm direito de se manter assim (não que eu ache que a vida seja melhor quando você judgemental, mas ainda assim, você tem direito...). aprendi que nem todo americano é idiota (muito embora às vezes minha amiga adriana diga cada barbaridade e faz com que eu tenha que explicar pra ela como funciona o mundo lá fora. afora isso, vocês não sabem como é mára ter uma pessoa que traduz para você todas as gírias das música de bionça que a gente não acha no google translate). ah! aprendi que os pessoal só usa 14% do cérebro - mas quem fala mais de uma língua usa mais! será que o fato de eu agora falar (COF COF) quatro faz com que eu use 66% do meu?

piadas leoninas à parte, o que o meu brilhante cérebro de tainha me ensinou foi sobre aceitar que eu sou assim. que eu gosto de ficar sozinha na maior parte do tempo, e não tem mal nisso.

e aprendi finalmente a conjugar o passado recente em italiano! hahahaha

Saturday, August 22, 2009

81. what the fuck?

eu estou tão esquisitamente triste hoje. nesse segundo eu tô na varanda da minha amiga adriana, com erin e nina, a deusa da holanda, olhando o sol se esconder atrás do etna.

e mesmo assim...

eu estou cheia de lágrimas internas.

80. angela

todo fim de tarde que eu ia no joli bar estudar, via essa velhinha com óculos escuros tipo surfista, uma pulseira de esmalte com os símbolos do signo do zodíaco e fumando um cigarro (daquele "vogue", horríveis) um atrás do outro.

um dia ela puxou assunto e começou a me ensinar o nome das coisas que estavam em cima da minha mesa: sigaretta, accendino, portacenere, penna, quaderno, lattina di coca-cola etc etc.

no dia seguinte, lá estava ela de novo. dessa vez a gente conversou um poquinho mais - o que é um milagre dos deuses, uma vez que ela, dona angela, fala um po' de italiano, un po' de siciliano. bedda matri!

aí no terceiro dia dona angela começou a me contar da sua vida. ela é pisciana. foi casada com o amor da sua vida por 49 anos. ele, carmelino, morreu há 10. cinco anos depois, lino, o filho deles, morreu também. de modo que, segundo ela, ela agora conta os dias ao contrário. "não vejo a hora de morrer. para mim, acabou".

ela é bem dramática! e eu amo mulheres piradas, e esta completamente tan-tan. nesse dia, ela me fez uma proposta: ir na casa dela todas as tardes, per fare il pranzo e praticar meu italiano. em troca, ela só quer um pouco de companhia.

vamos ver se soa justo: eu vou almoçar de graça todos os dias na casa de um vovó siciliana e praticar meu italiano, enquanto que ela ganha em retorno a companhia de uma brasileira destrambelhada que conjuga os verbo tudo errado. de certo, não foi dona angela quem saiu ganhando. mas ela me ama e vice-versa!

minha tática é: eu faço uma pergunta, ela fala sem parar por meia hora (ela não está nem aí se eu entendo ou não, ela só quer tagarelar). em seguida eu faço outra pergunta, e ela falafalafala de repente 3 horas já se passaram e ela fala: "tá bom, ci vediamo domani". hahahaha ela me expulsa mermo!

semana passada a levei para passear no giardino comunale daqui - ela se arrumou toda, foi até no cabeleireiro. eu fiz uma sessão de fotos com ela nas flores, na fonte, na escultura... ela fuma pra carai e por isso quase não tem fôlego pra nada, e pra fazer caminhadas precisa ter alguém em quem se segurar, tadinha (a bengala dela é linda, mas como toda italiana que se preze, ela está um pouco acima do peso e a pobre da bengala não dá conta do recado). ela me disse: io sono tua nonna straniera. mas tua nonna brasiliana non puo avere gelosia. e eu só pensei: vai sonhando, queridinha, que vovó é escorpiana e ciúme é com ela merma!

dia desses pedi pra ela mostrar fotos antigas, e ela me mostrou fotos dela na taormina da década de 40, o auge da cidade - e das roupas de dona angela, que eram lindas. e uma coisa que caught my eye foi que, carmelino, o falecido, aparece gargalhando em todas as fotos - quando não está abraçado ou beijando dona angela. de modo que entendi porque ela chora quando fala dele e sente tanta falta.

faz quatro dias que dona angela foi atropelada por um turista imbecil que fugiu sem dar socorro. por isso que dei uma sumidinha. agora, ela está hospedada na casa da sua filha mais velha (que, pelo que entendi, não dá muita bola pra mãe).

tomara que ela fique bem antes deu ir embora. quero esmagá-la mais um pouquinho.

Wednesday, August 19, 2009

79. joli bar

pois é. bem na frente da minha escola tem um café que se chama joli bar. eu às vezes tenho a mais compreta certeza que deus fez todas essas coisas bonitinhas só pra mim, dois dias antes deu chegar na europa - um alemão fã de fernando pessoa, os moinhos de abuláfia, todos os cachorros, um assalto, um vulcão... e o joli bar. todo mundo da escola já foi devidamente por mim avisado, no meu italiano ridículo, que este é o bar da minha amiga joli.

o joli bar é meu cantinho na taormina - o único canto que achei que é frequentado por sicilianos. aqui tem mais turista do que aparecida do norte, ops, roma. e eu rodei a cidade feito uma rapariga procurando por um canto que fosse frequentado por nativos e, mah, era só atravessar a rua.

todo dia, na hora do intervalo, eu atravesso a rua e compro um cornetto (a libidinosa versão italiana pra croissant, muito mais rechonchudo e cheio de açúcar de confeiteiro do que a anoréxica versão francesa) de nutella. desde começo fiz um esforço sobre humano pra conseguir me comunicar em com os pessoal que trabalha lá (por que eu não consigo, jesus amado?) e, de tanto fazer papel de tabacuda, fui adotada com um amor feroz por todas as garçonetes e mais a dona do lugar!

agora eu chego lá e ganho beijo e abraço de cada uma delas, e elas são todas quarentonas e gordinhas, e lindas, e eu afundo minhas fuça nas tetas delas (e não é por escolha minha!) e elas me afogam nesse amor siciliano que lu bugni bem previu pra mim.

é assim: lina (diminutivo de carmelina, me ensinou ela) é a dona. passa o dia sentada olhando a vida alheia e observando com orgulho seu pequeno reino. todo dia todas as mesmas pessoas vão lá - todo santo dia, os mesmos velhinhos e velhinhas, viúvos e viúvas, com quem a vida não parece ter tido nenhuma complacência. lina também faz as vezes de cuidadora de alguns deles, faz o almoço e até pinga colírio nos olhinhos de um que tem mal de parkinson. podia ser uma coisa triste, se eles não fossem tão maravilhosamente barulhentos e animados!

pia é a garçonete da tarde. ela é IMENSA, e tem uma cara em formato de coração e dela saem coraçõezinhos de amor. ela é casada com um brasileiro, e vive dizendo preu ir na casa dela dar aula de português pra ele "que aquele abestalhado esqueceu tudo". pelo que entendi, e pelo tamanho que ela tem, parece que é ela quem manda na casa.

a minha favorita, no entanto, é natalie, que fica lá de manhã. ela deve ter uns 30 e tantos anos e usa lápis de boca MUITO mais escuro do que o batom. e ela canta que nem bionça!! e não, queridinha, ela não gosta de cantar laura pausini - ela canta lady gaga!!!! enquanto prepara minha décima granita do dia.

natalie é uma siciliana guerreira, mãe solteira nessa terra dificile pra mãe solteiras. pelo que entendi, lina deu o emprego a ela por amor, e não por precisância de mais gente porque pia daria conta do trabalho. eu conheci o filho de natalie, matia, dia desses mas ele não me deu a menor bola. ele tem sete anos e certamente uma tia esquisita falando um italiano da merda não é a coisa mais interessante do mundo.

e foi lá, no bar da minha amiga joli, que eu conheci minha melhor amiga na taormina. angela. mas ela merece um post só pra ela.

Tuesday, August 18, 2009

78. babilonia

esse é o nome da minha escola de italiano.

eu não posso dizer que é pouco apropriado.

eu, pelo menos, tenho feito orgias eno-gastronômicas que deixariam nabucodonosor com as bochechas bem vermelhas.

ah. e do lado da escola tem um restaurante chamado il baccanale.

já na frente tem um bar que é meu cantinho. vocês não vão acreditar no nome do bar...

77. vendendo o peixe. vendendo camisinhas. sei lá.

aconteceu um monte de coisa nessa europa que eu não contei aqui!

são historenhas excrusívias do blog da olla!


vai lá veeeeeeeeer!

76. de amar, do amor

leitorinhas(e leitorinhos!), eu achava que não dava pra receber mais amor do que eu já tinha, mas vocês me surpreendem.

amo vocês também.

beijos de língua,
ivo

ps: tenho mil coisas pra contar, mas depois, que agora tenho que fazer meu dever de casa sobre i verbi modali!

Sunday, August 16, 2009

75. 04:04

numa perambulância boêmia em lisboa, noite dessas, a superstição brasileira apontou pro relógio e falou: eita, faz um pedido!

a pragmática germânica respondeu: eu não acredito nessas coisas.

a insistência brasileira não se deu por vencida: vai, tabacudo, faz um que eu faço outro. depois um dia a gente vê qual dos dois teve o pedido realizado primeiro.

a indiferença germânica e a animação brasileira, sem saber, pediram a mesma coisa.

e se realizou, o pedido.

de modo que hoje é dia 16. eu agora tenho 27 anos. e a tal da hora mágica virou auto-presente de aniversário. está tatuada bem aqui no meu braço esquerdo.

74. ridícula

eu tenho a impressão que o mundo parou, porque hoje é meu aniversário. eu estou tão leonina hoje! eu estou sozinha, longe de todo mundo que amo e - COMO ASSIM?? - e eu nunca fui tão feliz na minha vida inteira.

eu sei porque: é que agora eu tô tendo um caso tórrido de amor comigo mesma. e, por jah, eu não sabia que eu era tão deliciosa! hahahahahaha e, somado a isso, estou me esforçando pra ser mais tolerante com os pessoal.

nesse momento eu tô curtindo minha doce ressaca apaixonada, olhando pro vulcão e ouvindo velvelt underground. e bem agorinha lou reed cantou: i have me... big decision.



sim, e eu diria mais: great choice!

73. my man

me escreveu de manhã bem cedinho, bem animado:

sweet ivi, obrigado por ter puxado assunto comigo naquela noite. obrigado pela poção mágica que você me deu. eu me sinto entusiasmado, audacioso, corajoso, doce, emocional, sereno e feliz, depois que você apareceu. hum... talvez eu tenha virado gay.

hahahahahahah não é o jeito mais lindo de dizer "feliz aniversário"??



eu amo tanto esse homem.

72. então essa é você, é seu aniversário e você está quebrando padrões (ou "minha primeira festa surpresa!")

eu tenho uma tendência linda de querer ficar sozinha o tempo todo porque, como já revelei aqui, sou a pessoa mais arrogante da via láctea. eu acho mesmo que às vezes é melhor ficar sozinha do que ficar com gente que não é tão massa quanto eu, porque eu sou imbecil.

então.

fui forçada a mudar meus planos de passar um aniversário de mulher madura adulta e sozinha. porque minhas amigas da escola me deram uma festa supresa de presente!

adriana é da ouisiana (a terra de britney!) e é to tal men te destrambelhada. eu estou completamente apaixonada por ela, ela é como eu quando tinha 21 anos. e erin é de nova york, do bronx, o que fez com que ela ganhasse de mim o djilicioso apelido de j. lo, apesar dela ter 200 quilos e ser mais branca que jana e antonia juntas. ela se mudou pra sicilia fugindo do ex-namorado gangster que agora está preso. o que é um pouco engraçado: foge de um gangster e vem morar na terra da máfia. sei.

pois que ontem elas me chamaram prum "jantarzinho besta". e eu pus uma roupa bem feia porque nunca imaginei que era ocasiões especiais. mas elas me meteram num táxi até giardini-naxos, uma cidade aqui do lado, onde elas tinham feito reserva num restaurante à beira-mar, a coisa mais fofa, e me deram TRÊS GARRAFAS DE VINHO de presente. a gente jantou (eu me empaturrei de linguini com cozze e vongole, meu cuuuu que delícia) e bebeu loucamente.

adriana ficou bêbada antes de mim (fatos inéditos) e começou a paquerar gabriele, o garçom. que era romeno! jana, eu falei pra ele que tu ama ciganos, e ele mandou beijos!

adriana tirou o vestido no meio do restaurante e mergulhou no mar, e depois vomitou, e a gente causou tanto e ainda assim os garçons todos nos amaram! claro, as americanas milionárias deram gorjetas de 25 euros pra CADA UM QUE NOS ATENDEU.

em certo momento da noite, depois de adriana chorar porque ama muito seu pai italiano, erin from the block me falou: você tem noção que hoje é seu aniversário e você está celebrando sozinha, milhas e milhas longe da sua casa, numa cidade estranha com duas meninas que você mal conhece. mas você está so sul da itália, você está bronzeada, apaixonada, bebendo do melhor vinho, com os garçons mais bonitos da terra. esse, sweetie, vai ser provavelmente é o melhor aniversário da sua vida.

quando a gente já estava ubriaca e indo embora, os garçons trouxeram um bolo com uma velinha azul e UMA GARRAFA DE CHAMPANHE! e eu ainda ganhei rosas vermelhas! vocês podem acreditar nisso? eu simplesmente não acredito que eu ganhei todo esse amor, e não acredito que amei tanto não estar sozinha ontem/hoje. acho que estou me tornando uma pessoa mais boazinha.

voltei pra casa bem gorda e feliz, praticando meu italiano que se resume a uma frase, que eu não falo, grito, com sotaque siciliano: MA CHÈ CAZZO FARE? (o verbo muda sempre, parlare, fumare, bere e por aí vai). o taxista elogiou meu acento, ok? adriana foi dormir porque tava muito beba. e erin foi dar uma volta na lambreta de gabriele, o cigano.

que ela é libriana. acho que librianas são chegadas numa lambreta. e leoninas são chegadas em vikings.

Friday, August 14, 2009

71. "todas as divas vão comemorar aniversário na itália?"...

... pergunta lu bugni.


sim, claro, eu e a majestady. doppo domani!

70. cérebro verborrágico...

meu aniversário é domingo e claro estou tendo aqueles dias de análise, sessões silenciosas de auto-esculhambação, análises, sessões barulhentas de vinho com as novas amigas...

mas nenhuma das minhas pensanças foi tão eloqüente como essa frase que xinaider me mandou hoje (é a newsletter da cabalinha, hihi):

Today, expect that everyone you meet has a hidden message for you.


eu tenho conhecido tanta gente, e às vezes perco a paciência com a chatice das francesas, a imprevisibilidade dos alemães, o não-me-toque dos suecos, o excesso-de-me-toque dos italianos... tudo isso é porque eu sou arrogante para caralho.

e essa frase me faz pensar que não é somente as pessoas incríveis que pipocam na nossa vida têm uma mensagem a passar. os pessoal que a gente não gosta têm, certamente, uma função pedagógica muito mais importante do que a gente imagina.


mas puta que pariu, francês é tudo chato. foi mal aê!

Wednesday, August 12, 2009

69. pra um amor em português

quanto mais línguas eu aprendo (falou a poliglota, que ridícula, desculpem!), mais eu vejo que amo o português.

nosso vocabulário é talvez o mais extenso de todos - tô achando que mais até do que o italiano, e olha que esses caras gostam de falar - e é com um orgulho danado que eu percebo que nossa língua seja talvez a única que tem um nome específico pra cada sentimento do ser humano.

acho que é por isso que para nós seja tão fácil demonstrar as emoções, acho que é por isso que a gente (brasileiros e p'rtugueses) é tão amável.

eu e armin conversamos de montão todo dia, e ele precisa lançar mão de um palavrório desgraçado pra descrever um sentimento (não somente os que ele tem em relação a mim hahahaha). quando ele termina, eu simplesmente digo: então, em português isso se chama tal-tal-tal.

hoje eu tava ouvindo a grande filósofa da vida a dois, bionça, e tem uma música em que ela diz: "how can we love if we dont change?".

eu definitivamente tenho pensado muito sobre isso, aqui na taormina. e esse é um dos conceitos paradoxais da cabala que eu mais gosto: é importante ter permancência, mas se manter permanentemente mudando é mais importante ainda.

às vezes a gente fica tão apegado a uma característica nossa. às vezes por pura birra. outras vezes, por ter medo de que mudar seria abrir concessões demais para o outro e... "será que fulano merece?".

mas se a gente se transforma para receber alguém melhor na nossa vida, como o colchão afunda quando a gente deita, que mal há nisso?

eu vejo armin fazendo isso o tempo todo, tentando esculpir pela primeira vez na vida o próprio coração de gelo para receber alguém (eu, pra deixar claro! hahaha)... e aí eu penso em outra música de bionça:

i'm in love and i'm gracing the earth.

Tuesday, August 11, 2009

68. taormina do jaburu

eu já comentei que aqui só tem 11 mil habitantes?? num é a coisa mais linda?? eu tipo voltei pra gravatá do jaburu versão com-vidrão-de-nutella (e água encanada).

67. OH MY GOD!!

AQUI TEM VIDRO DE CINCO QUILOS DE NUTELLA E VENDE NO SUPERMERCADO!!!!!!!!!
FUDEU
FUDEU
FUDEU

66. nadine

eu moro num shared apartment. eu divido este maravilhoso shared apartment com nadine - uma alemã muito gata, que mora e trabalha em mônaco, na bmw. ela tem um péssimo gosto pra sapato, mas como ela é magra e peituda eu acho que quem está certa é ela (e não eu, que só trouxe uma sandália de salvador e um par de havaianas)

antes eu não ia muito com a cara dela porque ela é, in fact, bem patricinha - e um dia ela comeu meu iogurte e eu fiquei muito puta, mas depois ela repôs e agora eu gosto dela. quer dizer, ela nunca limpa a areia do chão quando chega da praia nem joga o lixo fora mas cada um é individual e eu respeito esse desvio de caráter dela hahahaha

a gente tá ficando bem amigas (jana, eu te amo mais). à noite cada uma faz seu jantar e sentamos na mesa da cozinha e conversamos até aaaaaaltas horas. ontem mesmo eu bebi uma garrafa todinha de vinho (vocês não fazem idéia do que é um nero d'avola de 3 euros) falando sobre o brasil - ela é bem interessada, e eu gosto de gente interessada.

mas ela é da bavaria (armin tb, mas ele já viajou de montão então é mais aberto), o estado mais conservador da alemanha. os conceitos de vinicius de morais dela são bem antiquados - e, ao mesmo tempo, completamente contraditórios.

ela mal pôde acreditar quando eu disse que tenho um grande amigo que é casado com um cara e mora em berlim.

e eu mal pude acreditar na naturalidade com ela me contou que namora há quatro anos com um homem casado! quer dizer... namorar homem casado pode, mas ser um homem casado com outro, não??

choque cultural, tu não é uma galeria.

Sunday, August 09, 2009

64. liz guilbert está me seguindo e não o contrário

saí do taxi. minha landlady esperava por mim do outro lado da rua da sua casa, pra m ajudar com as malas. a primeira coisa que ela me disse?

"atraversiamo!".

eu juro por deus.

Saturday, August 08, 2009

63. licença maternidade

faz mais de um mês que estou viajando e algumas leitorinhas mandaram email perguntando:

"massa, mas... e o chic?"

lets put it this way: eu tirei licença maternidade... pra dar de mamar a mim mesma!

Friday, August 07, 2009

62. taormina, taorlinda

olhei ao redor e tentei não cair pra trás.

vejo uma cidade encrustada nas montanhas. à direta, tem o mar, azul e transparente, com praia de pedrinha.

e quando eu olho pra esquerda...

eu vejo o etna. o vulcão etna.


eu
sou
leonina
vizinha
de um
vulcão.


NÃO É PERFEITO?

Thursday, August 06, 2009

61. v de viaggio di merdi, hihi

continuando: meu trem desembarcaria na taormina às 04h37, e seria muito cedo e não teria sol e a dona do apê que aluguei disse que não ia poder me buscar na estação porque é muito longe ("longe", 6km, meu cu, mas depois eu entendi porque ela acha longe: a taormina inteira tem bem menos que isso de extensão hahaha) e eu não queria mais sair do lado de minha anja vittoria então simplesmente decidi ficar no trem e descer com ela em catania, a uma hora da taormina, e ficar com ela (quem sabe ela não me chama pra morar com ela pra sempre e eu nunca mais tenho que enfrentar a sicilia sozinha?) até o sol aparecer, e voltar pra taormina. completamente idiota, eu sei, mas eu tava tipo com muito medo dos caras lá. 

 chegamos em catania, já estava clareando, ela me ajudou a comprar o bilhete de volta mas não me convidou pra ir pra casa dela. a estação estava vazia vazia, ma va benne, pelo menos estava claro. estava eu sentada quando de repente começa a chegar um monte de homem, de bolo, e foram todos se sentando ali perto e meu pavor cresceu vertiginosamente. tentei seguir o conselho de vittoria "pára de fazer cara de gringa" que acho que significa mais ou menos "pára de fazer essa cara de cu de '?'" mas eu realmente estava mais perdida do que o futuro político da itália. 

 mas afinal o trem chegou (esse tinha ar condicionado, acho que é uma questão de sorte, mesmo) e cheguei na taormina com o bigode preto de fuligem, muito cansaço e uma mini vontadinha bem pequena de chorar - pelas mesma razão de sempre "é foda ser mulheeeeeeeeer nesse mundo de homens idiotas - menos armin, meu avô, ernesto, leandro, xinaider, carlois e celo". 

 desci na estação e fiz o impensável (afinal sou gringa e não falo italiano): peguei um táxi durante a alta estação na taormina, que é mais ou menos o equivalente de ser alemão e chegar em porto de galinhas e pegar um táxi pra ir pra maracaípe: você vai ser enganado. 

 o taxista subiu uma ladeira, pegou a esquerda e disse: é aqui, vinte euros por favor. 

 mas eu tava tão cansada que quase beijei ele só pelo fato dele existir. 

 desci do taxi, toquei na campainha e só aí que eu lembrei de olhar para trás. 

 e nesse momento eu entendi a exata, a mais precisa, a mais perfeita "personificação" da palavra paradiso.

Wednesday, August 05, 2009

60. v de vendetta, v de vittoria

cheguei na estação de trem usando minha única roupa de domingo: a calça bege de linho, as sandálias de couro made in jaburu, uma camisa branca de botão bem boyfriend, um fedora (mentira, é só pra deixar a descrição do look mais bonita) e meu ray ban vintage (esse eu tenho mesmo). e o anel de coração que jana me deu, é claro.

é que eu achava que viajar de trem ainda era como antigamente - capaz até deu cruzar com catherine deneuve fumando no corredor como naquele filme lá, quem sabe. em córdoba, toda vez que eu comentava que tinha ido pra sevilha ou pra lisboa de autobus, todo mundo fazia cara de "argh que pobre" e depois perguntava: "pero por qué no fuiste de tren? és muy mejor".

então eu realmente achei que era hora de pegar um trem, vamos ser românticos um pouco né galhera, afinal tô indo pra sicilia. e, depois de gastar uma pequena fortuna, peguei um. rumo ao INFERNO.

vê mermo, que eu cheguei na estação termini e vi meu trem todo sujo e pixado, caindo aos pedaços, e eu pensei: "ai que europeu, que lindo". vi um monte de bofe xucro maltratando suas respectivas, falando cuspindo e coçando saco (não preciso dizer que falavam MUITO ALTO, afinal vocês sabem onde estou) e eu pensei: "ai que italianos, que lindos".

e nos primeiros minutos da viagem foi realmente bem romântico. o começo do trajeto é pela área rural, e como a janela tinha que ir aberta (porque não tinha ar condicionado, mas até então eu não estava incomodada) fui sentindo o cheiro lindo de mato e cocô de vaca, e todas aquelas fazendinhas lindas.

depois o trem segue pro litoral, e o cheirinho de sal e todas aquelas cidadezinhas paupérrimas e o mar e a lua crescente! juro, estava tudo indo tão bem...

mas é claro depois tudo virou um inferno, o fato da janela ter que ir aberta significa literalmente comer poeira e fumaça de trilho (no outro dia quando tomei banho a água saiu preta, eu juro por jah). mas isso nem era o pior...

descobri no trem que ser mulher - estrangeira, sozinha, e sem falar italiano, então... nem se fala - na sicília não é a coisa mais fácil do mundo. quer dizer, não que seja fácil em algum lugar, e aqui tampouco. pra ser breve, afinal esse post já tá muito grande, alguns caras (não, eles não eram sexy como os bofe de il padrino, ok?) ficaram me rondando e me fazendo um monte de perguntas, bem simpáticos, num inglês ruim de fuder, e eu sou idiota e respondi um monte delas bem simpática, até que veio uma menina, vittoria, que estava na mesma cabine podre que eu, se apresentou e disse:

eu não quero te assustar mas esses caras vão te roubar.

hahahahahahaha assim! bom, resumindo, na minha cabine só tinha eu e mais duas meninas então as três decidimos não dormir pra cuidar umas das outras. os caras voltaram algumas vezes, mas como nunca dormimos, acho que eles desisitram. vittoria, que é nascida e criada em catania mas mora há uns anos em roma, me explicou que os caras não falavam italiano mas sim dialeto siciliano - pra mim não faz a menor diferença! - e que ela ama a sicilia, mas que as pessoas podem ser bem violentas e desonestas. "mas pense nisso como uma aventura", tentou ela me animar. claro, claro.

tudo que eu queria era voltar pro meu amado autobus. e não a saga não termina aqui. mas conto depois, tô com muito sono. he.

Monday, August 03, 2009

59. spaghetti di trevi - um post especial para xinaider

a fontana di trevi é realmente muito bonita. mas bonito mermo foi meu almoço: spaghetti com funghi, vinho branco, alho e um montão de azeite.

tava me perdendo por ali e vi, numa ruinha micra, esse restaurante micro, especializado em spaghetti - tinha mais de cem receitas no cardápio, e eu demorei mais de cem minutos pra escolher o meu.

então, xinaider, anota: a 15 segundos da isabeli fontana di trev, via l'archetto, número 26. o nome do restaurante é l'archetto também. duh. e os garçons, mamma mia, são lindos.

58. relatos de uma bola de basquete

aindei roma inteira a pé - como fiz em todas cidades depois de lisboa, metrô nunca mais.

roma é cafona demais. e ela nunca te dá a chance de esquecer que você está em roma. é um pouco opressor.

fui em tudo os pico turístico e tudo que eu queria era ver um italiano - coisa que, claro, não consegui. como aqui tem turista, meu deus! parece aparecida do norte!

a cafonice de roma me deixou ao mesmo tempo morgada e animada. melhor mesmo foi me perder nas ruazinhas dos bairros residenciais. comi um risotto de cebola roxa e bacon que quase morro. e na via vacour, no caminho do coliseu, tomei um sorvete de café e chocolate que mamma mia. acho que foi uma péssima idéia escolhar a itália para ficar um mês - vou virar uma bola de basquete.

ah, e preciso dizer: toda essa vibe católica também me deixou um pouco morgada.

ainda estou sem conseguir entender o que achei. amei roma, odiei roma.

mas ela é tão imponente que certamente não está nem aí pra isso.

57. mas ora, ora, roma!

roma, sua cafona!

56. amanhecia. vi montanhas. vi casinhas de pedra. estou na itália!

eu não precisei de nenhuma placa. eu sabia, tinha certeza, era a itália. vic ceridono, tu vai me desculpar, mas essa viadagem francesa de falar fazendo bico e cheirar a suvaqueira não é comigo. eu queria a itália. e ela chegou na sua melhor forma.

depois de um mês no deserto espanhol, montanhoso como uma folha de A4, ver relevo, colinas e vales, florestas, rios e cidadezinhas todas construídas com pedra me arrancou lágrimas dos olhos. o sol estava nascendo, ainda tinha névoa da manhã.

o busão fez paradas em pisa e florença. passeou com calma pra gente ver as coisa.

eu não queria descer daquele ônibus nunca mais!

Sunday, August 02, 2009

55. o sul da frança

a frança é tão limpa, civilizada e francesa que até a natureza é organizada. as árvores dançavam ao vento bem sincronizadas, as flores estavam nos seus mais róseos tons, tinha estrela, nuvenzinhas, o pôr do sol foi furta cor e depois até a lua veio blasé. colou na minha janela o trajeto quase todo.

eu fui meu próprio clichê e fiquei ouvindo edith piaf, enquanto um jovem francesinho tocava gaita no busão (eu juro) e ninguém se incomodou.

paramos em monpetllier, marselha e toulon. o busão dava uma volta panorâmica na cidade e em marselha deu até pra sacar a noite - tinha travestis francesas de montão, lânguidas e com caras de viciadas, meio bêbadas, parecidas com uma versão contemporânea da decadência rosa de toulouse lautrec.

depois peguei no sono e quando abri os olhos...

54. jack kerouac de rímel

eu amo andar de ônibus, eu amo rodoviária, eu amo rodovia. eu tenho esse espírito cafuçu. então até agora estou meio em júbilo pelo meu trajeto barcelona-roma de busão.

eu tinha decidido que quando voltasse da europa meu próximo plano seria comprar meu apê. mas agora mudou.

eu quero é um trailer.

Saturday, August 01, 2009

53. não chora, marion

quase ninguém mais anda longa distâncias de busão, na europa, de modo que não pude deixar de reparar na calorosa despedida de um casalzinho, ao meu lado, na estació nord, em barcelona.

a menina chorou de montão, o menino era bem romântico, e eu fiquei com pena dela. ela tava muito triste.

o busão chegou, eu sentei lá atrás porque na espanha não se tem o hábito saudável de marcar os assentos. a menina chorosa sentou no assento da frente. chorando.

duas horas depois, fizemos uma parada em girona. a menina continuava chorando. duas horas depois, já na frança, outra parada. a menina continuava chorando. eu tive que ir lá falar com ela. tadinha.

seu nome era marion. tem 21 anos. já viajou o mundo inteiro - índia, nepal, toda a europa... sempre sozinha, sempre mochilando. já viu de tudo, entendeu o conceito de vida simples e por isso odeia "esses franceses metidos a merda", falou, num espanhol perfeito. ela era um amor.

me contou que conheceu o namorado, italiano, em barcelona, e desde então passa todos os verões lá e toda vez que vai embora "dói como se fosse a primeira vez", disse, ainda com o nariz vermelho.

eu que não sou boba tratei de lhe pedir conselho. e ela respondeu: "você vai tentar racionalizar e vai dizer a si mesma que essa história é uma loucura. mas guapa, se ele for o cara, a vida não vai te dar escolha. ela vai escolher por você", disse, do alto dos seus muito bem vividos 21 anos.

marion desceu em montpellier puta da vida que tinha que voltar pra frança. e quando desceu do busão, me falou, com seu espanhol de puta madre: "quando vocês menos perceber, as folhas do seu passaporte vão ter acabado, quer apostar?".

quero, quero apostar pra que você ganhe a aposta!